Filed under: Surf | Etiquetas: donavon frankenreiter, Festivalma, lupaluna, Surf, surf music
Tive a sorte de estar em Curitiba no feriado, quando o circo da Almasurf passou por lá, trazendo consigo ninguém menos que Donavon Frankenreiter. Pedi pros caras uns convites e fui presenteado com providenciais entradas de camarote, com uma possibilidade de backstage no final. Yeahhhh
O Festivalma itnernante, em clima de turnê, aterrisou na sexta pra entrar junto do set do festival Lupaluna. Eu e a Fer chegamos no festival em cima da hora, junto com os chuviscos – q iriam durar a noite toda. Atravessamos alguma lama pra chegar no palco principal, que tinha acabado de ser deixado pelo Fresno. Ao contrário dos ocupantes anteriores com seu batalhão de roadies e atitude emo-poser, o Donavon entrou naquele palco gigante, meio desorientado, com o cabo numa mão e o violão na outra. Meio q fingindo ser invisível, ligou o amplificador, plugou a viola, afinou as cordas, se acomodou e começou a dedilhar. Virou-se pro baixista e o tecladista, meio que falando “olha só o q eu tô fazendo, vamos tocar desse jeito ó” - e começaram tocar, como se estivessem na sala de casa. Puta clima.
Depois do show, foi só contornar fileiras sizudas de seguranças até o backstage (Tks Ovelha!). Chegamos e descobrimos um cara divertido e simples. Sorridente e doidão, lá estava ele tentando dar atenção pra todo mundo. E de repente lá estava eu, trocando uma puta idéia com o Donavon sobre guitarras, o seu filme novo etc. Foi quando ele perguntou: “estamos indo pra um bar, vcs querem ir junto?”
No bar, entre papo e alguma cerveja também com o resto da banda, nos juntamos a uma platéia de privilegiadas 15 pessoas, q viu um show tão particular quanto acidental no bar Ambiental. Quem tava lá por acasou custou a acreditar, quando o cara subiu no pequeno palco e começou a tocar músicas do Creedence e outras velharias… Enfim, q experiência.
Special tks aos brothers da Almasurf.
Aloha, Zé!
Filed under: Surf | Etiquetas: Alma Surf, cultura, drifter, filmes, rob machado, surf movie
Junto ao meu bom amigo Ovelha, vulgo Felipe Baracchini, eu consegui assistir The Drifter há mais de um mês atrás, até mesmo antes da pré-estréia mundial. Como um bom amante de cinema, e de surf, eu não podia deixar essa passar…Mas vendo antes da maioria ou não, The Drifter é um realmente um daqueles filmes imperdíveis, e merece ser visto na tela grade.
Rob Machado é um surfista especial, fora ou dentro do mercado ou da água, o que mais marca é sua simplicidade, e estilo inconfundível. O filme estrelado por ele, interpretando, bem, acho que ele mesmo, fala exatamente sobre isso, sair do familiar sozinho deixando o conforto de lado e ir atrás do desconhecido. Até aí, nenhuma novidade, buscar a “alma” tem sido o foco da maioria dos produtos relacionados ao surf, e surfistas que estão fora do tour e competições tem ganhado cada vez mais valor e atenção do mercado.
Muito além disso, The Drifter inova, constrói uma ficção quase documental sobre a fuga de Rob, podendo ser contemplada até mesmo por pessoas não familiarizadas com o Surf. Segundo o Diretor Taylor Steele, ele realmente passou muito tempo sozinho, até mesmo acampado longe da equipe em alguns momentos, viveu algumas das situações que depois foram reproduzidas e filmadas. A busca de Rob se inicia em Bali, onde percebe que ali a força do surf já virou produto e os line-ups e bangalôs já abarrotados criam uma atmosfera menos mágica do que se pensa sobre o lugar. Saindo de Bali, aluga uma moto para dirigir sem destino, com somente uma mochila com barracas e pranchas (ridiculamente pequenas). Vive sozinho, interagindo com os locais, onde, sem nada, se sente mais livre que nunca. O filme tem cenários incríveis, captando bem lugares da Indonésia desconhecidos. As cenas de Surf não são massantes e não são maior parte do filme, são poucas e intensas. Tubos e tubos em cima de uma minúscula 5’6 (ou algo bem perto disso) com trilhas sempre pertinentes. A produção é fantástica, fotografia impecável, qualidade de imagens de altissímo nível, já que o filme foi filmado em grande parte com as câmeras RED, uma das últimas tecnologias em câmera de cinema digital.
O diretor Taylor Steele começou pequeno, fazendo filmes de surf com baixissímos orçamentos, acreditando em caras que não eram os maiores (como o próprio Rob) e finalmente chegou aqui, onde Steele passa a ser um diretor de cinema, conseguindo parceria com a gigante Warner Bros, celebrando um dos maiores surfistas da atualidade e fazendo um ótimo produto, com surf como tema, mas mantendo o que ultimamente todo mundo quer ver, “soul surfing”.
Bom Feriado, abraço!
Mau
Filed under: Surf | Etiquetas: celular, Festival, Iggy, melhor, mosh, palco, playcenter, Pop, punk, show, som, Stooges, Terra 2009, vida
São 4:02 am. Acabei de voltar do melhor show da minha vida! Quando saí de casa para o Terra 2009 nunca poderia imaginar que tudo isso ia acontecer. Com certeza uma noite daquelas pra guardar, pra contar pros filhos e netos, tomando cuidado para não dar mal exemplo!!
Estávamos vendo o show do Sonic Youth já num lugar ótimo, na frente da torre de som. Quando o show acabou, o grupo em que eu estava se dividiu. Fui o único que fiquei para o Show do Iggy Pop, todos os outros foram ver os Things Things. Com o término do show consegui encurtar a distância para o palco pela metade numa boa, estava muito tranqüilo. Depois de uma meia hora de espera, começou e aconteceu. Acho que desde os meus 16 ou 17 anos que eu não passava por esse tipo de experiência, mas isso foi mais, muito mais!
O Iggy e os Stooges entraram no palco de repente. Foi quando um rio de pessoas se formou. Eu estava perfeitamente alinhado com o microfone (e se não estivesse, acho que nada disso tinha rolado). Era a exata sensação de estar preso numa correnteza muito forte, onde nadar contra era impossível e impensável. Antes do final da primeira música, não sei como, desafiando todas as leis da física, eu já era a quinta pessoa antes da grade que separa a imprensa do palco. Ou seja, no máximo a uns 15 metros do palco, sem fazer o menor esforço. Tinha passado o Point Of No Return. Agora era curtir. (mais…)
Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, contra-cultura, cultura, Skate, Surf, Thomas Campbell
Recentemente fiquei sabendo do blog do surfista Dane Reynolds. O Dane é um dos surfistas que eu mais admiro ultimamente, tem uma atitude “foda-se” muito diferente da maioria dos caras que se matam para ganhar e aparecer no tour. É low profile apesar de toda a expectativa que se tem sobre o surf dele, e além de tudo surfa como ninguém, unindo tantos estilos que fica difícil de dizer a qual escola pertence se não a mais interessante e inovadora já vista no surf de competição. Mas seu blog mostra que, além disso, tem outros talentos, tira boas fotos, faz filminhos interessantes, e tem referências peculiares.
Há algum tempo, surfistas passam a ser respeitados não só pela sua habilidade em domar massas de água, por se colocar em situações de risco. Jack Jonhson acho que foi um dos primeiros a aparecer na grande mídia como surfista, mas fazendo música e filmes, ambos de muita qualidade. Depois dele lançou-se uma tendência, de surfistas com conteúdo. Muitos apareceram, apesar de estarem sempre ativos como surfistas: Tom Curren é um guitarrista incrível, Ozzie Wright mostra seu estilo tosco nos desenhos e pinturas, os Malloys são documentáristas e filmakers, Tim Curran está lançando uma carreira de músico solo, assim como já fez Donavon Frankenreiter e por aí vamos, a lista cresce. Não é de hoje que os esportistas migram de uma carreira para outra. No skate percebo a mesma coisa: skatistas profissionais fazem marcas como steve Alba, viram atores como Jason Lee, músicos como Tommy Guerrero. Será que depois de ser pago para fazer o que mais se ama, perde-se o encanto? Será só uma questão de evolução, ou simplesmente mudança de ares?
Nada disso. Na verdade creio que todos nascem com um talento para se expressar artisticamente, mas descobrem ou desenvolvem este dom com o tempo. O que mais me interessa nisso tudo é que geralmente eles não desapontam, todos os citados são bons no que fazem. Aliás, muito bons. Não podemos estimar que isso se deve à quantidade de contatos ou à exposição num ambiente extremamente criativo, envolto de contatos essenciais para uma carreira artística. Talvez isso somente acelere o processo. O esporte, qualquer que seja, ensina muito sobre disciplina e a convivência em sociedade e, no caso do surf e skate, ensina uma expressão pessoal única, uma éspecie de polimento de estilo que poderia ser aplicada em diversos outros casos, diferentes de qualquer outro esporte. São esportes praticados por jovens, e se tornam a expressão de jovens, assim como o rock, este, uma importantissíma expressão que quase sempre vai contra os princípios da sociedade, pois é repleta de rebeldia. Quem frequenta shows de rock, festivais, sabe muito bem do que eu estou falando.
Quando você tem a possibilidade de fazer viagens ao redor do mundo, em lugares que são destinos comuns para surfistas, mas completamente estranhos para 90% do resto da população não-surfista, vagando por cidades e explorando pedaços de concreto, é fácil falar que você está pensando e vivendo diferente da maioria da população. Ao invés de prestar atenção nos carros e nas vitrines, a cabeça fica presa a sua constante evolução de estilo, um refinamento quase sem fim. Com isso, tudo além fica borrado. Eu penso: a maioria das coisas fica sem graça depois que você pula uma escada de 10 degraus sem cair e arrebentar os dentes, ou fica em pé numa onda de 2 metros (a descida geralmente tem o dobro disso) que quebra sobre poucos centímentros de pedras sólidas num deserto estranho longe de seu país, ou pinta uma parede enorme, sabendo de todos os riscos, entre eles ser esculachado, pintado e até preso pela polícia. Essas atividades são cada vez mais desafiadoras. Completá-las, sobretudo, cada vez com mais estilo e perfeição, torna-se uma obsessão, evolução é sempre o objetivo.
A busca pelos meios de expressão e a pela evolução se dá digerindo documentos, fotos, trilhas e filmes de indíviduos mais evoluídos, que dominam a fina arte de se expressar sobre um prancha e os que documentam de uma forma sensível e expressiva. Esses são uma espécie de material de estudo para sua ciência do esporte, que toma conta e controla sua vida. A partir daí, fica fácil entender a quantidade de envolvidos neste ambiente, filmes de surf e skate, marcas de roupas, fotógrafos, trilhas sonoras, e ainda um mercado para tudo isso, uma demanda de material de estudo, composta pelos menos experientes e ávidos por mais imagens que aceleram o coração, inspiram.
Cria-se uma contra-cultura, que não nasce nas salas de aula, faculdades, enciclopédias. Cresce na rua, no mar, indo pra escola, voltando da praia, tocando com os amigos, reunindo bandas e fazendo eventos independentes. Nasce a partir de uma vivência, dedicação e sobretudo um estilo de vida, que geralmente não condiz com os padrões impostos pela sociedade e não consome os produtos anunciados pela publicidade. Ali, os apaixonados praticantes, que na maioria são adolescentes, alunos do fundão, pouco interessados no estudo que não tiram o fone de ouvido e não param de desenhar nas carteiras, têm finalmente a chance de mostrar seu outro lado, de talento e habilidade.
Recentemente (mas não tanto) uma mostra de arte que reuniu nomes do skate, surf, grafitti, música e tudo mais que se aprendeu na vivência de fazer o que mais se gosta, foi aplaudida de pé pela crítica de arte mundial, e promoveu para o grande público alguns velhos conhecidos de quem sempre assistiu clipes, filmes de surf, skate e grafitti. Entre eles, Ed Templeton, Spike Jonze, Harmony Korine e Thomas Campbell. Esta mostra saiu da California, cresceu e viajou o mundo, virou filme e ainda promove os integrantes cada vez mais.
Mas ainda é difícil pra mim explicar o que eu quero da vida quando só penso em surfar, andar de skate e desenhar, ao invés de procurar um emprego comum de 10 horas por dia num escritório sem janelas. O que eu realmente recomendo; é mais fácil comprar um livro do Kelly Slater, trabalhar num emprego desestimulante e surfar de vez enquando só para se sentir menos morto.
http://www.beautifullosers.com/
http://www.marinelayerproductions.com/
Abs
Mau










