Filed under: Surf | Etiquetas: aeroporto, arte, avião, bate, Bate-volta, batevolta, california, polícia, Surf, surf art, vôo, viagem
Depois de vários dias de atraso, muito trabalho e finais de semana NÃO surfados, finalmente cheguei onde queria estar. No congestionamento da marginal Tietê.Parece estranho, mas sempre que tenho alguma viagem pra fora do Brasa marcada, fico pensando: “não vejo a hora de estar parado na marginal a caminho do aeroporto”. O normal seria pensar mais à frente, em chegar no destino final, ou qualquer outra coisa, mas é sempre a marginal e o trânsito. Não sei ao certo o por quê desse desejo, mas aos poucos estou concluindo que, morando em uma cidade como São Paulo, onde normalmente enfrento 2h diárias de trânsito (na melhor das hipóteses), aquele momento a caminho do aeroporto chega a ser o melhor trânsito que posso enfrentar ever, pq eu vou viajar porra! O que não deixa de ser um tipo de sequela mental de quem mora em São Paulo, ou efeito colateral da vida-loca que levamos aqui.
Depois de muito refletir, cheguei a conclusão óbvia de que preciso viajar mais, pelo menos 1 vez por mês. Muito fácil. Mas ai pensei mais e mais, e pensei mais um pouco até que cheguei na seguinte reflexão: se uma viagem é capaz de mudar meu estado de espírito, mesmo num trânsito da porra, sob chuva, rio Tietê esbanjando seu odor letal, e caminhões que parecem se multiplicar em mitose e meiose desordenada, peraí, eu consigo viver melhor em São Paulo, mesmo pegando trânsito todos os dias! É só enganar o meu cérebro, e ele faz o resto.
- Do you want something to drink sir?
- Yes! I’d like a beer please!
Pronto, o trânsito passou rápido, e lá estava eu voando pra Califórnia. Como num piscar de olhos.
Esse ano tive a oportunidade de visitar a califa duas vezes a trabalho, o que por um lado é sensacional, e por outro não. As viagens são curtas, e a responsabilidade pode ser assustadora, pois você tem uma missão a cumprir, e a falha tem que ser descartada. Só sei que nas duas vezes eu pensei: cara, preciso voltar pra cá, mas de férias, sem nextel, sem email, e sem missões.
Pra vocês entenderem um pouquinho melhor, vamos voltar ao avião, um boeing 777 da American que voava de São Paulo pra Dallas, no Texas. No compartimento de cargas, uma caixa enorme de madeira, contendo 16 obras de arte surf, dos mais renomados artistas dos EUA, e no meu colo, uma folha de papel para estrangeiros, uma caneta BIC, e uma quantia bem alta de dólares sendo preenchida na lacuna “bens a declarar”.

Uma das obras de arte que estava na caixa
Depois de umas 10h de poltronas estreitas, e um pouco de tensão com o desmaio de uma passageira em pleno vôo, entrei na fila onde todos desejam a mesma coisa: o carimbo de ADMIT.
Como estava carregando as obras de arte, sob um processo de importação temporária, sabia que poderia tomar uma canseira na hora de falar com o oficial da alfândega, que se quiser, te manda de volta pro avião sem problema algum. Fui o primeiro, e meus outros dois amigos ficaram apenas observando. Depois de algumas perguntas, um deles já tinha conseguido o carimbo, e passou por mim. Depois de algumas caras feiras, e mais perguntas, o outro, também conseguiu o tal carimbo, passou por mim, e ali perto ficou me esperando. Mão no telefone, e reforços a caminho. Quando o segundo oficial estava chegando pra me fazer mais algumas perguntas, ele simplesmente olhou pro meu amigo, e em tom de ordem, disse: GO!
É, pensei, mais pessoas VÃO com VISA! Era um sinal…
ADMIT! Espremido, mas saiu…

Aeroporto internacional de Dallas Forth Worth - Huge
Agora era só pegar o avião pra Los Angeles, ou não. Resolveram abrir a caixa e revistar as minhas coisas. Nessa hora o Mau e o Vasco já tinham seguido pro portão de embarque. A caixa, tinha 12 parafusos fechados com pistola na tampa, pra dificultar mesmo, e tentar vencer pela preguiça o sujeito que quisesse abrir a caixa. Quando me disseram que não tinham a tal pistola pra desparafusar, pensei, estou liberado. Mas não é que o cara me saca um canivete do bolso e resolve girar parafuso por parafuso, e depois tirar obra por obra com a maior tranquilidade, conversava comigo e tentava entender por que diabos eu levaria uma caixa daquelas pro Brasil…
Minutos depois, o local de Newport Beach (como ele foi parar no aeroporto de Dallas?) se mostra satisfeito com a inspeção e torce novamente os parafusos no sentido oposto. Foi quando ele olhou no relógio, depois pro meu cartão de embarque, e finalmente pra mim com um sorriso no rosto, e disse:
- Sir, I guess you missed your flight! NEXT!
Nessa hora eu só imaginava meus dois amigos sentados na janela do avião, tomando alguma coisa e comentando entre eles sobre os campos de baseball, as freeways, e que eu tinha me fodido pelo jeito.
O próximo vôo pra LAX não deveria demorar muito, mas o problema é que já tínhamos um esquema de traslado direto pra San Clemente, e esse meu atraso ia complicar um pouco as coisas. Segui em direção ao portão C23 e no meio da muvuca, lá no fim do corredor, avistei dois sujeitos pedindo informação, que me imbutiram aquela sensação “do I know you bro?”
Amigos são assim, se você perde o vôo, eles também perdem.
Um abraço
Felipe Baracchini
(Ovelha)
* continue a leitura em breve no post: SoCal 3 – The Gueto
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Salve amigos do bate-volta.com!
Sábado tive um dia dos mais inusitados, como há muito não vivenciava: bate-volta na represa de Guarapiranga!
Os planos iniciais eram de ir pra Maresias pra surfar as merrecas no canto e voltar no sábado mesmo para, que novidade, trabalhar! Mas a mudança de planos foi das mais proveitosas, com um dia magnífico de sol, pouca gente na água, pouco vento na raia do 3º lago e um por do sol fantástico!
Rolou uma session irada de wake, que há muito – uns 3 ou 4 anos, não fazia. Teve até uma brincadera nova pra mim, o wakeskate. Muito style e divertido, apesar de parecido é uma outra perspectiva, um outro esporte quase, pois além das bordas não serem tão, digamos, bem acabadas como numa prancha de wake e a ausência das canaletas, as quilhas são bem pequenas só pra dar uma estabilizada mesmo. Pra quem surfa entender a diferença que eu senti, apesar de nunca ter me aventurado com as hoje populares Alaias, penso que deve ser mais ou menos a mesma coisa pois a ausência da resistência das quilhas, fundo e bordas tornam o rolê muito interessante. Ainda sim rolou me arriscar a voar, e ai o loko é que a queda vc não tem uma prancha preza nos pés. Garanti algumas rizadas dos que viram o rola.
A represa é um lugar bonito, principalmente nas margens próximas ao Templo da Igreja Messianica (salvo engano) prá lá do Clube de Campo São Paulo, com áreas de floresta nativa e densa que resistiram a ocupação ilegal e desordenada, ao menos por enquanto. Ali você até esquece que está em São Paulo, pois é uma região onde não se pode ver o skyline dos prédios da zona sul. No entanto os efeitos da cidade são agressivos e facilmente percebidos por quem navega por ali. A água é densa, se é que me entendem. Jamais caiam de boca aberta e um banho depois é fundamental. Mas ainda acho que vale o bate. Wake, wind, kite, vela ou stand-up paddle. Não importa a forma, vivenciar um dia na represa ainda é uma ótima saída pra galera de São Paulo!
Deixo o meu muito obrigado ao Betão pela incrível e inesquecível session!!!
Falow
Felipe Barros
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Newport Beach, no swell que atingiu a califa na última semana de agosto. Imagem publicada no surfline.com
O Sul da Califórnia sem dúvida é um lugar onde surfistas, skatistas, ou amantes da beach culture precisam conhecer. Recém-chegado de uma viagem a trabalho, logo no começo da semana me deparo com esta matéria publicada pelo SURFLINE.COM, que com certeza me fez relembrar os momentos mágicos que presenciei na SoCal (South California). Na verdade, simples momentos, mas com uma essência muito apelativa no que se diz respeito o lifestyle que o surf criou pelo mundo. Por exemplo, quando eu, meu amigo MAU, e o Editor da Revista Alma Surf, Adriano Vasconcellos, estávamos de bobeira nos arredores de Laguna Beach, subindo uma das ladeiras que te levam até a praia, passaram por nós um grupo de skatistas, deslizando pelas ruas em zig-zag com aqueles skates pequenos e estreitos, um estilo simplesmente autêntico, ou como disse um deles que ficou apenas observando, “gnarly style”. Foi como se eu tivesse nas cenas do filme LORDS OF DOG TOWN…

Cena do filme Lords of Dog Town - "Gnarly Style"
Na verdade, acho que a palavra que fica na boca de qualquer um que vai pra califa a primeira vez é STOKED! Tudo é muito surf… e o skate, é mais surf ainda…isso é que é muito louco. É comum você cruzar com vários skatistas andando com suas pranchas de surf embaixo do braço. Ou seriam surfistas com o skate embaixo dos pés? Mais uma vez, STOKED…ou como diria o Mau, esses caras sabem viver bem. E Muito bem!
Esse post SoCal – Intro é apenas o primeiro de quantos forem necessários eu escrever pra tentar passar a vocês tudo o que rolou nessa viagem pra california, e pra dentro de mim mesmo…
keep reading on “SoCal – you missed your flight” - comming soon
Ovelha
Foi quebrada uma sequência de 5 ou 6 semanas de bates. Muito boa aliás; não me recordo de mesma constância de oportunidades pra descer e previsões que nos mantiveram otimistas pra pegar aquele mar que sempre sonhamos – sempre acordados, claro. Foi quebrado também uma ausência de posts meus no blog. É verdade que não tenho saco pra ficar alimentando conteúdo na internet o tempo todo, mas assim como também é que eu já estava com saudades de escrever e que muitas e muitas “pautas”, algumas até interessantes eu acredito, se perderam no dia e no tempo.
Nesse período teve de tudo: puro glass, maral, terral, sol com frio, calor sem sol, crowd, outside vazio, 1, 2, 3, 4 e 5 amigos, solo, fish, gun, a do dia-a-dia, saida na madruga, chegada no dia anterior, equipe de reportagem interessados na nossa “rotina”, tubo, manobra, só a linha, acelerar, atrasar, vacas, muitas vacas, trânsito na volta, estrada livre, a costumera depressão na chega a SP, e por último e mais importante, a constante presença e benção daquela tartaruga que aparece e faz abrir o sorriso. Todos foram bons, mas o último foi especial. Fui sozinho. Roots. E que começo de semana foi aquela passada. Sem mais adeptos já que o primeiro fds de agosto veio com sol e boas ondas para os amigos que desceram e o assalariado aqui ficou trabalhando sábado e domingo, o bate era mais que necessário, foi essencial. A previsão já dava a dica que a ondulação ia segurar, e por mais que as cobertas estavam mais que convidativas, lá fui eu acordar antes mesmo do despertador tocar. Poucos minutos passados das 4 da madruga e os passarinhos com o canto incessante anunciavam mais um dia, pra mim, não um dia qualquer. O barulho constante da cidade, aquele zumm que cresce durante o dia e diminue durante a noite, mas não pára nunca, parecia pra mim o barulho do mar naqueles dias que o estrondo das ondas gela a barriga. Gostoso incômodo. Mas a fantasia do som do mar acaba quando ligo o carro pra contribuir com o zumm. A caminho do mar, só precisava dar aquela passadinha rápida pra pegar minha prancha e meus leashes na portaria do prédio do amigo. Fácil, se o brother não tivesse ido pra balada em pleno domingo e esquecido de deixar a prancha no jeito com o porteiro. Conversa vai com o porteiro desavisado, algumas caixas-postais e vem a informação que meu amigo chegara não tinha mais que 33 minutos. É, a balada foi boa mesmo! Mas os passarinhos já tinham anunciado o dia, consegui falar e mais 5 minutos a prancha desce. O posto foi o último obstáculo antes da estrada, tanque cheio e vejo que já são 5 da manhã. “Caralho, ainda to em pinheiros!’ penso. Zumm e 6:02 estava freiando o carro no primeiro farol do Guarú. Bem-vindos. Obrigado.
O dia ainda não era dia, dava tempo de conferir o pico de sempre e escolher, mas minha vontade era mesmo de cair ali no centro. Fazia tempo que não pegava onda ali. Fui e voltei, tempo certo pra dar a primeira clareada. Mas o dia era das nuvens. Agilizo de parar o carro no prédio do amigo que nunca vai – desperdício! – e depois de acordar o porteiro, gente finíssima, consigo pisar na areia por volta das 6 e 20. Nossa, quanto tempo, quantos rodeios, quanta grosselha pra chegar até aqui, ali, na areia, vista mar, praia cinza e vazia. Frio. Mas pra que serve os 20% de gordura? nada de john. A poética imagem da praia vazia, dos prédios tapa sol, da ilha, da árvore da ilha estava completa: 4 pés sólidos tubulares, clean conditions, nada além de uma brisa insignificante, eu e minha fish. Agradeço, agradeço (continuo agradecendo até hj é verdade) e entro. O resto é até previsível, não fosse o peculiar fato de eu ter surfado por mais de uma hora solo, sozinho, all alone, sem ninguém pra dividir. Ao menos pra mim é verdade, quando o dia é bom, e vc surfa sozinho, existe a vontade de dividir aquilo tudo, mesmo que com um desconhecido que não troque um só palavra.
Surfei bastante, corri esquerdas, dropei poucas direitas, mas as esquerdas…. no começo era hora do bottom e encaixar, atrasar um pouco e ficar ali na porta – é, sempre digo que se soubesse surfar dava pra tirar alguns tubos…rs. Mas depois da maré mudar um pouco o shape vieram aquelas só pra acelerar, fazer a linha o mais suáve e rápido possível, esquerdas fortes, pra morrer dentro em muitas…. foi demais. Um puta sessão de surf. Mas nem tudo é tão lindo quanto parece e tenho que ser coeso com a realidade. É Guarujá, a maioria das ondas fechava no inside e o que acordava qualquer sonhador como eu era o cheiro, a fétida água marrom do lugar, isso sim encomodava e diminuia a beleza do dia que os passarinhos anunciaram. Mas sou da corrente positiva; prefiro o olhar sonhador de grande parte de meu relato, das boas ondas surfadas e mais uma vez, do sorriso aberto ao ver mais uma vez ela, aquela tartaruga.
Abs,
Felipe Barros
Para quem não viu ainda. Nos fizemos parte de uma matéria sobre lazer com o Fabricio Battaglini no programa Mais você.
Tá aí.
O bate-volta de terça foi diferente. Não foi realmente para surfar. Nós até surfamos, mas o real objetivo foi para pegar as novas pranchas que encomendamos com um brother lá do sul. As pranchas estavam no Guarujá desde quarta-feira passada esperando pela nossa chegada, infelizmente não conseguimos ir buscar no feriado, porém fizemos um bate pra resolver a situação.
Como os outros surfistas iam demorar muito para descer na segunda à noite eu acabei indo mais cedo sozinho mesmo. Cheguei lá por volta das 22h e assim que aterrissei meus pés no tombo recebi uma ligação do Ovelha. Se fosse um bate normal a primeira coisa que ele iria perguntar era se o mar estava bom, se tinha muito vento, se estava frio e por aí vai. Mas a pergunta dele foi: “Como estão as pranchinhas?”
As pranchas ficaram iradas. Acabamos indo dormir quase 1h porque ficamos muito tempo apreciando as nossas novas conquistas. Ter uma prancha nova é uma experiência interessante.
Como o mar estava muito mexido e grande, nem decidimos estrear nossas novas fishes. Não ia valer a pena. Fish é uma prancha para um mar menor e com quatro quilhas ela dá velocidade que uma prancha normal não consegue em uma marolinha.
Agora é só esperar o fim de semana para ter a oportunidade fazer a primeira queda com a nossa nova aquisição.
Abs
Gui+Salgado
YES WE CAN
Foi com esse espírito que partimos para o guaru na terça a noite, dia da eleição dos EUA. Já eram quase 23h30 e eu ainda estava em casa jogando vídeo-game esperando os outros surfistas do bate-volta. Nesse horário já devíamos estar dormindo no Guarujá e eu já estava aguardando há um bom tempo. Chegou ao ponto de eu pegar o cel para ligar e cancelar, mas YES WE CAN. Não podia cancelar, o bate-volta é sagrado.
Finalmente eles apareceram e fui de Sampa non-spot até a minha cama no guaru. Chegamos por volta das 1h am e pelas contas dormiríamos no máximo 4h33. Muito pouco para agüentar o surf e o dia inteiro de trabalho. YES WE CAN. YES WE CAN. (mais…)
Altas, sem vento, pouca gente, mar lisinho, sem correnteza, ondas abrindo. Esse é, resumido, a descrição do bate de hoje. E para quem não surfa em um mar bom há algum tempo, valeu a pena e muito.
No dia anterior rolou uma discussãozinha de quem iria pro bate e quem ficaria “descansando” em sampa. O pessoal do descanso tinha se moido de surfar na baleia no último domingo e a galera que ia pro bate não conseguia surfar direito fazia tempo. É claro que, apesar da falta dos descansados no bate, o que nao faltou foi incentivo dos mesmos.
“Quero mais é q vcs sintam um pouco do q eu senti ontem…a série vindo com 1.5m metrão, terral bombando, ai vc escolhe se quer ir pra direita ou esquerda….decidi ir pra direita, rema tranquilo, dropa atrasado sem ver mta coisa por causa do spray do lip que o vento fazia, da aquela cavada lá embaixo, sobe aquele paredão e solta uma rasgada bem no olho da onda…incrivelmente ela continua abrindo, vc fa outro dropao, cava e solta um cut-back…a onda continua abrindo, mas da uma engordada…vc acelera pra conectar com o inside, e qdo ve, tá dropando 1 metrinho de onda no inside, bem cavadinho e com um tubinho rodando…” diz Ovelha
Depois de ler isso, nao restava outra dúvida a não ser quer horas vamos sair.
gui+salgado
Bate-volta é assim, só dá pra saber se vai valer a pena amanhecendo no pico. E olha que pra mim, valer a pena, ainda é relativo. Tudo é possível, a previsão errar, positiva ou negativamente (as vezes é muito melhor que o esperado), a maré estar no pico errado, o vento atrapalhar tudo, enfim, como qualquer sessão de surfe as variáveis são muitas. Mas em um bate-volta, as chances de algo dar errado e o surfe estar comprometido é ainda maior por a janela ser pequena para a “quedinha”.
Terça-feira, 23 de setembro, praia do tombo, 1 metro com maiores. A previsão indicava swell de sul, vento sul fraco no início da manhã, algo em torno de 8 nós. Primeiro dia da Primavera, frio, e quando despertamos pouco antes das 6 o dia já era dia. Bom saber, no próximo bate já da pra cair na água umas 5:40!
O line-up era incerto… séries constantes, direitas que nem sempre abriam, mas algumas linhas persistiam até o inside. E o melhor, ninguém no outside, nem na praia. O fator negativo: a visível correnteza que fazia o inside parecer uma mutidão querendo entrar na pista de um grande show de rock no Morumbi. Uns diziam, vamos pra pitangueras, a maioria disse, não, vamos cair aqui mesmo.
Enquanto alongávamos, um local apareceu e entrou bem no canal (inexistente) no cantão direito. Entramos lá tb, e quase 10 minuto depois aparecemos no outside já no meio da praia. Por um momento achei que nem iria passar, mas deu. A correnteza realmente estava demais, nunca havia caido no tombo naquelas condições. As ondas nem estavam tão grandes e fortes, porém as séries constantes aliado a correnteza insana dificultou e muito as primeiras braçadas. Já lá fora o time teve a primeira baixa, um já desistira e voltara para areia. Como o surfe não está tão em dia e a remada anda fraca, não é motivo de vergonha perder para a arrebenta em um dia como aquele.
Lá fora a correnteza deu uma trégua e conseguimos ficar mais tranquilos. Ainda assim estava muito difícil se posicionar, séries inconstantes, a maioria fechando, e o pior, elas viam gordas e cheguei a me arrepender por nnao ter um fun naquela hora. Os primeiros minutos se foram com apenas uma tentativa sem sucesso de entrar na onda, mas a gorda não me deixou. A situação persistiu pelos próximos 30, 40, 50 minutos… Até que finalmente veio ela, uma direita bem formada da série, com uma parede que sugeriria uma bela corrida em direção ao inside. Nessa hora mais um de nós já tinha saído da água. Remo com força, levanto no time certo, desço meio reto com calma, já pensando, aproveite essa pq o mar hj não está bom. Ao chegar na base e começar o botton aquela broxada…. cadê a onda? e aquela parede? pra onde foi tudo aquilo? Nem o “mata barata” me salva. A onda engorda, eu afundo, a série explode na minha cabeça. É isso, lá se foi minha direita, minha sessão de surfe, meus anseios de fazer a cabeça no primeiro dia da primavera. Já no inside depois de frustrado só me restou mirar o bico pra areia e sair agradecendo. Agradecendo? Claro, pra mim só de ter a oportunidade de acordar na praia numa terça qualquer, perdão, qualquer não, no primeiro dia da primavera de 2008, cair na aguá, remar e dividir o outside com meus amigos e sempre companheiros de bate já é algo mágico, diferente, saudável, FANTÁSTICO! (essa foi pro morongo). Por mais que só dropei uma pra sair, já valeu a pena. Sempre vale. Agradeço sempre a oportunidade do santo bate, que me anima, revigora e motiva a seguir em frente a vida em São Paulo.
Abraço.
Felipe Barros

Segunda, 22, às 23h33 chegamos no Guarujá para mais uma session de surf na terça de manhã antes do trabalho. A primeira sensação ao ver o mar no escuro foi que ia ter uma valinha que valia a pena. O vento estava fraco e dava para escutar algumas ondas quebrando no outside. Pensei comigo “alguma coisa vai rolar”. Contudo, pelas previsões já sabíamos que não ia ser o melhor dia de surf . Descemos mesmo porque era o único dia que todos estávamos disponíveis.
Terça, 23, às 5h45, já acordei e a primeira coisa que fiz foi ir ver o mar. (mais…)














