Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, Bmx, Felipe Siebert, Festival Alma Surf, Festivalma 2010, greg noll, Jay Adlers, John Butler Trio, Jon Swift, Keiko Beatie, Leroy Grannis, pipemasters, rob machado, Siebert Surfboards, Skate, Surf, The Melali Band
Uma lenda, um ídolo e um show que a muito queria ver. Essas eram as tônicas que alimentavam minha ansiedade pré Festivalma 2010.
Greg Noll dispensa comentários. Fez a alegria de muitos aficionados pela história e cultura do surf com muitos e muitos autógrafos: ALOHA! Greg Noll. Essa que é hoje, longe das morras de waimea e sem o tradicional shorts listrado desamarrado, sua marca registrada.
Tive a sorte de ser um dos primeiros da fila de autógrafos no noite de sábado e consegui garantir um skatinho irado da marca do greg (no valor dos EUA, tax free!) e ainda sua assinatura nele e em um livro de fotos de Leroy Grannis. Mission accomplished!
Rob Machado é um ídolo. Um cara que com um estilo inconfundível se mantém no mainstream do surf sem precisar competir para provar do que ele é capaz sobre uma (qualquer) prancha. Isso ele já fez quando ganhou o pipemasters de 2000, alguém duvida?
Sempre gostei do surf fluido do Rob e, desde Loose Change, épico filme de Taylor Steele, eu já identificava nele um dos estilos mais agradáveis de se ver. Sei que pra muitos é recíproco essa opinião.
Mas no festival Rob veio para mostrar seu lado musical. Não é mais um caso de surfista que se destaca musicalmente como Donavon ou Jack, mas ele se diverte sem a pretensão de ser estrela e isso basta. Talento mesmo ele deixou para seus amigos Jon Swift e Todd Hannigan, músicos de ofício que integram com outros músicos a Melali Band e embalaram o público na bienal com um surfmusic de qualidade com pitadas de folk, rock e seus derivados mais brandos. Muito gostoso de ouvir, seria melhor se estivessemos sentados na areia…
Ainda pouco conhecido no Brasil, mas já com vários adeptos por aqui, o grupo australiano John Butler Trio tem uma sonoridade de fácil aceitação entre o público jovem, mesclando rock e reggae com um delicioso violão de 12 cordas. O cara consegue tirar um som, um timbre daquele violão, que é digno de grandes músicos. Sério, o som das 12 cordas faz vc esquecer as vezes que é um violão e faz parecer uma guitarra com efeitos bem harmonizados. Muito bom mesmo.
Não lembro se conheci o John Butler Trio fuçando pela internet ou se um amigo me apresentou, mas o fato é que curto o som deles já tem uns 3 anos e sempre achei que o estilo tem tudo a ver com o Festival idealizado pela Alma Surf. Dito e feito, o show foi a grande atração do Festival de Música e lotou a Bienal. Meu destaque vai mesmo para a música instrumental “Ocean”, fueda!
Mas o festival trouxe gratas surpresas. Além de rever amigos, conheci um grande artista, Jay Adlers, que além de ter um trabalho inspirador é uma pessoa muito simpática. Vi de perto um verdadeiro objeto de desejo para o futuro (espero que não distante), as pranchas do Felipe Siebert. Um longboard de madeira que já namoro a algum tempo e pude atestar as fotos do site, são pranchas lindas mesmo. Belíssimo trabalho que conta também com skates estilosos para uma session no asfalto.
Fotos, obras de arte, filmes, livros, Skate e BMX e muitas pranchas preencheram a bienal em um evento que expõe muito bem a cultura surf.
abs
felipe
texto de Danillo Cardoso
Você deve estar achando que sou louco. Vou explicar. Você acha que o surf não é um esporte coletivo, mas é.
Sabe quando você diz que adora surfar uma praia deserta com seus amigos? Pois é, presta atenção no final da frase, “seus amigos”.
Nunca tinha parado pra pensar nisso mas depois desse último final de semana no mar pude sentir na pele o que é surfar sozinho. Literalmente sozinho. (mais…)
Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, Bate-volta, Guarujá, single fin, Surf, swell, swell de páscoa, tartaruga, Tombo
Terça-feira, 13 de abril. Apesar de um dos maiores swells de Sudeste de que se tem notícia ter passado pela costa bem no final de semana, só hj consegui uma brexa para descer a Serra e surfar o que restou de balanço. Foi bom por juntar os amigos e prestigiar a visita do Gui Wanna, que está amargando o flat e os tiburones da Flórida!
As coincidências que marcaram esse swell com o já lendário swell da páscoa de 2009 foram simétricas! Duas verdadeiras bombas históricas, acordando picos por todo o litoral de SP e RJ. As duas tiveram uma janela entre os dias 9 e 12 de abril, as duas bem na semana do meu casamento. Se ano passado estava no interior agilizando os últimos detalhes do casório, esse ano o trabalho e as comemorações de 1 ano conflitaram com a mega ondulação. Mas dessa vez não exitei em quebrar a fissura aos 45 do segundo tempo! Nesta manhã surfamos pequenas, porém boas valinhas no Tombo, com direito a nascer do sol, água quente, o oi da amiga tartaruga e pouco crowd! Pra quem estava a quase 1 mês sem surfar, valeu e muito!
A queda tb foi bem interessante pois tive a oportunidade de testar um pouco mais a 6’6 diamond tail single fin do Di. Um shape diferente, larga e bojuda, mas que andou bem nas valinhas e deu pra ter uma idéia de como uma single fin se comporta! Recomendo o teste!
O bate foi bom, reuniu os amigos e a single fin funcionou. Só espero que em 2011 o swell do ano não acerte o dia 11 de abril novamente!
Abs!
felipe
Filed under: Surf | Etiquetas: 7'0'', 9'0'', 9'33', amigos, carnaval, longboard, Peru, prancha, single fin, Surf, viagem
Post rápido pra contar as novidades antes da segunda metade da barca rumo ao Peru partir.
As pranchas ficaram prontas sexta feira, na data limite. Nem vai dar muito tempo para “curar”, mas vai assim mesmo. Elas ficaram lindas, 3 pranchas ao todo, 7’0, 9’0 e 9’3”. Duas do zé e uma minha. Olhem o resultado do trabalho que começou em nov/2009…
- 9’33” single fin – nova paixão
- O ponto alto, o concave do bico
- Green Bamboo 7′ pés do Zé
- Retrô painting style
É isso, amanhã estaremos no Luisfer Surf Camp, na frente de La Isla pra quem sabe estreiar alguma dessas tablas! ¡Arriba el Peru! Y saludos a todos para um carnaval muito feliz!
boa noite…
Felipe
Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, longboard, Peru, Punta Hermosa, Surf

No carnaval os autores desse blog estarão viajando. Pra buscar inspiração, ou pauta, ou experiência — ou nada além de surfe — duas barcas felizes estão nos últimos preparativos, e vão sair em direção ao Oceano Pacífico nesse feriado. Uma parte rumo ao litoral do Peru, em busca das longas ondas de Punta Hermosa, com cada integrante munido do seu respectivo longboard tinindo de novo, além de algumas guns retrô e fishes.

Outra barca vai fazer uma aventura rodoviária até o Chile pra enfrentar água gelada e ondas grandes. Uma simetria meridional que vai narrar duas histórias da mesma ondulação, que já está programada pra atingir com força as costas do Pacífico no feriado e trazer altas ondas!
Muita onda, história pra contar e alegria pra nois!
Que Deus e Netuno abençoem todos os nossos rumos.
Zé
Filed under: Surf | Etiquetas: 9'3', 9'33', amigos, Bing Surfboards, concave, Daddy D, Daniel Aranha, diamond tail, longboard, noserider, presente de aniversário, shape, surfworks
Do bloco toma forma com tecnologia o shape bruto; tamanho, outline, rocker e flutuação em um lindo e branco bloco de isopor. Se não fosse desta maneira ia ser muito mais demorado. Achar a prancha em um bloco bruto além de tempo, precisa de experiência – coisas que não temos no momento. Pois então, está em trabalho de parto desde a semana passada o DDL 933 – ou simplesmente – meu presente de aniversário!!!
(o começo dessa história está aqui)
E não tinha como ser melhor; ganhar um presente onde além de pensar como ele vai ser, poder contribuir para que ele se torne real. Depois de dias de desencontros finalmente entramos na sala de shape da SurfWorks, marca do talentoso shaper, vizinho e amigo Daniel Aranha, logo ali, atravessando a rua de casa! Dia 27, última quarta-feira de janeiro, lá pelas 8 da noite começamos a discutir, Diego e eu, sobre como faríamos o caimento das bordas… Para deixar a experiência bem interessante para nós, o Daniel ficou do lado de fora só olhando e fotografando. Ajudava só quando era solicitado. O Di já tinha tinha feito a Malibu, uma 10’4’’ old school muito style pelo processo mais trabalhoso, a partir do bloco bruto, e por isso já sabia das etapas que deveriam ser cumpridas bem como o uso das ferramentas. Fizemos as marcações de meio e outros pontos de referência e dá-lhe pó branco no chão…
Quando você termina um lado e começa o outro sente e valoriza ainda mais o trabalho dos caras que fizeram todas as suas outras pranchas. Salvo a facilidade e agilidade que as máquinas modernas possibilitam, todo shaper passou por esse desafio de equilíbrio, harmonia e perfeccionismo. Contar as vezes que você desbasta o bloco ajuda, mas é no olho, na luz, contraste e nuances do relevo do bloco a sobre tudo na “pegada” que são minimizadas as diferenças. From the top to the bottom, a borda tem seu formato definido. Daí pro bico as linhas suavemente se alteram, sem começo nem fim, mas uma transição continua e novamente difícil de se igualar entre as metades. Daí vem o que considero como o diferencial, o ponto alto, o detalhe extraído das clássicas noseriders da principal fonte de inspiração para essa prancha: bing surfboards , o concave!
Nesse ponto não teve jeito, pedimos a ajuda do Daniel pra evitar erros. Alguns minutos discutindo tamanho e forma do concave e começamos a desgastar o bloco de tal maneira que dava até dó, tinha momentos em que parecia que o nariz ia quebrar ou que a mão ia atravessar o shape! Mas essa era a proposta, fazer um concave agressivo. Se vai funcionar ou não, verdadeiramente não sei dizer, mas só testando pra descobrir. Alguns erros e pesadas de mão depois decidimos que aquele era o suficiente, se não me falhe a memoria este concave tem quase uns 2 cm de profundidade…
Depois era a vez da rabeta, cortar as pontas para achar a Diamond, lixar as bordas e depois o fundo para dar o V que uma prancha deste tamanho precisa. Suave mas presente, o V bottom foi o último detalhe que faltava para deixar a prancha como eu queria. Daí foi alinhar pequenos detalhes identificados pelo Daniel e depois com a lixa fina dar o acabamento final no bloco. Pronto! A prancha ganha sua forma definitiva. Foi uma experiência “du caralho”, que ganha um sabor ainda mais especial pois a primeira queda dela será em águas peruanas durante o carnaval!
E não posso deixar de registrar aqui meu êxtase por conta da previsão que acabo de receber do LD Surf enquanto escrevo este post. Como o verão está desanimador nessa última semana em termos de ondulações para o litoral de São Paulo, eles resolveram adiantar o que espera os brasileiros que vão trocar os blocos de carnaval pelas linhas intermináveis do litoral peruano: nenhum swell com menos de 16 segundos de período, alguns chegando aos 20”. Vai dar altas e a adrena já tá batendo!
Shape, layout, logo Daddy D, previsão muito positiva para a estréia… só mais uma semaninha e mostro o resultado final dessa 9’3’’ single fin diamond tail noserider! Muito obrigado Daniel e Diego, foi uma experiência memorável e tenho certeza que iremos sentar no outside para dividir ondas e pranchas!
Grande abraço,
Felipe
Há 5 anos muitos dos autores desse blog ja pegavam onda juntos. Tava organizando os meus arquivos e achei essa foto engraçada. Decidi postá-la em nome da nostalgia. Um mico de vez em qdo até q faz bem.
Olha lá, tudo mundo com cara de criança, e alguns quilos a menos!
Que 2010 e os anos seguintes continuem nos dando boas ondas juntos! Saúde!
Zé
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Novos Colaboradores - Adriano Wiermann e Marcelo Bréscia
Feliz 2010 a todos!
Inauguramos o 1º dia útil do ano comunicando a inclusão de dois grandes amigos e agora novos colaboradores do Bate-Volta.com.
Marcelo Bréscia, publicitário, 26 anos, decidiu fazer uma pós-graduação na Universidade de Berkeley na Califórnia, irá relatar o que está acontecendo pela região de San Francisco até a sua volta ao Brasil. Seu foco no surf é a fotografia, já colaborou em algumas matérias da revista almasurf e expôs seu trabalho no FestivAlma Surf 2008. Embarcou ontem para os EUA e provavelmente no final da semana poderemos ter notícias de lá.

Marcelo Bréscia, colaborador de Berkeley na Califórnia
Adriano Wiermann, 22, está no 4º ano de Oceanologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Praia do Cassino. Além das curiosidades sobre a região do Rio Grande e das famosas direitas do Uruguai (que fica logo ali, há menos de 2h de carro da sua casa), vai abordar também assuntos teóricos sobre formação de ondas, ventos, tábua das marés, granometria e tudo aquilo que a maioria dos surfistas não entende de forma aprofundada! E queremos entender ainda mais obviamente.

Adriano Wiermann - teorias e informações sobre o oceano
Bem-vindos e aguardaremos o 1º post de vocês o quanto antes!
Um abraço e um ótimo novo ciclo à todos!
Felipe Baracchini
Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, contra-cultura, cultura, Skate, Surf, Thomas Campbell
Recentemente fiquei sabendo do blog do surfista Dane Reynolds. O Dane é um dos surfistas que eu mais admiro ultimamente, tem uma atitude “foda-se” muito diferente da maioria dos caras que se matam para ganhar e aparecer no tour. É low profile apesar de toda a expectativa que se tem sobre o surf dele, e além de tudo surfa como ninguém, unindo tantos estilos que fica difícil de dizer a qual escola pertence se não a mais interessante e inovadora já vista no surf de competição. Mas seu blog mostra que, além disso, tem outros talentos, tira boas fotos, faz filminhos interessantes, e tem referências peculiares.
Há algum tempo, surfistas passam a ser respeitados não só pela sua habilidade em domar massas de água, por se colocar em situações de risco. Jack Jonhson acho que foi um dos primeiros a aparecer na grande mídia como surfista, mas fazendo música e filmes, ambos de muita qualidade. Depois dele lançou-se uma tendência, de surfistas com conteúdo. Muitos apareceram, apesar de estarem sempre ativos como surfistas: Tom Curren é um guitarrista incrível, Ozzie Wright mostra seu estilo tosco nos desenhos e pinturas, os Malloys são documentáristas e filmakers, Tim Curran está lançando uma carreira de músico solo, assim como já fez Donavon Frankenreiter e por aí vamos, a lista cresce. Não é de hoje que os esportistas migram de uma carreira para outra. No skate percebo a mesma coisa: skatistas profissionais fazem marcas como steve Alba, viram atores como Jason Lee, músicos como Tommy Guerrero. Será que depois de ser pago para fazer o que mais se ama, perde-se o encanto? Será só uma questão de evolução, ou simplesmente mudança de ares?
Nada disso. Na verdade creio que todos nascem com um talento para se expressar artisticamente, mas descobrem ou desenvolvem este dom com o tempo. O que mais me interessa nisso tudo é que geralmente eles não desapontam, todos os citados são bons no que fazem. Aliás, muito bons. Não podemos estimar que isso se deve à quantidade de contatos ou à exposição num ambiente extremamente criativo, envolto de contatos essenciais para uma carreira artística. Talvez isso somente acelere o processo. O esporte, qualquer que seja, ensina muito sobre disciplina e a convivência em sociedade e, no caso do surf e skate, ensina uma expressão pessoal única, uma éspecie de polimento de estilo que poderia ser aplicada em diversos outros casos, diferentes de qualquer outro esporte. São esportes praticados por jovens, e se tornam a expressão de jovens, assim como o rock, este, uma importantissíma expressão que quase sempre vai contra os princípios da sociedade, pois é repleta de rebeldia. Quem frequenta shows de rock, festivais, sabe muito bem do que eu estou falando.
Quando você tem a possibilidade de fazer viagens ao redor do mundo, em lugares que são destinos comuns para surfistas, mas completamente estranhos para 90% do resto da população não-surfista, vagando por cidades e explorando pedaços de concreto, é fácil falar que você está pensando e vivendo diferente da maioria da população. Ao invés de prestar atenção nos carros e nas vitrines, a cabeça fica presa a sua constante evolução de estilo, um refinamento quase sem fim. Com isso, tudo além fica borrado. Eu penso: a maioria das coisas fica sem graça depois que você pula uma escada de 10 degraus sem cair e arrebentar os dentes, ou fica em pé numa onda de 2 metros (a descida geralmente tem o dobro disso) que quebra sobre poucos centímentros de pedras sólidas num deserto estranho longe de seu país, ou pinta uma parede enorme, sabendo de todos os riscos, entre eles ser esculachado, pintado e até preso pela polícia. Essas atividades são cada vez mais desafiadoras. Completá-las, sobretudo, cada vez com mais estilo e perfeição, torna-se uma obsessão, evolução é sempre o objetivo.
A busca pelos meios de expressão e a pela evolução se dá digerindo documentos, fotos, trilhas e filmes de indíviduos mais evoluídos, que dominam a fina arte de se expressar sobre um prancha e os que documentam de uma forma sensível e expressiva. Esses são uma espécie de material de estudo para sua ciência do esporte, que toma conta e controla sua vida. A partir daí, fica fácil entender a quantidade de envolvidos neste ambiente, filmes de surf e skate, marcas de roupas, fotógrafos, trilhas sonoras, e ainda um mercado para tudo isso, uma demanda de material de estudo, composta pelos menos experientes e ávidos por mais imagens que aceleram o coração, inspiram.
Cria-se uma contra-cultura, que não nasce nas salas de aula, faculdades, enciclopédias. Cresce na rua, no mar, indo pra escola, voltando da praia, tocando com os amigos, reunindo bandas e fazendo eventos independentes. Nasce a partir de uma vivência, dedicação e sobretudo um estilo de vida, que geralmente não condiz com os padrões impostos pela sociedade e não consome os produtos anunciados pela publicidade. Ali, os apaixonados praticantes, que na maioria são adolescentes, alunos do fundão, pouco interessados no estudo que não tiram o fone de ouvido e não param de desenhar nas carteiras, têm finalmente a chance de mostrar seu outro lado, de talento e habilidade.
Recentemente (mas não tanto) uma mostra de arte que reuniu nomes do skate, surf, grafitti, música e tudo mais que se aprendeu na vivência de fazer o que mais se gosta, foi aplaudida de pé pela crítica de arte mundial, e promoveu para o grande público alguns velhos conhecidos de quem sempre assistiu clipes, filmes de surf, skate e grafitti. Entre eles, Ed Templeton, Spike Jonze, Harmony Korine e Thomas Campbell. Esta mostra saiu da California, cresceu e viajou o mundo, virou filme e ainda promove os integrantes cada vez mais.
Mas ainda é difícil pra mim explicar o que eu quero da vida quando só penso em surfar, andar de skate e desenhar, ao invés de procurar um emprego comum de 10 horas por dia num escritório sem janelas. O que eu realmente recomendo; é mais fácil comprar um livro do Kelly Slater, trabalhar num emprego desestimulante e surfar de vez enquando só para se sentir menos morto.
http://www.beautifullosers.com/
http://www.marinelayerproductions.com/
Abs
Mau
Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, aprendizado, Bate-volta, felicidade, vida

Num desses jantares onde a gte acaba falando da vida, conversando com o Di batemos numa tradução certeira desse tempo que estamos vivendo. “A gente se define na fronteira”. A nossa co-existência em dois lugares, dois estados de espírito, dois universos pra onde ir e de onde escapar, é o que parece nos definir de forma mais característica. É um tipo de co-presença especial, sem matizes, sempre em transição, sem tirar a mão da chave “on/off”.
A cabeça e o corpo nunca parecem estar no mesmo lugar. Se estamos aqui, já estamos sonhando com lá. Quando chegamos lá, já descobrimos que precisaremos voltar pra cá. Ou pra contar a história, ou porque sacamos que não pertencemos ao mundo do lá, ou do aqui. Pertencemos à transição. Fugir é o ato de transformar a prisão de agora no refúgio pra onde retornaremos amanhã. É um processamento que fazemos por dentro.
Acho q na verdade essa transformação é a razão da fuga-retorno. Precisamos dela pra renovar o olhar sobre aquilo que deixamos do outro lado da fronteira. É mudando de lugar que gte muda o significado do ponto de partida e de destino. É a periódica lavagem das calçadas.
Trazendo as coisas mais pra esse planeta: acho que de tanto falarmos em “fazer” bate-volta, acabamos construindo um aprendizado, de que na verdade “somos” bate-volta. (mais…)






























