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publicado originalmente na revista Almasurf – Ed. Mai/Jul 2010
A alma do ‘errante’ nos sentimentos mais profundos do ser humano real. O reencontro do eu interior num mundo de grãos de areia e estrelas universais. O caminho puro de um par de chinelos…
Todos que entrevistaram ou conversaram com o surfista Rob Machado em sua recente passagem pelo Brasil – turnê de lançamento do filme The Drifter, de Taylor Steele, que mostra os caminhos e as buscas de Rob, onde o mesmo dedilhou em seu violão a trilha sonora de sua vida –, fizeram as mesmas perguntas. Os mesmos assuntos em cima das mesmas curiosidades comuns resultaram nas mesmas palavras da estrela principal do filme em que se intitula ‘O errante’.
Escolhendo o lado oposto do que todos numa dessas bifurcações da vida, eu estava convencido a descobrir a verdade: Quais são os mais profundos sentimentos que fizeram um dos maiores ícones do surf mundial desaparecer das competições, da mídia, dos amigos, e até da família?
E escolher um novo rumo…

Rob em Maresias - Foto Munir El Hage
Na chegada do até então ídolo pra mim, e continua sendo, fiquei encarregado de recepcionar Rob no aeroporto e levá-lo a Maresias, costa norte de São Paulo, para apresentar o The Drifter durante a semana do carnaval, que seria nosso ponto de partida para a turnê roots em algumas cidades do litoral brasileiro. O show acústico, como já disse acima, sonorizava ao vivo o bônus-track de um produto rotulado pelos mais românticos como uma vertente moderna de contracultura moderna… O que, na prática, de fato, para os eventos e para nós da Alma Surf / Hurley, sabia que realizar essa missão junto de uma sociedade ‘modelada’ pelo consumo, não seria tão fácil assim.
O lado operacional é de extrema importância, mas não tem muito segredo quando se tem trabalho. Basta planejar, produzir, e executar com honestidade. Porém, era o outro lado do meu cérebro que mais me preocupava.
Como se preparar mentalmente para viajar 10 dias com um australiano, fruto do casamento entre a Inglaterra e os Estados Unidos, que aos 4 anos de idade se mudou para a Califórnia – aliás, muitos pensam que ele a californiano –, e aos 16 venceu o badalado US Open em Huntington Beach, e que aos 21 já tinha dominado com perfeição os canudos de Banzai Pipeline, ocupando o posto de nº 2 do mundo – e que por um detalhe do ‘zen surfismo’ não foi o 1º – concreto aquático de seu talento e a sua posição de amigo, muito mais do que rival, do maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater.
Sim, era a chance de reter conteúdos, histórias e lições de vida de gente grande. Mas ao mesmo tempo, a oportunidade de descobrir qual foi o agente causador da ‘quebra’ do que seria a trajetória de um grande campeão do mundo. Sei o que é ter motivos para querer desaparecer – “e-x-i-s-t-ê-n-c-i-a” –, mas o que é preciso para que o ‘surf zen’ atual buscasse sumir do mapa ou encontrar-se no neste mesmo desenho? Rob machado. Frustração? Raiva de algo? Angústia? Tristeza? Indolência? Na história, ninguém faz ou fará o que ele fez à toa.
Logo no primeiro contato – “Hi Rob. I’m Felipe, The Lamb, you are welcome…” – no estacionamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Cumbica, percebi que não resolveria essa questão com apenas uma pergunta. Algo dizia que era preciso analisar cada detalhe na construção das peças de um complexo quebra-cabeça. Se você pensa que o Rob é um ser livre das convenções, um profeta, não se iluda. Ele é uma pessoa preparada e hábil, um produto para ser consumido pelas grandes massas, pela parte inteligente dela. Sabe o que dizer e o que responder e fazer, conhecimento angariado para lidar com a fama e ainda se diverte com perguntas insensatas.
“Não existem perguntas idiotas, tudo depende da sua ótica e percepção. É a chance de falar o que eu quero. Então, eu simplesmente não respondo a questão em si e falo mesmo do que tenho vontade e da onde que eu pretendo chegar, na vida pura no surf”, disse ele, Rob em uma de nossas conversas de brother.
Deitou na prancha, deu duas braçadas e dropou uma esquerda torta da praia Mole, em Florianópolis. Primeiro em uma direita perfeita em Maresias, como numa celebração realizada pelos presentes que n’água boiavam com suas pranchas. A imperfeição das ondas não limitou o volume de água deslocado… Não faltou estilo ou posicionamento, nas manobras que o crowd parou para ver de perto e agradecer aos céus, um a um, de serem surfistas, graças Deus.

Praia Mole, Florianópolis, SC
Alguns dias antes, por volta da uma da madrugada de uma terça-feira de carnaval, estávamos na Rodovia Rio-Santos, quando decidimos fazer uma parada em um posto de gasolina qualquer, a fim de enganar o sono e o cansaço com uma xícara de café e um croissant.
“Cara, olha o Rob Machado!”, balbuciou um moleque saudável e com pinta de surfista. “Não é possível! Será que é ele mesmo?”, falou mais alto o ‘irmão’ que estava na barca do feriado rumo ao mesmo litoral. Os dois garotos caminharam despretensiosamente rumo ao balcão em que estávamos. Aquele tradicional, parada obrigatória que todo mundo conhece quando se desce rumo ao litoral Norte de Sampa.
A figura cabeluda e lendária de Rob ficou amarradão. Trocou aperto de mãos e tirou fotos. Distribuiu autógrafos e fez questão de distribuir algumas camisetas e uma rápida troca de idéias na loja que aromaticamente misturava cheiros típicos brasileiros como café, milho e chocolate quente, além dos saborosos pães de batata que instiga qualquer um. Certamente demorou um tempo pra esses brothers entenderem o que tinha acontecido e, talvez para comemorar, compraram no caixa uma caixinha pequena com a energia de Bob Marley estampada na aba, mas daí pra frente não sei dizer mais os sentimentos e sensações deles, porque voltamos para a estrada.
Ao devolver os materiais promocionais para o bagageiro do carro, me dei conta de que tinha deixado para trás minha imperdível pasta com as passagens, reservas dos hotéis e o roteiro da viagem que passei horas elaborando para esse trabalho. Contudo fiquei tranqüilo, zen, senti uma vibração em que poucos momentos senti na vida. Estávamos acompanhados da vontade de ser livres e surfistas. E isso bastava. Sabíamos o necessário.
A primeira onda
Repare numa das primeiras ondas que aparece no The Drifter… Fiquei na cabeça com as palavras do amigo Nathan Myers – que inclusive foram publicadas na revista Hardcore, edição nº 237 –, colaborador do projeto que se materializou na Indonésia: “Rob desaparece dentro de um longo tubo num estilo super zen e permanece sumido muito além do inside, onde a bancada fica rasa demais para a maioria dos mortais. Ele reaparece e sai no último instante antes de ser trucidado pelos corais quase expostos”.
Todas as vezes que assisti ao filme fiquei preso com esta cena. Mas isso não foi o que mais me chamou a atenção. Contra a luz do sol, a imagem de uma pessoa flutuando na mesma linha do tubo atrasado no tempo. O que era pra ser o um elemento figurativo, sofreu quase que uma mutação para uma estrutura nuclear e surreal.
Em Balneário Camboriú, após a exibição do filme, Machado disse que gostaria de encontrar um grande amigo que estava há algumas quadras dali. Caminhamos desapercebidamente pelas ruas românticas do pico e encontramos o fotógrafo brasileiro Kalani Brito, o amigo de Rob.
Obviamente não segurei minha curiosidade e diante dessa oportunidade questionei como eles tinham se conhecido, visto a considerável diferença de idade, até de gerações entre os dois e da distância entre os universos, mesmo sabendo que para o surf não existem fronteiras.
“Conhecemos-nos há uns dois anos enquanto eu produzia este projeto na Indonésia. Você já reparou numa pessoa que está dentro d’água na primeira onda que aparece no filme? É esse cara aqui!”, disse Rob entre abraços verdadeiros. “Esse homem é um dos poucos que conheço que se colocariam naquela situação, e sem prancha”.

Kalani Brito e Rob Machado, Florianópolis
Eles ainda tinham muitos assuntos para conectar. Algumas rodadas de cervejas especiais e geladas foram uma ótima pedida e, na metade da jornada flagrei-me distante dali, pensando de outra maneira. ‘Ser uma figura da mídia pode ser muito legal, e pode ser legal também ser amigo desse cara. Mas, o que eu quero pra mim, para a minha passagem nesse plano, que abrangem muito do que só o surf, mesmo que ele seja imenso para o meu ser’. Confesso que o pré-conceito sobre essa classe de famosos já me corrompeu no que chamo de forma brega de ‘futilisismo’ – futilidade com narcisismo. Erroneamente ou não, acreditei que a maioria da minoria seria desse jeito, e que eu tinha a chance única de ser diferente e seguir meu caminho, pois somos almas únicas, cada um com sua aura, que inconscientemente já o fazia, e que, aliás, sempre o fiz.

Valter Vale da Hurley )(, Rob Machado e Felipe Baracchini: good shit!
Andava descalço há dias e nem me dava conta até o embarque para o Rio, em que me vi obrigado a comprar um par de chinelos. Percebi que ao lado de Rob, entre papos cabeças, meus e dele, já incorporava o espírito drifting e vice e versa para Rob na atmosfera brazilian lifestyle… Já não possuía mais meias e minha câmera fotográfica, inseparável até essa nova experiência, celular e notebook, e também lembrei com certa graças do meu antigo par de chinelos, que havia ganhado entre alguns presentes da formatura da faculdade alguns anos antes. Estava a essa altura me desprendendo…
Perambulando no sentido oposto ao mar em Copacabana para sentir a brisa, cruzamos com uma garota que acomodava entre os braços a curvatura plástica de uma fish retro model, quando um ruído ao fundo nos puxou de volta a realidade. Já não éramos, naquele instante, pessoas comuns, pelo menos o Rob. “Caraca! Não acredito no que eu estou vendo! Rob Machado bem aqui na minha frente neste calçadão carioca.”
Direcionando um olhar emocionado e agradecido aos céus, o shaper local do Arpoador, FULANO DE TAL, nos contou que num passado não tão distante sobreviveu a uma dura batalha contra um câncer. E que os filmes parte de Rob Machado fizera parte dessa cura, não só do corpo, mas do espírito. The September Sessions e Thicker Than Water lhe contaminaram com a força de vontade para seguir em frente e passar na repescagem de cabeça erguida, virando a bateria e ganhado a coroa da vitória no último tubo.
Rob era como um Deus para aquele humilde surfista, e foi presenteado como tal por isto. Além de uma reverência explicita e intimista sentida com feeling por Rob. O nosso novo amigo retribuiu a cura do espírito com duas impecáveis e lindas fish boards, que foram agregadas ao nosso volume de bagagem. Por puro acaso ou não, o shaper vitorioso e Rob Machado se encontraram com a mais pura inspiração de vida, e os dois se emocionaram. E eu também…
Muito forte nos sentimentos e, horas depois, flutuando sobre meu novo par de chinelos, avistei o shaper acenando um reservado ‘oi’, em meio ao público que se deslocou até o evento na Lagoa da Conceição.
Mais uma vez, alguns minutos antes da apresentação, o ‘Errante’ Rob Machado fechava seus olhos no meio da galera e do barulho e se ‘plugava’ a si mesmo. O que para os mais irracionais soava como uma desrespeitosa soneca, para mim, que já entendia ‘O Errante’ na essência, ecoava a imagem de um cara ‘amarradão’ numa viajem com os amigos pra dentro do ser, do ser ou não ser, na busca da compreensão do que estava acontecendo em torno da sua vida, e assim entender o todo.
Quando as coisas vão bem os dias passam como horas. Só me restavam apenas alguns instantes para desvendar esse ídolo ou aceitar que ele fez tudo isso porque não foi campeão do mundo, ou até por algum outro motivo da sua vida pessoal que eu nunca iria realmente saber.
A conversa das estrelas
“Tchau. The Animal!” (risos)… Disse Rob pra mim na despedida. Deixei o aeroporto introspectivo em meus pensamentos. Tinha acabado de fazer uma ‘surf’ trip com o Rob Machado, mas ainda não tinha a resposta que tanto procurava. E que tentava me contentar com a promessa do envio de um questionário por email.
“Bro, I’ll blow your mind!”, me dissera Rob no inicio da turnê em uma festa na praia com poucos e bons amigos, onde o ‘ídolo’ desafiou a minha sanidade mental. E, realmente alguns dos meus conceitos explodiram.
“Você está preparado para mudar a percepção da sua existência?”. E enterrou a mão na praia e ergueu um punhado cheio de areia fina e branca que transbordava como água.
“Quantos grãos de areia você acha que tenho em minhas mãos? Milhares? Ou quem sabe bilhões de grãos apenas nessa pequena área? Agora, olhe para o céu. Quantas estrelas você acha que está enxergando nesse momento? A astrofísica elabora uma fórmula quantitativa de grãos de areia na terra e… Sabe qual é a conclusão? Que existem mais estrelas em nosso universo do que grãos de areia no planeta Terra.” Ensinamentos…
É inevitável não confortar alguns milhões de grãos de areia na palma da mão olhando para as estrelas que dançam harmoniosamente no céu. Sabemos que existem estrelas gigantes… E isso explodiu minha mente sem contagem regressiva.
De um personagem fabricado e treinado para ser uma pessoa real, com plena noção da sua pequeneza e irrelevância, Rob Machado sabe que pode sumir por algum tempo que não fará tanta diferença assim no todo de que tanto falei nesse texto.
Nesses dias em que convivi com o até então ‘ídolo’, porque a partir de agora, pelo menos pra mim, Rob é uma pessoa comum, como eu e como você e como todos nós. Rob é um cara legal e comum, como escreveu o editor ALMA SURF dessa publicação, Adriano Vasconcellos – ALMA SURF, edição #55, Coluna de Cultura – “Rob Machado presenteia a si próprio com a oportunidade de se reinventar, e, mesmo sendo um errante, está no caminho certo, o da paz interior”.
E com o Rob Machado descobri como ele conseguiu habilmente lidar com a sua imagem. Embarquei nessa empreitada com o objetivo de desvendá-lo, mas foi aprendendo mais sobre mim mesmo que atingi o nível de consciência que eu buscava.
Descobri que cada um tem a sua razão para desaparecer. Aprendi com as estrelas e os grãos de areia que não temos noção da nossa insignificância até explodirem em nossa mente, nos dando a chance de se descobrir para a realidade.
Por Felipe Baracchini
Fotos Ricardo Alves e arquivo Hurley / The Drifter / Dustin Humphrey
Agradecimentos: Zé Lucas, peça fundamental na organização das minhas idéias pra escrever este texto!
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Greg Noll, o famoso ‘Da Bull’, lendário surfista de 72 anos desembarca no Brasa em Julho. O cara vem pro Festivalma mostrar os seus shapes retrô e contar as suas histórias lendárias do desbravamento de Waimea.
Fico muito feliz da organização do Festivalma abrir esse espaço para o old school surfing no evento. O Noll não é só um personagem incontornável na história do surf, o cara criou um gênero.
De um lado, inaugurou a era do surf em ondas gigantes, cuja estirpe ilustre agora ecoa em Laird Hamilton, Dave Kalama e outros q continuam empurrando os limites do big surf. Do outro, ele também é representante de um gênero ‘no frills’, de surfistas de pura boçalidade, braço, fôlego e coragem – e continua sendo a referência de muita gente que se recusa a aceitar a ajuda da tecnologia na hora de enfrentar o mar.
To empolgado pra conhecer o cara, e pra conhecer os longboards que ele agora faz com a receita original da década de 60.
Pra quem quiser mais detalhes e ver o que mais vai rolar nessa edição do evento, vale entrar no portal do Festivalma. Tb recomendo o twitter e o facebook que tão disparando atualizações non stop sobre o Festivalma.
Aloha
Zé
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Junto ao meu bom amigo Ovelha, vulgo Felipe Baracchini, eu consegui assistir The Drifter há mais de um mês atrás, até mesmo antes da pré-estréia mundial. Como um bom amante de cinema, e de surf, eu não podia deixar essa passar…Mas vendo antes da maioria ou não, The Drifter é um realmente um daqueles filmes imperdíveis, e merece ser visto na tela grade.
Rob Machado é um surfista especial, fora ou dentro do mercado ou da água, o que mais marca é sua simplicidade, e estilo inconfundível. O filme estrelado por ele, interpretando, bem, acho que ele mesmo, fala exatamente sobre isso, sair do familiar sozinho deixando o conforto de lado e ir atrás do desconhecido. Até aí, nenhuma novidade, buscar a “alma” tem sido o foco da maioria dos produtos relacionados ao surf, e surfistas que estão fora do tour e competições tem ganhado cada vez mais valor e atenção do mercado.
Muito além disso, The Drifter inova, constrói uma ficção quase documental sobre a fuga de Rob, podendo ser contemplada até mesmo por pessoas não familiarizadas com o Surf. Segundo o Diretor Taylor Steele, ele realmente passou muito tempo sozinho, até mesmo acampado longe da equipe em alguns momentos, viveu algumas das situações que depois foram reproduzidas e filmadas. A busca de Rob se inicia em Bali, onde percebe que ali a força do surf já virou produto e os line-ups e bangalôs já abarrotados criam uma atmosfera menos mágica do que se pensa sobre o lugar. Saindo de Bali, aluga uma moto para dirigir sem destino, com somente uma mochila com barracas e pranchas (ridiculamente pequenas). Vive sozinho, interagindo com os locais, onde, sem nada, se sente mais livre que nunca. O filme tem cenários incríveis, captando bem lugares da Indonésia desconhecidos. As cenas de Surf não são massantes e não são maior parte do filme, são poucas e intensas. Tubos e tubos em cima de uma minúscula 5’6 (ou algo bem perto disso) com trilhas sempre pertinentes. A produção é fantástica, fotografia impecável, qualidade de imagens de altissímo nível, já que o filme foi filmado em grande parte com as câmeras RED, uma das últimas tecnologias em câmera de cinema digital.
O diretor Taylor Steele começou pequeno, fazendo filmes de surf com baixissímos orçamentos, acreditando em caras que não eram os maiores (como o próprio Rob) e finalmente chegou aqui, onde Steele passa a ser um diretor de cinema, conseguindo parceria com a gigante Warner Bros, celebrando um dos maiores surfistas da atualidade e fazendo um ótimo produto, com surf como tema, mas mantendo o que ultimamente todo mundo quer ver, “soul surfing”.
Bom Feriado, abraço!
Mau
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Eu descobri que o surf é um bicho do tamanho desse planeta, que troca de pele e cérebro todo ano. Se vc quer ter uma imagem clara do que foi esse bicho em 2009, eu RECOMENDO MUITO que você assista todos os filmes (de surf) da mostra de cinema do Festiv’Alma . Esse foi um artigo que escrevi pra edição set/out da AlmaSurf , sobre a experiência de jurado no Festival Osklen de Cinema. Tks ao mestre Romeu Andreatta, Adriano VASCOncellos e ao meu irmão Felipe Barachinni.
Aloha! Zé Lucas
ARTE DO CONCEITO
Aqui na minha frente está, ou neste momento de leitura estava, o questionário do Festival Osklen de Cinema. Três páginas com algumas poucas e decisivas perguntas: “Em qual filme quebrou a melhor onda? Qual possui a melhor fotografia? A melhor trilha sonora? O melhor surfista?” E a definitiva: “Qual é o melhor filme de 2009?” (mais…)
Festival reúne atrações mundiais da cultura surfe
Maior e mais importante evento do país sobre este universo apresenta, de 2 a 4 de julho, em São Paulo, novidades das artes, cinema, música e moda. Entre os destaques estão exposição de fotos do havaiano Clark Little, apresentação da banda australiana The Beautiful Girls, um vídeo-áudio sobre o surfe e a Bossa Nova e 22 espaços-conceito de beachwear
Em sua sexta edição, o FestivAlma Surf acontece de 2 a 4 de julho, no pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, celebrando o amor. “O surfe como cultura de vida é, antes de tudo, uma atitude de amor com você mesmo e a natureza”, diz o empresário Romeu Andreatta, idealizador e fundador do festival, que este ano tem patrocínio da Skol, Volkswagen, Gol Linhas Aéreas, MorumbiShopping e AlmapBBDO. O tema, ‘Surf é amor’, permeará o evento por meio das obras, música, instalações e filmes.
A partir do trabalho de um time de importante curadores, que transitam pelo universo da moda, das artes, do cinema e da música, interados às tendências e novidades do segmento, o festival terá este ano atrações imperdíveis como o fotógrafo havaiano Clark Little, chamado de ‘o mago das ondas’, a banda australiana The Beautiful Girls, o rapper Marcelo D2, os shapers Pat Rawson e Erik Arakawa, premières de filmes que contam com a participação dos surfistas Kelly Slater e Andy Irons, galeria de artes e um vídeo-áudio sobre o surfe e a Bossa Nova.
Essas e muitas outras atrações estarão divididas em quatro áreas do Festival: o Salão Internacional do Surf, a Mostra Nixon da Arte e Cultura Surf, o Festival Osklen de Cinema e o Festival Billabong de Música. (mais…)
Fiquei pensando, pensando, e pensando: o que vou falar sobre o WCT Brasil? Só fiquei pensando, pensando e pensando, pq estive lá na Praia da Vila, em Imbituba, durante 9 dias, “acompanhando” todos os dias do evento. “Acompanhando” pq na real estive lá a trabalho, e não tinha tempo de assistir uma bateria inteira na maioria das vezes… A noite, quando voltava pro hotel depois do surf, checava na internet os resultados. Bizarro não? Isso pq eu estava lá, na cara do gol, com passagem livre para qualquer área do evento.

Praia da Vila, Imbituba - SC - Brasil
Tudo começou no domingo, dia 26 de outubro, quando desci no aeroporto de Florianópolis e logo me deparei com uma bag da FCS enorme, e do lado uma loira gostosona, fashion, com cara de “maria parafina” de atleta do WCT. Não deu outra. Logo em seguida apareceu o dono da BAG e da GATA. Era um dos HOBGOOD. Não consegui identificar qual deles, os caras são mto parecidos. Resolvi matar minha curiosidade e assim que tive a oportunidade troquei uma idéia com ele e descobri que era o DAMIEN. Foi super simpático, conversamos rapidamente e desejei boa sorte na Praia da Vila.
Nessa hora eu pensei: essa semaninha vai ser demais. E realmente foi uma puta trip a trabalho que deu pra surfar o suficiente pra matar a fissura do dia, uma média de 1h30 ou 2h nos melhores dias. Fui pela Alma Surf, montar uma instalação de pranchas, em parceria com a Nova Schin e a agência de eventos Loop. Acabei descolando um trampo de promoter/bar-man pro Mau, que chegaria no dia seguinte de busão.
Na terça-feira, dia 28, o campeonato começou com altas ondas, sol e muito trabalho. Fiquei o dia inteiro vendo aquelas ondas perfeitas e nada de conseguir surfar. Tinha 1,5m na série, abrindo, e a maior vontade de cair na água do mundo. desde domingo ainda não tinha tirado minha prancha da capa, e já estava ficando completamente louco. Quando acabmos nossos deveres, por volta das 18h33, corremos pro Hotel, finalmente tiramos as pranchas da capa, colocamos o john e saimos correndo em direção ao canal da Praia da Vila. Chegamos lá por volta das 19h, o tempo tinha fechado, e iria escurecer cedo.
Entrando no canal, olhei pro Mau e pensamos a mesma coisa: como é bom entrar num pico que a gente ainda não surfou. É como sair com uma gatinha pela primeira vez, sempre rola um frio na barriga. Ficamos simplesmente indignados com o canal…vc não precisa nem remar…é só entrar e sentar na prancha: Vc vai chegar no pico, sem o menor esforço. Tava um puta crowd, e não só um puta crows, um crowd de pró! Na água, Rodrigo Dorneles, Léo Neves, Taylor Knox, Mick Campbel, Simão Romão, Binho Nunes, dentre vários outros surfistas profissionais. A sorte, é q a VILA tem uma onda gringa, forte, que abre pros dois lados, e todo mundo consegue se dar bem! Saimos da água de noite praticamente, felizes da vida apenas por “estar ali”.
DAY OFF - Assim como toda boa etapa brasileira, tivemos dois dias cancelados consecutivos, por “falta de ondas”. Na real, foi por falta de público mesmo devido a chuva, pq estavam rolando altas ondas! 1 metrão, vento nordeste terral bombando, e a Vila funcionando mto bem! A parte boa disso tudo, foi que tivemos 2 dias mais relax, sem precisar trabalhar o tempo todo, portanto deu pra pegar mais do que 1h de onda! O segundo dia realmente estava ruim. Muita chuva, frio, e ningué, afim de surfar. Foi quando era 10h da manhã, resolvi colocar a borracha e ir pra praia sozinho. O mau ficou dormindo, e o resto da galera do hotel idem. Fui andando na chuva e no vento sul (maral) até o canal da praia da vila. Chegando lá, tinha apenas UMA pessoa na água, ondas tortas, mto vento, devia ter meio metro zuado de onda. É claro que eu entrei no mar. Quando cheguei no outside, vi que a única ALMA ali era o Mick Campbel, com seu cabelo esquisito. Não demorou muito e já lancei pra ele: What’s up mate? Not so good today ha? Na hora ele deu uma gargalhada, ai eu já pensei: lá vem ele falar mal das ondas do Brasil, e ele disse: Not so good man, but there is no corwd, just you and me! So I think it’s perfect! Tive que concordar com ele…estávamos surfando no palco de uma onda rota do WCT, sozinhos, isso era bom demais! Em seguida, entrou uma série e saimos remando pro fundo, qdo ele virou a prancha e começou a gritar GO GO GO GO! Era uma esquerda, balançando tudo, mas que com certeza ia abrir… Nessa hora remei com força e torci pra não fazer feio… Peguei a esquerda, dei duas rasgadinhas e sai amarradão, pensando: só essa valinha já valeu o esforço. Continuei por mais 1 hora e sai do mar. O aussie ficou lá sozinho mais uma vez, curtindo o “no crowd” dele.
G-LAND - Já no sábado, o sol voltou a bombar, as gatas começaram a desfilar na frente do palanque da Hang Loose e as ondas estavam demais! Água verde, terral, calor, e uma ressaca da porra! Tinhamos ido pro Mar Del Rosa na sexta feira, num esquema dos bons, camarote, bebida a vontade, van pra levar e buscar, tudo como deveria ser. Chegamos no hotel 6h da manhã, e as 7h levantamos pra mais um dia de trabalho. Chegando na área do evento, fiz a minha parte, levantei a instalação de pranchas, escrevi a sinopse do filme do dia (fizemos o IV Festival Internacional de Cinema da Bienal lá no SUL) e decidi voltar pro hotel e dormir até o meio dia, pois estava esgotado. Foi quando olhei bem pra direita, pro meio da praia, depois da ilha que fecha o PALCO dos surfistas, e vi um espumeiro quebrando…de repente, linhas perfeitas, e a espuma correndo bem devagar…Todo mundo fala que as ondas na vila só rolam entre a Ilha e a costa do canal, e que o resto da praia nunca rola nada. Foi quando perguntei pro Cabelo, um local que estava trabalhando lá tb, que onda era aquela. Ele disse: aquilo ali é o Castelinho funcionando, ou G-LAND se vc preferir… altas esquerdas, hoje deve estar perfeito! Puta merda, eu já estava com apenas 1h de sono, e de ressaca, e pensei: perdi essa. Fui pro hotel pra dar aquela descansada, mas o tal do CASTELINHO quebrava exatamente NA FRENTE do hotel. Olhei pro mar, vi um pequeno crowd, e as esquerdas funcionando. Não tive dúvidas. FUI SURFAR! Entrei na água e rapidamente já curei aquela “ressaca” deivido a água fria, mto fria! Realmente, fiquei chocado! Tinham ALTAS ONDAS, a maioria esquerda, mas tb umas direitas… Remei pro pico, e esperei a série… Ela veio, com um metrão, bem alinhada, e cada um do pico remava pra pegar a sua onda! Esperei a minha, e acho que sobrou a quarta onda da série pra mim. Remei com o sorriso escancarado no rosto e nem acreditei na onda perfeita que estava dropando. Não sei como tb até agora, mas dei 6 rasgadas e um cut-back logo na primeira. Depois peguei uma direita, e lá foram mais algumas rasgadas e outro cut-back. A onda era ignorante, não parava de abrir, era perfeita. Peguei mais algumas esquerdas e 1h depois, sai da água mais do que feliz, como se tivesse dormido 9h de sono non-stop. Caminhei pela praia dando gargalhadas sozinho, só agradecendo mais uma vez, por estar ali.
BEDE CAMPEÃO - No domingo o AUSSIE Bede Dubridge foi o campeão da etapa brasileira, o cara quebrou a vala simplesmente! Não via a hora do campeonato terminar para aproveitar aqueles 2m de onda que estavam rolando. Assim que o Bede desceu do pódium, corri pro canal e percebi que as coisas estvam um pouco diferentes. A correnteza do canal estava forte demais, em pouco tempo fui arremessado na zona de impacto, e depois de pegar a primeira onda do dia, comecei a tomar na cabeça. A opção foi sair, e voltar correndo pro canal, agora, mais esperto! Sabia que não podia ficar no “desemboque” do canal, senão iria tomar na cabeça de novo. Estava ali sozinho, esperando o Mau, Jotta e Marcellão da Loop entrarem no mar. Foi quando veio uma série, e dropei a segunda onda, uma direitona, abrindo tudo, e eu de 6’2, quando vi os 3 chegando no outside pelo canal, o jotta gritando o meu nome e o Mau mais feliz do que nunca. Sai da onda e na hora avisei: não fiquem aqui, remem pro fundo e fiquem perto ilha! Não adiantou nada, eles precisaram entender da maneira mais prática o que eu queria dizer! O Mau ainda conseguiu se dar bem, mas o JOTTA tomou várias, e depois foi inevitável dar umas boas risadas com ele contando “como se fudeu” naquela série gigante que varreu o crowd! Foi uma sessão de despedida da Vila, da semana do WCT e do tão sonhado trabalho na praia.
Ovelha
Artigo publicado na pg 140 da revista Alma Surf edição 46 – Especial Festival Alma Surf
A diversidade cultural é um ponto forte do Festival Alma Surf, mas especialmente este ano ela não parava de crescer. Confesso que me sentia como se estivesse naqueles dias em que o mar está enorme e você fica com os pés bem firmes na areia, sentindo o estrondo das ondas e aceitando a adrenalina tomar conta do seu corpo enquanto busca coragem e energia para ir em frente. Falar sobre essa diversidade é fascinante. Porém, assim como no surf de ondas grandes, entrar neste domínio requer muito respeito, ainda mais quando se trata de um evento surf que reuniu quase 20 mil pessoas em 4 dias, vindas de todos os lugares do Brasil e do mundo.
Durante os meses que antecederam o Festiv’Alma 2008, tive o intenso e prazeroso trabalho de pesquisar e contatar artistas, fotógrafos, músicos, colecionadores de carros, empresários, surfistas e shapers de todos os lugares, que, assim como nós, trabalharam muito para participar desse evento. Foram inúmeros e-mails e telefonemas para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia, Ceará e Pernambuco. Hawaii, França, Itália, Inglaterra, Austrália, Espanha, Irlanda, África do Sul, Chile, Argentina, México, Canadá e Estados Unidos, são apenas alguns DDIs que constaram em nossa conta de telefone.
Entre os dias 9 e 12 de julho de 2008, na Bienal do Ibirapuera em São Paulo, tive a oportunidade de materializar em pessoas esses contatos, que até então estavam sendo criados e manipulados em minha mente. Tão bom quanto entrar naquele mar grande e dropar logo a primeira bomba da série, é poder conferir de perto um solo expressivo de guitarra, apertar as mãos que deram vida à aquela obra de arte, manobrar um carro antigo, encarar o público. É maravilhoso poder tocar na réplica da prancha que riscou as paredes de Todos Santos no México, assistir a um filme do Festival Internacional de Cinema e se deparar com um dos atores sentado ao seu lado, olhar no fundo dos olhos daquele fotógrafo que deixou todo mundo ver o que só ele viu.
Assim como no surf, essa sensação é intensa e rápida. Quando você menos espera, a Bienal está vazia e você já lança para o primeiro que aparece na sua frente: “Você viu o show do Henry Kapono? E do Guru’s? As fotografias do Sebastian Rojas? As obras do Sandow Birk? E as do Jasar, então? O peixe-espada do Gilmar Pinna? O Fusca com teto solar original de 1965? As ampliações gigantes de ondas idem do fotógrafo Fred Pompermayer? Aquele onda do Burle? O Resende? Viu o filme Bustin’Down the Door? O Peter Townend? Os lounges do Salão do Surf? Você viu a Árvore Genealógica dos Shapers do Brasil? E a instalação do Arturo? Você viu? Viu? Viu?”
É inevitável. É humano. É surf. Só quem já esteve no outside sabe o quanto é bom remar em direção ao crowd e com um simples olhar indagar se alguém viu a sua onda. A resposta: “Whoohoo” com um sorriso escancarado no rosto. É perfeito. É o suficiente. É o reconhecimento espontâneo de muito trabalho, dedicação, esforço e paixão.
Mas, também como no surf, as ondas não param de quebrar nunca, e mais satisfatório ainda é sentir que o Festival não acontece em apenas 4, 10, 20, 30 dias, ele acontece o ano inteiro, dia após dia, e-mail após e-mail, contato após contato. Aliás, a Mostra do Surf já acontece há 5 anos, desde a primeira vez na Bienal, no mesmo Ibirapuera. E desde aquele dia, desde o primeiro e-mail, o evento só cresce, encorpa e ganha respeito e tradição. E agora, a VI Mostra do Surf já começou, o próximo Festiv’Alma já está badalado, e artistas, fotógrafos, diretores e a mídia em geral começam a nos procurar, todos querendo fazer parte desse movimento cultural proposto pela Alma Surf, que é o próprio viver do surf.
Costumo dizer que sou capaz de visualizar perfeitamente os lugares e as pessoas que realmente marcaram alguma passagem nessa vida. Não preciso de fotos nem de vídeos. Isso é ação criada pela emoção. Está tudo aqui. Basta fechar os olhos e começar a passear pela imensidão da Bienal, do Festival Alma Surf, lembrando cada detalhe, som, imagem, espaço, pessoas, cultura, idioma, sorriso, sensação, aprendizado. Certas vezes disseram que “recordar é viver”, portanto, vire e revire as páginas da revista Alma Surf e viva um dos maiores festivais de cultura surf do mundo. Seja bem-vindo. Você faz parte dessa festa.
Por FELIPE BARACCHINI
Para saber mais visite Festival Alma Surf 2008
Ovelha








