Bate-Volta – chegar, surfar e voltar.


Surf’s up?
setembro 30, 2008, 4:01 pm
Filed under: Uncategorized

Terça-feira, 30 de setembro de 2008. Mais um dia frio, com garoa, trânsito e muito trabalho em São Paulo. Enquanto isso, não consigo para de imaginar cada onda que está quebrando em qualquer parte do mundo neste exato segundo, e eu não estou lá para simplesmente sentir o “sobe e desce” da ondulação no outside.

Hoje vim para o trabalho com uma boa esperança, a de pegar altas ondas amanhã. Trouxe minha prancha (ou melhor, a do Fanning, pois as minhas estão arrumando), long john, quilhas, leash, roupa de trabalho pro dia seguinte, até meu almoço de amanhã já está aqui comigo. Já troquei uma idéia com o Mau e o Gui+Salgado, mas os dois não parecem muito animados com a previsão de amanhã. A minha previsão é uma só: vai ter onda! Se vai estar perfeito, ou se vou pegar um tubasso, ou se vai estar uma merda, isso eu não sei mesmo. Só sei, que amanhã, quero acordar as 5h00, correr pra olhar o mar, falar alguma besteira do tipo: acho que com a maré subindo vai estar melhor, ou então, o vento pode ficar terral daqui a pouco, ou ainda, olha aquela direita que perfeita! Nessa hora, só vou querer saber de correr pra pegar minha prancha, saltar do calçadão direto na areia e remar pro outside. Estou na fissura pra dar o primeiro joelhinho, e continuar remando, ver o sol nascer, sentir aquele friozinho clássico dos primeiros minutos no mar.

A real é que eu fiquei ainda mais fissurado depois de assitir ao trailler do clássico Bustin’Down the Door, que estreiou no Brasil durante o Festival Alma Surf, em julho de 2008 na Bienal em São Paulo. Só de assistir esse trailler já começo a ficar inquieto, a pensar nessas ondas perfeitas quebrando bem agora, a pensar que em algum lugar do mundo tem um sortudo acelerando dentro de um “tubasso” a cada letra que eu escrevo. É incrível… Imagine quantos tubos foram “adestrados” só enquanto você leu esse texto. Dá pra ficar louco, não? 

O negócio é o seguinte meu amigo, não assista trailler de filme de surf nenhum caso você queria ficar sóbrio o resto do seu dia, caso contrário, veja o filme abaixo e junte-se a mim!

Se você quer ficar pior ainda, então veja isso!

Não foi o suficiente? 

Então toma essa!

 

Puta que pariu! Amanhã eu vou surfar de qualquer jeito!

Fui!

Ovelha



Terça pra Remar.
setembro 26, 2008, 6:18 pm
Filed under: Surf | Etiquetas: , , , , ,

Bate-volta é assim,  só dá pra saber se vai valer a pena amanhecendo no pico. E olha que pra mim, valer a pena, ainda é relativo. Tudo é possível, a previsão errar, positiva ou negativamente (as vezes é muito melhor que o esperado), a maré estar no pico errado, o vento atrapalhar tudo, enfim, como qualquer sessão de surfe as variáveis são muitas. Mas em um bate-volta, as chances de algo dar errado e o surfe estar comprometido é ainda maior por a janela ser pequena para a “quedinha”.

Terça-feira, 23 de setembro, praia do tombo, 1 metro com maiores. A previsão indicava swell de sul, vento sul fraco no início da manhã, algo em torno de 8 nós. Primeiro dia da Primavera, frio, e quando despertamos pouco antes das 6 o dia já era dia. Bom saber, no próximo bate já da pra cair na água umas 5:40!

O line-up era incerto… séries constantes, direitas que nem sempre abriam, mas algumas linhas persistiam até o inside. E o melhor, ninguém no outside, nem na praia. O fator negativo: a visível correnteza que fazia o inside parecer uma mutidão querendo entrar na pista de um grande show de rock no Morumbi. Uns diziam, vamos pra pitangueras, a maioria disse, não, vamos cair aqui mesmo.

Enquanto alongávamos, um local apareceu e entrou bem no canal (inexistente) no cantão direito. Entramos lá tb, e quase 10 minuto depois aparecemos no outside já no meio da praia. Por um momento achei que nem iria passar, mas deu. A correnteza realmente estava demais, nunca havia caido no tombo naquelas condições. As ondas nem estavam tão grandes e fortes, porém as séries constantes aliado a correnteza insana dificultou e muito  as primeiras braçadas. Já lá fora o time teve a primeira baixa, um já desistira e voltara para areia. Como o surfe não está tão em dia e a remada anda fraca, não é motivo de vergonha perder para a arrebenta em um dia como aquele.

Lá fora a correnteza deu uma  trégua e conseguimos ficar mais tranquilos. Ainda assim estava muito difícil se posicionar, séries inconstantes, a maioria fechando, e o pior, elas viam gordas e cheguei a me arrepender por nnao ter um fun naquela hora. Os primeiros minutos se foram com apenas uma tentativa sem sucesso de entrar na onda, mas a gorda não me deixou. A situação persistiu pelos próximos 30, 40, 50 minutos… Até que finalmente veio ela, uma direita bem formada da série, com uma parede que sugeriria uma bela corrida em direção ao inside. Nessa hora mais um de nós já tinha saído da água. Remo com força, levanto no time certo, desço meio reto com calma, já pensando, aproveite essa pq o mar hj não está bom. Ao chegar na base e começar o botton aquela broxada…. cadê a onda? e aquela parede? pra onde foi tudo aquilo? Nem o “mata barata” me salva. A onda engorda, eu afundo, a série explode na minha cabeça. É isso, lá se foi minha direita, minha sessão de surfe, meus anseios de fazer a cabeça no primeiro dia da primavera. Já no inside depois de frustrado só me restou mirar o bico pra areia e sair agradecendo. Agradecendo? Claro, pra mim só de ter a oportunidade de acordar na praia numa terça qualquer, perdão, qualquer não, no primeiro dia da primavera de 2008, cair na aguá, remar e dividir o outside com meus amigos e sempre companheiros de bate já é algo mágico, diferente, saudável, FANTÁSTICO! (essa foi pro morongo). Por mais que só dropei uma pra sair, já valeu a pena. Sempre vale. Agradeço sempre a oportunidade do santo bate, que me anima, revigora e motiva a seguir em frente a vida em São Paulo.

Abraço.

Felipe Barros



O pessimista
setembro 25, 2008, 8:27 pm
Filed under: Surf | Etiquetas:

 

Segunda, 22, às 23h33 chegamos no Guarujá para mais uma session de surf na terça de manhã antes do trabalho. A primeira sensação ao ver o mar no escuro foi que ia ter uma valinha que valia a pena. O vento estava fraco e dava para escutar algumas ondas quebrando no outside. Pensei comigo “alguma coisa vai rolar”.  Contudo, pelas previsões já sabíamos que não ia ser o melhor dia de surf . Descemos mesmo porque era o único dia que todos estávamos disponíveis.

Terça, 23, às 5h45, já acordei e a primeira coisa que fiz foi ir ver o mar. (mais…)



Tsunami cultural
setembro 19, 2008, 2:22 pm
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: , ,

Artigo publicado na pg 140 da revista Alma Surf edição 46 – Especial Festival Alma Surf

Todos os direitos reservados à Revista Alma Surf - Edição 46 de 2008

A diversidade cultural é um ponto forte do Festival Alma Surf, mas especialmente este ano ela não parava de crescer. Confesso que me sentia como se estivesse naqueles dias em que o mar está enorme e você fica com os pés bem firmes na areia, sentindo o estrondo das ondas e aceitando a adrenalina tomar conta do seu corpo enquanto busca coragem e energia para ir em frente. Falar sobre essa diversidade é fascinante. Porém, assim como no surf de ondas grandes, entrar neste domínio requer muito respeito, ainda mais quando se trata de um evento surf que reuniu quase 20 mil pessoas em 4 dias, vindas de todos os lugares do Brasil e do mundo.

Durante os meses que antecederam o Festiv’Alma 2008, tive o intenso e prazeroso trabalho de pesquisar e contatar artistas, fotógrafos, músicos, colecionadores de carros, empresários, surfistas e shapers de todos os lugares, que, assim como nós, trabalharam muito para participar desse evento. Foram inúmeros e-mails e telefonemas para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia, Ceará e Pernambuco. Hawaii, França, Itália, Inglaterra, Austrália, Espanha, Irlanda, África do Sul, Chile, Argentina, México, Canadá e Estados Unidos, são apenas alguns DDIs que constaram em nossa conta de telefone.

Entre os dias 9 e 12 de julho de 2008, na Bienal do Ibirapuera em São Paulo, tive a oportunidade de materializar em pessoas esses contatos, que até então estavam sendo criados e manipulados em minha mente. Tão bom quanto entrar naquele mar grande e dropar logo a primeira bomba da série, é poder conferir de perto um solo expressivo de guitarra, apertar as mãos que deram vida à aquela obra de arte, manobrar um carro antigo, encarar o público. É maravilhoso poder tocar na réplica da prancha que riscou as paredes de Todos Santos no México, assistir a um filme do Festival Internacional de Cinema e se deparar com um dos atores sentado ao seu lado, olhar no fundo dos olhos daquele fotógrafo que deixou todo mundo ver o que só ele viu. 

Assim como no surf, essa sensação é intensa e rápida. Quando você menos espera, a Bienal está vazia e você já lança para o primeiro que aparece na sua frente: “Você viu o show do Henry Kapono? E do Guru’s? As fotografias do Sebastian Rojas? As obras do Sandow Birk? E as do Jasar, então? O peixe-espada do Gilmar Pinna? O Fusca com teto solar original de 1965? As ampliações gigantes de ondas idem do fotógrafo Fred Pompermayer? Aquele onda do Burle? O Resende? Viu o filme Bustin’Down the Door? O Peter Townend? Os lounges do Salão do Surf? Você viu a Árvore Genealógica dos Shapers do Brasil? E a instalação do Arturo? Você viu? Viu? Viu?”

É inevitável. É humano. É surf. Só quem já esteve no outside sabe o quanto é bom remar em direção ao crowd e com um simples olhar indagar se alguém viu a sua onda. A resposta: “Whoohoo” com um sorriso escancarado no rosto. É perfeito. É o suficiente. É o reconhecimento espontâneo de muito trabalho, dedicação, esforço e paixão. 

Mas, também como no surf, as ondas não param de quebrar nunca, e mais satisfatório ainda é sentir que o Festival não acontece em apenas 4, 10, 20, 30 dias, ele acontece o ano inteiro, dia após dia, e-mail após e-mail, contato após contato. Aliás, a Mostra do Surf já acontece há 5 anos, desde a primeira vez na Bienal, no mesmo Ibirapuera. E desde aquele dia, desde o primeiro e-mail, o evento só cresce, encorpa e ganha respeito e tradição. E agora, a VI Mostra do Surf já começou, o próximo Festiv’Alma já está badalado, e artistas, fotógrafos, diretores e a mídia em geral começam a nos procurar, todos querendo fazer parte desse movimento cultural proposto pela Alma Surf, que é o próprio viver do surf.

Costumo dizer que sou capaz de visualizar perfeitamente os lugares e as pessoas que realmente marcaram alguma passagem nessa vida. Não preciso de fotos nem de vídeos. Isso é ação criada pela emoção. Está tudo aqui. Basta fechar os olhos e começar a passear pela imensidão da Bienal, do Festival Alma Surf, lembrando cada detalhe, som, imagem, espaço, pessoas, cultura, idioma, sorriso, sensação, aprendizado. Certas vezes disseram que “recordar é viver”, portanto, vire e revire as páginas da revista Alma Surf e viva um dos maiores festivais de cultura surf do mundo. Seja bem-vindo. Você faz parte dessa festa.

Por FELIPE BARACCHINI

Para saber mais visite Festival Alma Surf 2008

Ovelha



Surfistas de dia útil
setembro 18, 2008, 3:44 pm
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: , ,

A REVISTA SERAFINA acompanha paulistanos que descem para o litoral no meio da semana só para surfar 45 minutos antes da jornada de trabalho na capital.

Miguel, Tato, Marquinhos, Caio, Robério e Felipe

São 4h30 de uma quarta-feira. Amigos conversam num posto de gasolina na avenida Cidade Jardim, em São Paulo. Quem passa pode até pensar que estão vindo de alguma festa, mas a cara de sono entrega: eles acabaram de acordar. E juntos vão encarar a estrada até o Guarujá para surfar por menos de uma hora. Na volta, enfrentarão trânsito para chegar ao trabalho no horário.

Parece um devaneio adolescente, mas trata-se de apenas mais um “BV”, ou bate-volta, evento que transforma profissionais paulistanos bem-sucedidos em amadores do surfe nas madrugadas frias do litoral sul do Estado. No fim de maio, a reportagem da Serafina acompanhou a aventura de um grupo desses, formado basicamente por publicitários.

Os sete, com idade entre 24 e 38 anos, trabalham duro, em média 12 horas por dia e muitas vezes nos fins de semana. A rotina puxada, no entanto, não impediu que eles trocassem diversos e-mails entusiasmados antes do encontro. Pela internet, acompanharam as mudanças do tempo e cada informação disponível sobre as condições para o surfe no Guarujá. A previsão era que, naquela manhã específica, as ondas na região alcançariam 1,4 metro e a temperatura da água estaria entre 19 e 21oC.

“Isso deixa a gente cheio de expectativa, mas já aconteceu de chegar e o mar estar flat [sem ondas]“, diz o pernambucano Miguel Bemfica, 38. Iniciante no surfe, ele trabalha numa das maiores agências do país e já ganhou seis Leões em Cannes, o mais importante prêmio da publicidade no mundo.

Não ter onda é, sem dúvida, um grande risco para quem resolve embarcar numa viagem dessas. Mas nenhum dos sete demonstra preocupação com essa possibilidade. “Se a gente pensar assim, nem levanta da cama”, diz o diretor de arte Renato Butori, 28, que nunca dorme direito na noite anterior ao “BV” com medo de perder a hora. Nesse dia, ele tinha acordado às 3h40.

Enquanto decidem quem vai em cada carro, Caio Mattoso esfrega as mãos. Faz frio, mas ele resolveu sair de casa calçando sandálias e já vestindo a roupa de neoprene com que vai cair no mar. “Pra quem mora numa cidade sem praia, os ‘BVs’ são uma carta de alforria”, diz o paulista de 24 anos.

Robério tomando fôlego para enfrentar a arrebentação

FORMAÇÃO RUIM

Divididos em três carros, os amigos iniciam o percurso de 87 quilômetros. A estrada está vazia, mas há trechos com bastante neblina. O sono é vencido com músicas de Ben Harper, Lemon Jelly e Sublime. As conversas são sobre trabalho.

Numa pequena mala, Marcus Meireles, 36, carrega frutas, barrinhas de cereal e bebida energética para a turma. Baiano criado no Rio de Janeiro, Marcus mora em São Paulo há nove anos e ganhou prêmios em diversos festivais internacionais. “Para mim, o ‘BV’ não funciona apenas para sair da rotina. Busco qualidade de vida”, explica Marcus, que também faz pilates e musculação.

São 6h quando, finalmente, chegamos ao Guarujá. O céu está escuro e a primeira parada é a praia do Tombo. Todos andam até a areia e olham, em silêncio, para o mar. “A formação das ondas está ruim”, comenta o jornalista da turma, Felipe Baracchini, 24, sete anos de surfe e três de “BV”. Resolvem ir até Pitangueiras. Conferem as ondas e partem para a terceira opção: a praia das Astúrias, onde decidem ficar.

É nesse momento que tudo toma velocidade. Porque, pior que um mar flat, o maior inimigo de um bate-volta é o tempo. Na calçada, tiram a roupa e passam parafina nas pranchas. Quem tem bolso na bermuda guarda a chave do carro. Quem não tem arruma um esconderijo.

Na areia, Robério Braga, 37, faz um rápido alongamento. Essa é a segunda vez que ele, dono de uma produtora e diretor de filmes de grandes marcas de cerveja e refrigerante, participa de um “BV”. “Minha semana vai ter outra cara agora”, diz. Perto dali, Tomás Correa, 31, redator de uma multinacional presente em 84 países, corre de um lado para o outro. Pouco antes do sol nascer, todos estão no mar. São 6h30.

BANHO DE GATO

Os sete parecem se divertir no pico que escolheram. Mas os olhos não saem do relógio. Eles têm apenas 45 minutos para surfar. Em cima de cada onda serão apenas míseros segundos.

Marcus é o primeiro a sair da água, às 7h25. Logo em seguida aparecem Robério e Miguel. Do porta-malas do carro, eles tiram garrafas de água mineral e jogam na cabeça. Tentam tirar o sal do cabelo e a areia do corpo. “É a única maneira de tomar banho”, garante Marcus, trocando a roupa no meio da rua.

Pegar a estrada de volta para São Paulo é a parte mais desgastante da “trip”. O trânsito é inevitável e as blitze são comuns. Apesar da pressa, o assunto dentro do carro é só surfe.

“Acordar antes das 4h para ficar menos de uma hora no mar e voltar para trabalhar não é para qualquer um. A maioria desiste logo depois de fazer o primeiro “BV”. Não tem como a gente não se sentir até um pouco herói”, confessa Tomás.

Na entrada da cidade, os engarrafamentos são o grande pavor. Já são quase 9h quando a avenida Bandeirantes começa a estressar os surfistas. Mas o trânsito não dura muito e, antes das 9h30, todos estão de volta ao posto de gasolina, onde se encontraram cinco horas antes.

Sorrindo, os amigos se despedem e cada um segue para seu trabalho. “A sensação de felicidade que o ‘BV’ nos traz faz o dia render como nenhum outro”, finaliza Renato. “Hoje vi duas tartarugas no mar. Você acha que alguém no meu trabalho vai acreditar nisso?”

por ROBERTA SALOMONE

Ovelha



O Anjo Surfista
setembro 17, 2008, 1:15 am
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: , , , , ,

 

Acredito que muitos já leram sobre o caso do surfista local do Guarujá, Tony, 32 anos, que perdeu a vida em um ato heróico que aliviou poucos e levou à tristeza de muitos. Tristeza por que Tony deixou sua mulher, uma filha de 11 anos e uma legião de amigos e moradores da praia das Pitangueiras. Heróico, pois cumpriu sua missão: salvar a vida daqueles que estavam em apuros, devido a forte correnteza formada pelo swell de sul, que já arrastou vários surfistas para as pedras do morro do Maluf. E o alívio? Da onde vem? O alívio veio por parte da família e amigos daqueles que foram resgatados. Mas esse não é o único motivo para se sentir aliviado. Segundo a filha de Tony, ele sempre disse que iria morrer surfando ou salvando a vida de alguém, ato que já tinha sido realizado por ele mesmo diversas vezes, na mesma praia.

Em diversos sites e jornais vi comparações entre Tony e o famoso Eddie Aikau, havaiano que também perdeu a vida salvando pessoas. Ao mesmo tempo que acredito ser uma grande honra ser comparado com o mito “Eddie would go”, acho que não devemos misturar as coisas. O que o Tony fez foi muito grandioso para ficar na sombra de outro herói. Não acho que o Tony é o Eddie Aikau do Guarujá, eu acho que ele é o “Tony do Guarujá”. Não acho que a sua vocação era enfrentar qualquer mar para surfar ondas grandes, e sim, enfrentar qualquer situação para salvar vidas. Portanto, se quando o mar estava grande e todos a não ser Eddie, tinham medo de enfrentá-lo, dai a origem da frase “Eddie would go”, quando houver uma situação onde pessoas vão passar apuros ou risco de vida, eu vou dizer: “o Tony salvaria essas pessoas”. Essa era a essência desse surfista de Alma, desse anjo do mar.

Não tenho dúvidas de que os 4 surfistas que foram salvos por ele serão eternamente gratos. Aliás, acho que qualquer indivíduo deveria ser eternamente grato por saber que em um mundo onde tudo parece estar perdido, é possível sentir uma energia maravilhosa de que existe algo a mais na vida, de que não estamos sozinhos, de que existem anjos nos protegendo todos os dias.

Essa semana será realizada uma homenagem na praia das Pintangueiras. Não vou poder estar presente fisicamente, mas com certeza vou mentalizar muita energia positiva para o anjo surfista, o Tony do Guarujá.

Ovelha



Fissura: lado bom, lado ruim.
setembro 15, 2008, 3:56 pm
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: , ,

Tudo bem, a gente é aquele bicho escapista. Não suporta a cidade. Vive contrariado com a nossa condição. Não dá pra trabalhar de verdade na praia. Não dá pra viver de verdade na cidade. A modernidade ‘pesa’ pra gente. Os compromissos. A agenda. As metas. Horários. Expectativa. Prazos. Produtividade. Ambição.

Correr à praia sempre que possível é o remédio ideal, certo?

Errado. Ou, pelo menos, não necessariamente. (mais…)



Chuva e otimismo
setembro 14, 2008, 9:29 pm
Filed under: Uncategorized

“Quando vai parar de chover?” Tem aproximadamente cinquenta que horas faço a mesma pergunta em voz baixa, para mim mesmo, enquanto a observo de perto na porta.

Depois de checar o mar algumas vezes ao dia e ver que além da chuva fina que parece vir de todos os lados, as boas ondas também não deram o ar de sua presença. No lugar delas, o frio e vento sul compõem a cena deste final de semana. Confesso que não sou a pessoa mais otimista do mundo, muito pelo contrário, sou conhecido pelo pessímismo, a baixa expectativa  de esperar pelo melhor aumenta a satisfação quando boas novas acontecem. A expectativa nesse caso, era um swell de sul que deveria entrar no sábado, e salvar minha semana que foi, na melhor das definições, uma merda. Deixei o pessímismo de lado desta vez, esperava um bom surf, por isso preferi descer sozinho e aproveitar o máximo as ondas, surfar sete a oito horas como de costume nos bons dias de brincadeira, e passar muito tempo na areia de bobeira pensando na vida.

A cena foi muito diferente. “O otimismo me fodeu!”, era o que pensava depois de um força barra no sábado com menos de meio metro e muitas horas parado sem nada para fazer em casa (sem tv, internet, guloseimas e companhia). Domingo a tarde indo comprar café passei pela praia, estava toda estava vazia e sem uma alma sequer remando ou saindo d’agua, cena rara para um domingo quase de verão. Notei também, que não era só eu que estava desapontado, uma longa fila de carros deixava a praia logo depois do almoço. Voltando pra casa, pensei bastante e depois do café extra forte, botei meu wetsuit e resolvi ser o único a cair mesmo. Já na areia, fiquei feliz ao ver um longboarder muito animado com toda a situação, “O moreira só pra gente pô, já vi umas boas, tava procurando alguém pra cair!”. Verdade, caímos. As ondas  estavam com um pouco mais de um metro, um pouco tortas, mas as séries estavam lá, bom tamanho, abrindo,  surpreendendo com todo o peso de costume, não vai, o peso de costume também não. Mas estavam lá e realmente eram só nossas! Já depois de pegar algumas boas, pensei em todos aqueles carros atolados de pranchas indo embora e eu pegando boas ondas, agua morna, sem crowd, ou melhor sem ninguém em pleno domingo de setembro no canto do Moreira. E eu quase fiquei vendo a chuva cair. (mais…)



Bate-volta sem sair de São Paulo
setembro 12, 2008, 5:42 pm
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: , ,

Interessante como três esportes tão parecidos convivem tão pouco. Quem veleja de kite e windsurf hoje normalmente já teve no passado alguma experiência no surf. A imensa maioria dos surfistas, por outro lado, nunca cogitou velejar. E no meio desse caminho estão os mais felizes. São os que aproveitam ao máximo as diferentes condições que a natureza oferece, e alternam entre o velejo e o surf, dependendo da qualidade do vento ou das ondas.

Pra você que é surfista, seguem algumas razões pra se iniciar nos esportes de “energia eólica”:
- Você ganha uma alternativa de diversão a mais na água.
- Não tem crowd. Entendeu? Crowd: não mais.
- Depois que evoluir no esporte, você já sai na frente pra praticar a melhor variante do kite/wind: velejar nas ondas. Remar? Não mais.
- No Litoral Norte de SP, quando a condição predominante é de Nordeste, não rola muita onda. Mas na Ilhabela tá bombando o melhor vento que você pode achar.

No wind e no kite também tem bate-volta. E pra quem tá em São Paulo, rola um bate-volta estratégico, que pode durar um dia, uma tarde ou até um almoço no meio da semana. Pico: Represa de Guarapiranga.

Onde rola: Clube BL3 – mais perto, na face rasa da represa. Tem menos estrutura mas tem condição mais favorecida pra quem quer começar o kite. Tempo Wind Clube – mais distante, mas na face mais funda, verde e bonita da represa. É o clube com mais estrutura, e rola um almoço bacana lá mesmo. Recomendo pra quem quiser aprender.
A água: não é suja. Dá pra velejar sussa. Só não dê uns goles e tome banho depois.
O vento: melhor época de Julho a Novembro. 12 a 15 knots de vento nas frentes frias de Sul, e nas lufadas de vento Nordeste que acontecem logo antes das frentes. E aqui é igual ao surf: olho na previsão. Olho no windguru.

Bons Ventos



Já é hora de cagar
setembro 12, 2008, 3:52 pm
Filed under: Uncategorized

 

Já são mais de 33 dias que não há um bate-volta com boas ondas. Isso quer dizer que são horas e horas de congestionamento que pego na capital paulista sem ter o equilíbrio que o bate proporciona. Em outras palavras, TO FICANDO DESESPERADO!!

Ainda mais depois de passar a semana inteira vendo o WCT de Trestles. Ver aquelas ondas que parecem fáceis, sendo destruídas por uns caras com habilidades inexplicáveis, deixa a fissura de qualquer surfista ridiculamente alta.

Isso criar um desânimo terrível. Como diria o filosofo e presidente da Mormaii, “É como ter vontade de cagar, mas não ter a chave do banheiro”.

bate-volta

 Bom, pelo visto a semana que vem vai ter algum balanço no mar. Terça-feira parece um bom dia para o próximo bate-volta e pegar um dia clássico no tombo como esse.

Até lá.

gui+salgado