Minha resolução de ano novo dessa vez veio de um jeito diferente.
Nunca deixei de repreender os “meio-surfistas” e “meio-velejadores”. Os caras compram tudo do bom e do melhor, prancha, quilha, capa, lycra e o kct, mas cair no mar que é bom… Talvez por eu ter medo seguir o mesmo destino, de envelhecer no sofá assistindo TV ou no corredor do shopping, ou pela solidão de não ter os brothers na água, a verdade é que sempre fiquei puto com quem não mostrava compromisso com a parada. Sobretudo no wind que é a minha prioridade já faz alguns anos (sim, assumo que já recusei vários bate-volta).
E tem um grupo de cristos que são o meu alvo preferencial. Puta cara teimoso que sou. Tento e tento tirar esse povo da inércia. Nunca deixei de encher o saco dos meus amigos. É email, sms, telefonema, sinal de fumaça, faço de tudo pra tentar despertar a vontade. “A previsão tá irada, vai ser um dia foda, vamo lá!” E olha: com o passar do tempo descobri que só faço isso com quem considero amigo de verdade. Nunca me resignei com o status “meio” velejador ou “tipo” surfista desses caras (eles sabem quem são). Correr atrás de frente fria? Sair do quentinho pra pegar chuva? Acordar de madrugada? Carregar, montar e desmontar equipamento? Trocar o certo da mina na balada pelo duvidoso do windguru? Com essas condições, um passeio no shopping pra eles rapidamente começava a não parecer tão mico assim. É até compreensível, razoável. (mais…)
Revista Veja São Paulo - 12 jan 2009

Guarapiranga, no sul da cidade, não é apenas ponto de encontro de paulistanos velejadores ou que praticam esportes radicais como wakeboard. Nos clubes e escolas instalados em toda a sua costa, é possível fazer um passeio de barco por 7 reais, alugar uma lancha por 50 reais ou aprender windsurf por 415 reais. Diversão, ainda que na água doce, é o que não falta por ali. (mais…)
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Artista gráfico muito legal, transita no universo do surf e faz trabalhos alucinantes…
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Eu e o Felipe fomos com uma galera passar a virada do ano em Itamambuca. Boas ondas. Lugar incrível, preservadíssimo, com ocupação super racional, mas que não deixou de sofrer com a multidão que lotou cada centímetro da areia (e do mar) nesse feriado.
Soube que passou uma lei proibindo qualquer construção futura por lá. Daqui pra frente, a maioria dos terrenos da praia vão continuar vazios. E isso é bom. Pq?
Foi lendo o livro Outras Ondas, do Fred d’Orey, que eu me dei conta de uma coisa. Pode parecer idiota de tão simples. Mas é um bálsamo de clareza em meio à cortina de fumaça em que estamos. Quando o tópico NATUREZA é mencionado, nada menos que um dicionário de palavras vem junto. E isso é um fenômeno novo. Com essa “eco-febre”, uma palavra nova surge todo dia. Um termo pretensamente técnico, científico. Um monte de palavras que na boca de qualquer burocrata compõe um dicionário, de tão grande que se tornou o vocabulário pra nos confundir sobre a agenda do ator que tem assumido a posição pública de autoridade pra falar desse assunto: a empresa. É alarmante como nós temos aceitado languidamente a idéia de que o objeto ‘natureza’ é matéria de responsabilidade corporativa. Das empresas e marcas. Não mais das pessoas, dos “cidadãos”, nem do Estado. Matéria digna de propaganda na TV, patrocinada por uma marca amiguinha da humanidade.
Igualmente é preocupante como temos preguiçosamente cedido à idéia de que a melhor forma de preservá-la é comprando. “Comprar conscientemente”, “fazer escolhas por quem favorece a natureza”, “escolher a marca que vai plantar uma árvore por detergente vendido”. Enfim, todas as formas que podem ser reduzidas ao mesmo denominador comum: fazer uma opção de compra pelo produto da empresa “sustentável”. Compensamos homeopaticamente a nossa consciência pesada com um vidro de detergente. (mais…)



