Bate-Volta – chegar, surfar e voltar.


Grãos de areia e universo de estrelas
julho 14, 2010, 5:44 pm
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publicado originalmente na revista Almasurf – Ed. Mai/Jul 2010

A alma do ‘errante’ nos sentimentos mais profundos do ser humano real. O reencontro do eu interior num mundo de grãos de areia e estrelas universais. O caminho puro de um par de chinelos…

Todos que entrevistaram ou conversaram com o surfista Rob Machado em sua recente passagem pelo Brasil – turnê de lançamento do filme The Drifter, de Taylor Steele, que mostra os caminhos e as buscas de Rob, onde o mesmo dedilhou em seu violão a trilha sonora de sua vida –, fizeram as mesmas perguntas. Os mesmos assuntos em cima das mesmas curiosidades comuns resultaram nas mesmas palavras da estrela principal do filme em que se intitula ‘O errante’.

Escolhendo o lado oposto do que todos numa dessas bifurcações da vida, eu estava convencido a descobrir a verdade: Quais são os mais profundos sentimentos que fizeram um dos maiores ícones do surf mundial desaparecer das competições, da mídia, dos amigos, e até da família?

E escolher um novo rumo…

Rob em Maresias - Foto Munir El Hage

Na chegada do até então ídolo pra mim, e continua sendo, fiquei encarregado de recepcionar Rob no aeroporto e levá-lo a Maresias, costa norte de São Paulo, para apresentar o The Drifter durante a semana do carnaval, que seria nosso ponto de partida para a turnê roots em algumas cidades do litoral brasileiro. O show acústico, como já disse acima, sonorizava ao vivo o bônus-track de um produto rotulado pelos mais românticos como uma vertente moderna de contracultura moderna… O que, na prática, de fato, para os eventos e para nós da Alma Surf / Hurley, sabia que realizar essa missão junto de uma sociedade ‘modelada’ pelo consumo, não seria tão fácil assim.

O lado operacional é de extrema importância, mas não tem muito segredo quando se tem trabalho. Basta planejar, produzir, e executar com honestidade. Porém, era o outro lado do meu cérebro que mais me preocupava.

Como se preparar mentalmente para viajar 10 dias com um australiano, fruto do casamento entre a Inglaterra e os Estados Unidos, que aos 4 anos de idade se mudou para a Califórnia – aliás, muitos pensam que ele a californiano –, e aos 16 venceu o badalado US Open em Huntington Beach, e que aos 21 já tinha dominado com perfeição os canudos de Banzai Pipeline, ocupando o posto de nº 2 do mundo – e que por um detalhe do ‘zen surfismo’ não foi o 1º – concreto aquático de seu talento e a sua posição de amigo, muito mais do que rival, do maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater.

Sim, era a chance de reter conteúdos, histórias e lições de vida de gente grande. Mas ao mesmo tempo, a oportunidade de descobrir qual foi o agente causador da ‘quebra’ do que seria a trajetória de um grande campeão do mundo. Sei o que é ter motivos para querer desaparecer – “e-x-i-s-t-ê-n-c-i-a” –, mas o que é preciso para que o ‘surf zen’ atual buscasse sumir do mapa ou encontrar-se no neste mesmo desenho? Rob machado. Frustração? Raiva de algo? Angústia? Tristeza? Indolência? Na história, ninguém faz ou fará o que ele fez à toa.

Logo no primeiro contato – “Hi Rob. I’m Felipe, The Lamb, you are welcome…” – no estacionamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Cumbica, percebi que não resolveria essa questão com apenas uma pergunta. Algo dizia que era preciso analisar cada detalhe na construção das peças de um complexo quebra-cabeça. Se você pensa que o Rob é um ser livre das convenções, um profeta, não se iluda. Ele é uma pessoa preparada e hábil, um produto para ser consumido pelas grandes massas, pela parte inteligente dela. Sabe o que dizer e o que responder e fazer, conhecimento angariado para lidar com a fama e ainda se diverte com perguntas insensatas.

“Não existem perguntas idiotas, tudo depende da sua ótica e percepção. É a chance de falar o que eu quero. Então, eu simplesmente não respondo a questão em si e falo mesmo do que tenho vontade e da onde que eu pretendo chegar, na vida pura no surf”, disse ele, Rob em uma de nossas conversas de brother.

Deitou na prancha, deu duas braçadas e dropou uma esquerda torta da praia Mole, em Florianópolis. Primeiro em uma direita perfeita em Maresias, como numa celebração realizada pelos presentes que n’água boiavam com suas pranchas. A imperfeição das ondas não limitou o volume de água deslocado… Não faltou estilo ou posicionamento, nas manobras que o crowd parou para ver de perto e agradecer aos céus, um a um, de serem surfistas, graças Deus.

Praia Mole, Florianópolis, SC

Alguns dias antes, por volta da uma da madrugada de uma terça-feira de carnaval, estávamos na Rodovia Rio-Santos, quando decidimos fazer uma parada em um posto de gasolina qualquer, a fim de enganar o sono e o cansaço com uma xícara de café e um croissant.

“Cara, olha o Rob Machado!”, balbuciou um moleque saudável e com pinta de surfista. “Não é possível! Será que é ele mesmo?”, falou mais alto o ‘irmão’ que estava na barca do feriado rumo ao mesmo litoral. Os dois garotos caminharam despretensiosamente rumo ao balcão em que estávamos. Aquele tradicional, parada obrigatória que todo mundo conhece quando se desce rumo ao litoral Norte de Sampa.

A figura cabeluda e lendária de Rob ficou amarradão. Trocou aperto de mãos e tirou fotos. Distribuiu autógrafos e fez questão de distribuir algumas camisetas e uma rápida troca de idéias na loja que aromaticamente misturava cheiros típicos brasileiros como café, milho e chocolate quente, além dos saborosos pães de batata que instiga qualquer um. Certamente demorou um tempo pra esses brothers entenderem o que tinha acontecido e, talvez para comemorar, compraram no caixa uma caixinha pequena com a energia de Bob Marley estampada na aba, mas daí pra frente não sei dizer mais os sentimentos e sensações deles, porque voltamos para a estrada.

Ao devolver os materiais promocionais para o bagageiro do carro, me dei conta de que tinha deixado para trás minha imperdível pasta com as passagens, reservas dos hotéis e o roteiro da viagem que passei horas elaborando para esse trabalho. Contudo fiquei tranqüilo, zen, senti uma vibração em que poucos momentos senti na vida. Estávamos acompanhados da vontade de ser livres e surfistas. E isso bastava. Sabíamos o necessário.

A primeira onda

Repare numa das primeiras ondas que aparece no The Drifter… Fiquei na cabeça com as palavras do amigo Nathan Myers – que inclusive foram publicadas na revista Hardcore, edição nº 237 –, colaborador do projeto que se materializou na Indonésia: “Rob desaparece dentro de um longo tubo num estilo super zen e permanece sumido muito além do inside, onde a bancada fica rasa demais para a maioria dos mortais. Ele reaparece e sai no último instante antes de ser trucidado pelos corais quase expostos”.

Todas as vezes que assisti ao filme fiquei preso com esta cena. Mas isso não foi o que mais me chamou a atenção. Contra a luz do sol, a imagem de uma pessoa flutuando na mesma linha do tubo atrasado no tempo. O que era pra ser o um elemento figurativo, sofreu quase que uma mutação para uma estrutura nuclear e surreal.

Em Balneário Camboriú, após a exibição do filme, Machado disse que gostaria de encontrar um grande amigo que estava há algumas quadras dali. Caminhamos desapercebidamente pelas ruas românticas do pico e encontramos o fotógrafo brasileiro Kalani Brito, o amigo de Rob.

Obviamente não segurei minha curiosidade e diante dessa oportunidade questionei como eles tinham se conhecido, visto a considerável diferença de idade, até de gerações entre os dois e da distância entre os universos, mesmo sabendo que para o surf não existem fronteiras.

“Conhecemos-nos há uns dois anos enquanto eu produzia este projeto na Indonésia. Você já reparou numa pessoa que está dentro d’água na primeira onda que aparece no filme? É esse cara aqui!”, disse Rob entre abraços verdadeiros. “Esse homem é um dos poucos que conheço que se colocariam naquela situação, e sem prancha”.

Kalani Brito e Rob Machado, Florianópolis

Eles ainda tinham muitos assuntos para conectar. Algumas rodadas de cervejas especiais e geladas foram uma ótima pedida e, na metade da jornada flagrei-me distante dali, pensando de outra maneira. ‘Ser uma figura da mídia pode ser muito legal, e pode ser legal também ser amigo desse cara. Mas, o que eu quero pra mim, para a minha passagem nesse plano, que abrangem muito do que só o surf, mesmo que ele seja imenso para o meu ser’. Confesso que o pré-conceito sobre essa classe de famosos já me corrompeu no que chamo de forma brega de ‘futilisismo’ – futilidade com narcisismo. Erroneamente ou não, acreditei que a maioria da minoria seria desse jeito, e que eu tinha a chance única de ser diferente e seguir meu caminho, pois somos almas únicas, cada um com sua aura, que inconscientemente já o fazia, e que, aliás, sempre o fiz.

Valter Vale da Hurley )(, Rob Machado e Felipe Baracchini: good shit!

Andava descalço há dias e nem me dava conta até o embarque para o Rio, em que me vi obrigado a comprar um par de chinelos. Percebi que ao lado de Rob, entre papos cabeças, meus e dele, já incorporava o espírito drifting e vice e versa para Rob na atmosfera brazilian lifestyle… Já não possuía mais meias e minha câmera fotográfica, inseparável até essa nova experiência, celular e notebook, e também lembrei com certa graças do meu antigo par de chinelos, que havia ganhado entre alguns presentes da formatura da faculdade alguns anos antes. Estava a essa altura me desprendendo…

Perambulando no sentido oposto ao mar em Copacabana para sentir a brisa, cruzamos com uma garota que acomodava entre os braços a curvatura plástica de uma fish retro model, quando um ruído ao fundo nos puxou de volta a realidade. Já não éramos, naquele instante, pessoas comuns, pelo menos o Rob. “Caraca! Não acredito no que eu estou vendo! Rob Machado bem aqui na minha frente neste calçadão carioca.”

Direcionando um olhar emocionado e agradecido aos céus, o shaper local do Arpoador, FULANO DE TAL, nos contou que num passado não tão distante sobreviveu a uma dura batalha contra um câncer. E que os filmes parte de Rob Machado fizera parte dessa cura, não só do corpo, mas do espírito. The September Sessions e Thicker Than Water lhe contaminaram com a força de vontade para seguir em frente e passar na repescagem de cabeça erguida, virando a bateria e ganhado a coroa da vitória no último tubo.

Rob era como um Deus para aquele humilde surfista, e foi presenteado como tal por isto. Além de uma reverência explicita e intimista sentida com feeling por Rob. O nosso novo amigo retribuiu a cura do espírito com duas impecáveis e lindas fish boards, que foram agregadas ao nosso volume de bagagem. Por puro acaso ou não, o shaper vitorioso e Rob Machado se encontraram com a mais pura inspiração de vida, e os dois se emocionaram. E eu também…

Muito forte nos sentimentos e, horas depois, flutuando sobre meu novo par de chinelos, avistei o shaper acenando um reservado ‘oi’, em meio ao público que se deslocou até o evento na Lagoa da Conceição.

Mais uma vez, alguns minutos antes da apresentação, o ‘Errante’ Rob Machado fechava seus olhos no meio da galera e do barulho e se ‘plugava’ a si mesmo. O que para os mais irracionais soava como uma desrespeitosa soneca, para mim, que já entendia ‘O Errante’ na essência, ecoava a imagem de um cara ‘amarradão’ numa viajem com os amigos pra dentro do ser, do ser ou não ser, na busca da compreensão do que estava acontecendo em torno da sua vida, e assim entender o todo.

Quando as coisas vão bem os dias passam como horas. Só me restavam apenas alguns instantes para desvendar esse ídolo ou aceitar que ele fez tudo isso porque não foi campeão do mundo, ou até por algum outro motivo da sua vida pessoal que eu nunca iria realmente saber.

A conversa das estrelas

“Tchau. The Animal!” (risos)… Disse Rob pra mim na despedida. Deixei o aeroporto introspectivo em meus pensamentos. Tinha acabado de fazer uma ‘surf’ trip com o Rob Machado, mas ainda não tinha a resposta que tanto procurava. E que tentava me contentar com a promessa do envio de um questionário por email.

“Bro, I’ll blow your mind!”, me dissera Rob no inicio da turnê em uma festa na praia com poucos e bons amigos, onde o ‘ídolo’ desafiou a minha sanidade mental. E, realmente alguns dos meus conceitos explodiram.

“Você está preparado para mudar a percepção da sua existência?”. E enterrou a mão na praia e ergueu um punhado cheio de areia fina e branca que transbordava como água.

“Quantos grãos de areia você acha que tenho em minhas mãos? Milhares? Ou quem sabe bilhões de grãos apenas nessa pequena área? Agora, olhe para o céu. Quantas estrelas você acha que está enxergando nesse momento? A astrofísica elabora uma fórmula quantitativa de grãos de areia na terra e… Sabe qual é a conclusão? Que existem mais estrelas em nosso universo do que grãos de areia no planeta Terra.” Ensinamentos…

É inevitável não confortar alguns milhões de grãos de areia na palma da mão olhando para as estrelas que dançam harmoniosamente no céu. Sabemos que existem estrelas gigantes… E isso explodiu minha mente sem contagem regressiva.

De um personagem fabricado e treinado para ser uma pessoa real, com plena noção da sua pequeneza e irrelevância, Rob Machado sabe que pode sumir por algum tempo que não fará tanta diferença assim no todo de que tanto falei nesse texto.

Nesses dias em que convivi com o até então ‘ídolo’, porque a partir de agora, pelo menos pra mim, Rob é uma pessoa comum, como eu e como você e como todos nós. Rob é um cara legal e comum, como escreveu o editor ALMA SURF dessa publicação, Adriano Vasconcellos – ALMA SURF, edição #55, Coluna de Cultura – “Rob Machado presenteia a si próprio com a oportunidade de se reinventar, e, mesmo sendo um errante, está no caminho certo, o da paz interior”.

E com o Rob Machado descobri como ele conseguiu habilmente lidar com a sua imagem. Embarquei nessa empreitada com o objetivo de desvendá-lo, mas foi aprendendo mais sobre mim mesmo que atingi o nível de consciência que eu buscava.

Descobri que cada um tem a sua razão para desaparecer. Aprendi com as estrelas e os grãos de areia que não temos noção da nossa insignificância até explodirem em nossa mente, nos dando a chance de se descobrir para a realidade.

Por Felipe Baracchini

Fotos Ricardo Alves e arquivo Hurley / The Drifter / Dustin Humphrey

Agradecimentos: Zé Lucas, peça fundamental na organização das minhas idéias pra escrever este texto!



ALMASURF é a revista oficial do ASP World Tour Brasil 2010
abril 14, 2010, 5:02 pm
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Capa da almasurf especial WT 2010

No ano em que comemora o 10º aniversário, a ALMA SURF confirma relevância no segmento e é anunciada como a revista do Billabong Pro Santa Catarina, que será realizado entre os dias 23 de abril e 2 de maio, na Praia da Vila, em Imbituba, Santa Catarina.

O anúncio foi feito pelos executivos Leandro Valentim, do Grupo RBS; Xandi Fontes, da Quântica Comunicação e Eventos; e Flavio Padaratz, detentores da licença da etapa, que organizam a passagem do Circuito pelo litoral sul do Brasil, onde tradicionalmente, além da competição em si, a cidade de Imbituba apresenta ao público a Cidade do Surf, um complexo temático de entretenimento e eventos.

2010 está sendo apontado como o ano das mudanças no World Tour por causa dos novos direcionamentos da ASP (Association of Surfing Professionals), que buscou uma maior promoção do esporte. Houve alterações no calendário e na elevação do valor de premiação em algumas etapas, além da reforma na pontuação do ranking. Aconteceram também mudanças estruturais na própria diretoria da entidade, que chegou a mexer nos cargos da comissão julgadora, promovendo abertura a uma nova rodada de discussões em torno dos critérios de avaliação de performance e da busca de novos moldes de disputa.

A revista ALMA SURF está confirmada junto ao time principal da etapa brasileira do ASP WT Brasil nesta era de transição. Isso comprova a vocação de líder do publisher Romeu Andreatta Filho – por sua influência e por impulsionar ao mainstream a praia e o surf de forma contemporânea – e o torna referência mundial em posicionamento editorial. “Estamos absolutamente comprometidos em revolucionar a abordagem do Circuito Mundial pela mídia impressa e digital com a nossa entrada nessa atmosfera, fato que nos honra sobremaneira”, diz Romeu, um dos principais fomentadores do esporte no mundo.

Hoje, além de ser detentora do título mais expressivo de mídia impressa, a revista organiza também o FestivAlma, evento cultural de maior prestígio no segmento, que comporta o melhor do cinema, das artes, música, moda e, neste ano, arquitetura e design, na estréia do evento Casa de Praia, lançando tendência ao mercado. E este ano de 2010 marca também a estréia do Portal Alma Surf, uma nova proposta de plataforma de comunicação on-line – informação e interatividade multimídia de forma plena na internet: fundamental para quem vive na praia, com ou sem prancha.

O Billabong Pro 2010 Santa Catarina será realizado pelo Grupo RBS e pela Quântica Comunicação e Eventos, terá patrocínio da Ambev (Skol) e do Governo do Estado de Santa Catarina (Fundesporte), contando ainda com o apoio da Prefeitura de Imbituba, Radio Atlântida, revista ALMA SURF, do Sportv, da Fecasurf – Federação Catarinense de Surf e da Associação de Surf de Imbituba. A ALMA SURF faz parte desse time como a Revista Especial / Guia Oficial da Etapa Brasileira do ASP World Tour 2010.

Mais informações:
Improve Produção Editorial e Curadoria Ltda.
55 (11) 3744.3711 – almasurf@almasurf.com.br

por redação almasurf

Abs

Felipe Baracchini



‘Drifting’ from Indo to Brazil
fevereiro 11, 2010, 3:27 pm
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Cartaz do The Drifter

Enquanto aguardo o embarque (previsto pro dia 23/02) para encontrar os 4 loucos que saíram hoje de madrugada da minha casa, de carro, rumo a Pichilemu no Chile, vou ter o árduo  trabalho de acompanhar ninguém menos do que Rob Machado, na turnê da Premiere do filme The Drifter, em Maresias (14/02), Brava de Itajaí (16/02), Florianópolis (18/02) e Rio de Janeiro (19/02) para depois finalmente embarcar pro Chile (mas ainda aguardando confirmação da passagem).

Bom, com certeza teremos muito material depois desse carnaval insano de ondas! Pelo menos lá fora…

Vejam a arte do cartaz do lançamento do The Drifter no Brasil, com apresentação inédita do próprio Rob, que ainda dará uma “canja” com seu violão após a exibição do filme!

Abraços!

Felipe Baracchini



Não. Ainda não surfei na NorCal! Mas…
fevereiro 3, 2010, 7:47 am
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Tá bom, sei que to devendo um post faz tempo! Mas a correria por aqui tá braba! Do último post pra cá já mudei de apartamento duas vezes, fiz algumas provas e trabalhos, li uma porrada de livros, aprendi a lavar a roupa, comprei e montei minha cama, … Mas também sobrou tempo pra comprar um skatinho – meia boca, diga-se de passagem – e ir pra Ocean Beach (SF) e Santa Cruz.

Ocean Beach, San Francisco - Ca

Ocean Beach, San Francisco - Ca

Outro pico que pirei com as ondas foi Pacifica. As ondas quebram do lado de um pier, mas lá não tinha ninguém surfando! O motivo? Talvez a temperatura da água ou a presença dos “tiburones”. Enfim, um pico que segura bem um mar com mais de 2 metros!

Pleasure Point, Santa Cruz

Pacifica, way to Santa Cruz - CA

O surf ainda não rolou, mas presenciei alguns picos com boas condições em Santa Cruz: Pacifica, Pedro Beach, El Granado, Half Moon Bay, Pescadero, Capitola e Pleasure Point. O melhor deles foi Pleasure Point. Boas direitas, longas e constantes. Tamanho? 0,5 metrão, 1 metrinho, mas dá pra fazer uma boa brincadeira…

Pacifica, way to Santa Cruz - CA

Pleasure Point, Santa Cruz

Pra fechar, ainda em São Francisco, dei uma passada numa surf shop chamada Mollusk!

Valeu pela dica Mau! Tem umas fish tails iradas, umas roupas “diferentes” e bons preços!

Então é isso! Até a próxima, ruma a primeira queda…
Murissa!



Conceito X Estilo = Bingo
janeiro 28, 2010, 9:28 am
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Prancha de madeira, água verde, e o início de uma 'caminhada' até o bico

Não é de hoje que o Siebert me impressiona com o conceito que impinge na sua profissão.

A marca é embasada na formação / nascimento / história do surf mundial e no ‘style’ de fazer a coisa toda a contecer.

As Siebert Surfboards são pranchas feitas 100% de madeira. E para surfar numa ‘obra’ dessas, não adianta gritar ‘woohoo’, ter tattoo e nem correntona de prata. Tem que ter estilo e linha de surf.

Bom, para mim, isso já não era novidade. Conheço esse trabalho desde 2008 e sempre achei de muito bom gosto, e muito bem feito.

O que essa semana me chamou a atenção, foi o lançamento de uma coleção de 2 (sim, duas) camisetas que o Siebert está lançando. Mas não é só uma camiseta, uma surfwear qualquer. Assim como tudo o que faz, tem conceito, tem estilo, tem um propósito. E isso é difícil, por isso, são DUAS camisetas diferentes, não DUZENTAS.

Em parceria com o artista Cirro Bicudo e o fotógrafo Fábio Amicci, foram desenvolvidas duas artes para dois modelos de camisetas diferentes: uma gola em “V” com a estampa criada por Ciro Bicudo, e uma gola redonda, estampando o trabalho fotográfico de Fábio Amicci.

Cada uma tem um conceito muito forte. Além disso, são muito bem produzidas. As camisetas foram confeccionadas com o tecido Ultrafine da Pettenati, considerada a melhore tecelagem circular da América Latina.

A ‘gola em V’, chamada de HandPlane (para saber mais sobre o projeto handplane, clique aqui), estampa uma possível ‘cura’ para os dias flats de verão. Ou simplesmente, um jeito diferente de surfar, ficar amarradão, equilibrado.

O modelo HANDPLANE, by Ciro Bicudo

A ‘gola redonda’, tem ainda mais interpretações. Uma mulher sentada na janela, um longboard, outra janela, e uma bicicleta. Cara, dá pra ir muito longe nessa imagem.

O modelo 'gola redonda' by Fábio Ammici

O fato é: não quero ser prolixo. O cara sabe trabalhar CONCEITO. E isso, na minha visão, está em extinção nesse mercado, nesse segmento. Infelizmente, consegue-se contar numa mão (e pode ser até a mão do Lula com um integrante a menos no quiver) as marcas que sabem trabalhar essa palavra rara. Repito, quem SABEM TRABALHAR. Conceito todo mundo acha que tem. Trabalhá-lo bem feito é outra coisa.

Estilo e conceito andam juntos (imagem tirada do site www.siebertsurfboards.com.br)

Como comprar?

As camisetas têm o valor unitário de R$45 e um custo de frete de R$ 12 para todo o Brasil.

O custo de frete é o mesmo para uma ou DUAS camisetas.

Para encomendar a sua, envie um email para contato@siebertsurfboards.com

As duas camisetas tem o mesmo padrão de medidas de acordo com a variação de tamanho: P, M, G, GG.

Antes de efetuar sua compra, confira a tabela de medidas (é recomendado que sejam comparadas as medidas da tabela com alguma camiseta que você tenha em casa).
P: Tórax: 50cm / Comprimento: 68cm

Arte para comparação

M: Tórax: 53cm / Comprimento: 70cm
G: Tórax: 56cm / Comprimento: 72cm
GG: Tórax: 59cm / Comprimento: 74cm

Um abraço,

Felipe Baracchini



THE PADDLE POWER
janeiro 20, 2010, 9:50 am
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Mark Healey aproveitando a chance de surfar esquerdas GIGANTES!

O Surfline sempre me impressiona com a qualidade das fotos e matérias publicadas diariamente.

Essa em especial me chamou a atenção. Na verdade, nada aqui é outstanding editorialmente falando, mas a performance dos surfistas me deixou boquiaberto.

Abaixo vão algumas fotos publicadas na matéria PADDLE POWER por Mike Cianciulli. Fotos by Hank

Kohl Christensen tranquilo como se tivesse dropando 1 metrinho em Maresias

Reef McIntosh e Kala Alexander mostrando que os regular footers não têm medo de dropar no estilo

Dave Wassel dividindo "a boa" com um amigo. Tem onda grande pra todo mundo!

Abraços

Felipe Baracchini



Mais um pouco de Berkeley
janeiro 13, 2010, 5:31 pm
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Hoje o dia por aqui foi bem corrido! Fui visitar a sogrona que mora em Santa Clara, uma cidade que fica próxima de San Jose. Além disso, finalmente parei de gastar dinheiro com a VIVO e fechei um plano com a T-Mobile. Aí que queria deixar uma dica: tem uma empresa chamada Brastel  - www.brastel.net / 1 888 862 7278 – que tem um plano chamado Brastel My Number. Por US$14,99 / mês eles dão um número de telefone do Brasil para receber ligações nos EUA. Assim as pessoas que ligarem do Brasil pagam ligação local ao invés de internacional. De qualquer forma, é necessário fechar um plano com uma operadora americana e se certificar de que neste plano não haverá a cobrança para receber chamadas internacionais.
Pra fechar o post seguem duas imagens.
A primeira é um mapa aqui da região. Não entendo muito da geografia local, por isso prefiro não opinar quanto a influências dos ventos e correntes nas ondas desta costa tão recortada.

Mapa

A segunda imagem é a foto dum figura que trabalha numa surf shop local. O nome do cara é Damien e ele vai com a cara dos brasileiros. Me descolou inclusive um boné de graça…
Bueno, me vou porque amanhã começam as aulas!

Damien - figurassa

Hasta…
Marcelo Murissoka


O 1º POST
janeiro 11, 2010, 2:03 pm
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Praia do Cassino - Foto 1

Saudações Gaúchas e Oceanográficas, em primeiro lugar gostaria de parabenizar a equipe do bate-volta pelo incrível projeto que estão desenvolvendo e também por contarem com mais um colaborador e amigo para essa maior evolução.

Começarei com um panorama geral do potencial no extremo sul do país quanto ao surfe e demais atividades ligadas ao mar. Curso Oceanologia na FURG, cidade de Rio Grande, moro na praia do Cassino, maior praia do mundo em extensão, praticamente um cordão de dunas contínuo de 245km que não possui nenhuma barreira física natural além de sangradouros(riachos). Aqui no balneário do Cassino (foto 1) o regime de ondas não é tão intenso, isso devido a diversos fatores ligados à configuração da plataforma continental dessa região, mas próximo daqui existem diversos picos, com um alto potencial de surfe. Primeiro exemplo seria os Molhes Leste, um pico criado pelo homem no começo do século passado, decorrente de uma das maiores obras de engenharia de todo o mundo, os molhes do Porto de Rio Grande, lá rolam direitas perfeitas em condições iguais, que mais lembram a famosa Jeffreys Bay. (foto 4) (foto 5).

Hermena - Foto 2

Navio atolado - Foto 3

O Molhes Leste fica um pouco acima do Cassino(menores latitudes). Ao descer essa praia gigantesca aumentando a latitude a coisa também melhora em relação as ondas. Nos deparamos com  o pico do Navio Altair(foto 3), que fica localizado a mais ou menos 14km do Balneário Cassino, a condição dos bancos arenosos se modifica muito em poucos kilômetros, o pico do Navio já possui melhores condições de onda, isso devido ao aumento da granulometria da praia nessa região e a estabilidade que o Navio encalhado proporciona aos bancos, é onde peguei as melhores ondas aqui do sul. Depois do Navio o pico mais conhecido é o famoso Hermena, Balneário do Hermenegildo, outro lugar onde dizem muitos rolam as melhores ondas de todo o Rio Grande do Sul, eu não me atrevo a dizer nada, única coisa é que já peguei altas por lá. (foto 2)

São José do Norte - Foto 4

Perfeição em São José do Norte

Perfeição em São José do Norte

Então no extremo sul mesmo, está a fronteira, começa o Uruguai, vulgo Urugas, ai sim o negócio muda completamente em relação as ondas, com beach breaks e point breaks que proporcionam ondas clássicas, sempre a espera de swells bons, que nesta costa toda recortada, o contrário do areião da costa do Rio Grande do Sul, incidem proporcionando direitas e esquerdas perfeitas em diversas praias. Para continuar falando sobre o Urugas eu teria que fazer um post apenas sobre o país, suas ondas e seu estilo roots de ser, pois tenho que falar sobre muitas mais coisas, o Uruguai sem sombra de dúvidas é um local que todos devem passar um tempo, país muito hospitaleiro, com allllltas ondas e interessante para se conhecer.

Direita tubular no Uruguai

Bom fico por aqui neste post, obrigado bate-volta e quem quiser minha baia ta aberta para qualquer um vir e visitar todos estes picos.

Abraços

Adriano Wiermann



Marketing + Surf Culture
janeiro 6, 2010, 8:43 am
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Universidade da Califórnia, Berkeley

Primeiro de tudo gostaria de agradecer pela oportunidade de escrever num blog que foi concebido por amigos e fala de surf! Show!

Neste período que vou ficar em Berkeley, gostaria de contribuir com relatos que de alguma forma possam ser úteis para aqueles que estejam viajando ou pretendam viajar por este mundão a fora. Assim, pretendo trazer dicas e/ou experiências resultantes da minha estadia nesta pequena cidade situada ao lado de São Francisco.

Além disso, sempre que me “deparar” de alguma forma com o surf – entendam “deparar” como desde ir para a praia até entrar numa surf shop – postarei todas “informações” resultantes destas experiências – entendam “informações” como desde fotos até percepções momentâneas.

Bom, sem mais blá blá blá, acho bastante pertinente começar com uma dica sobre o curso que estou fazendo aqui! Como o Felipe Baracchini mesmo disse, sou publicitário e pretendo me especializar um pouco mais na área de marketing. Assim, escolhi o IDP (International Diploma Program) para fazer esta especialização, que muito mais do que profissional será de grande importância para minha vida pessoal. Caso queiram maiores informações sobre os cursos do IDP ou sobre a UC Berkeley clique AQUI.

Por enquanto é isso! Até teria mais conteúdo para postar neste primeiro post, mas vou manter o compromisso de trazer textos mais curtos e práticos!

Aloha!
Marcelo “Murissoka”



E há exatamente 5 meses…
janeiro 5, 2010, 10:33 am
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Embalado no saudosismo embutido pelo Zé no último post, coincidentemente HOJE vi pela primeira vez essas fotos que foram tiradas em agosto passado, trazidas pelo editor da revista almasurf Adriano Vasconcellos.

O lance é que estávamos no último dia da trip, embriagados de vinho em Laguna Beach, a caminho do jantar em um restaurante japonês e posteriormente comemorar meu aniversário surpresa antecipado.

Quando finalmente encontramos uma vaga nas ruelas de Laguna, o Mau, um dos nossos colaboradores que também estava na barca, diz calmamente: acho que o Tom Carroll acabou de passar por aqui.

Eu que já estava ‘rodando’ suavemente no banco de trás do carro me senti como que numa vaca daqulas que você roda algumas vezes em Maresias e aos empurros e berros do ‘Vasco’, que queria sair de qualquer jeito, fui expulso do carro, e fomos em direção ao bi-campeão mundial do WCT.

Adriano Vasconcellos, Tom Carroll e Felipe Baracchini - Laguna Beach CA

Realmente era o cara… fiquei 50% sóbrio no momento, o que facilitou até a conversa. Poucos minutos depois, fotos, conversa fiada e trocas de cartões de visitas, fomos ao que interessa: mais álcool, comida japonesa e meu “bolo” surpresa de aniversário!

"Bolo" surpresa! Valeu Vascão, Mau e Keiko!

33 horas antes…

Não tem como ver essas fotos e não ficar com MUITA vontade de estar lá de novo.. em TRESTLES! Quem conhece, sabe que a placa no começo da estrada com as definições das bancadas e o trilho do trem são ícones que remetem a muita coisa boa (diga-se direitas e esquerdas, abrindo para tudo o que é lado). Quem não sabe do que eu estou falando, se tiver a oportunidade de conhecer esse lugar um dia com certeza vai se lembrar da placa, da estradinha e do trilho do trem…

No caminho do crime - Trestles CA

Detalhe das bancadas

Os trilhos do trem que passa em frente ao pico - Trestles CA

Após essa sessão (a última da trip) fomos levados para um típico “mexican food” da califórnia onde obviamente tomamos mais cerveja e nos acabamos com os pratos (bons e baratos) numa mesa de frente pra praia em San Clemente.

"mexican food" clássica da Califa - PCH San Clemente

Entradinha básica pra forrar o estômago - Natchos

Esse foi pra arrematar - Burritos

5 meses e 33 horas depois…

Há quase 1 mês sem surfar, posso dizer que já estou em crise e preciso com urgência de um bom swell pra tentar ficar mais calmo pelo menos até o fim do verão. Ouvi dizer que esse fim de semana teremos boas ondas em Maresias, especialmente no sábado. Se a previsão confirmar, com certeza alguns de nós estarão por lá…

Fechou?

Abraços

Felipe Baracchini

ps: fotos Adriano Vasconcellos