Minha resolução de ano novo dessa vez veio de um jeito diferente.
Nunca deixei de repreender os “meio-surfistas” e “meio-velejadores”. Os caras compram tudo do bom e do melhor, prancha, quilha, capa, lycra e o kct, mas cair no mar que é bom… Talvez por eu ter medo seguir o mesmo destino, de envelhecer no sofá assistindo TV ou no corredor do shopping, ou pela solidão de não ter os brothers na água, a verdade é que sempre fiquei puto com quem não mostrava compromisso com a parada. Sobretudo no wind que é a minha prioridade já faz alguns anos (sim, assumo que já recusei vários bate-volta).
E tem um grupo de cristos que são o meu alvo preferencial. Puta cara teimoso que sou. Tento e tento tirar esse povo da inércia. Nunca deixei de encher o saco dos meus amigos. É email, sms, telefonema, sinal de fumaça, faço de tudo pra tentar despertar a vontade. “A previsão tá irada, vai ser um dia foda, vamo lá!” E olha: com o passar do tempo descobri que só faço isso com quem considero amigo de verdade. Nunca me resignei com o status “meio” velejador ou “tipo” surfista desses caras (eles sabem quem são). Correr atrás de frente fria? Sair do quentinho pra pegar chuva? Acordar de madrugada? Carregar, montar e desmontar equipamento? Trocar o certo da mina na balada pelo duvidoso do windguru? Com essas condições, um passeio no shopping pra eles rapidamente começava a não parecer tão mico assim. É até compreensível, razoável. (mais…)
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Tudo bem, a gente é aquele bicho escapista. Não suporta a cidade. Vive contrariado com a nossa condição. Não dá pra trabalhar de verdade na praia. Não dá pra viver de verdade na cidade. A modernidade ‘pesa’ pra gente. Os compromissos. A agenda. As metas. Horários. Expectativa. Prazos. Produtividade. Ambição.
Correr à praia sempre que possível é o remédio ideal, certo?
Errado. Ou, pelo menos, não necessariamente. (mais…)



