Bate-Volta – chegar, surfar e voltar.


Drifter
novembro 19, 2009, 1:10 pm
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Junto ao meu bom amigo Ovelha, vulgo Felipe Baracchini, eu consegui assistir The Drifter há mais de um mês atrás, até mesmo antes da pré-estréia mundial. Como um bom amante de cinema, e de surf, eu não podia deixar essa passar…Mas vendo antes da maioria ou não, The Drifter é um realmente um daqueles filmes imperdíveis, e merece ser visto na tela grade.

Rob Machado é um surfista especial, fora ou dentro do mercado ou da água, o que mais marca é sua simplicidade, e estilo inconfundível. O filme estrelado por ele, interpretando, bem, acho que ele mesmo, fala exatamente sobre isso, sair do familiar sozinho deixando o conforto de lado e ir atrás do desconhecido. Até aí, nenhuma novidade, buscar a “alma” tem sido o foco da maioria dos produtos relacionados ao surf, e surfistas que estão fora do tour e competições tem ganhado cada vez mais valor e atenção do mercado.

Muito além disso, The Drifter inova, constrói uma ficção quase documental sobre a fuga de Rob, podendo ser contemplada até mesmo por pessoas não familiarizadas com o Surf. Segundo o Diretor Taylor Steele, ele realmente passou muito tempo sozinho, até mesmo acampado longe da equipe em alguns momentos, viveu algumas das situações que depois foram reproduzidas e filmadas. A busca de Rob se inicia em Bali, onde percebe que ali a força do surf já virou produto e os line-ups e bangalôs já abarrotados criam uma atmosfera menos mágica do que se pensa sobre o lugar. Saindo de Bali, aluga uma moto para dirigir sem destino, com somente uma mochila com barracas e pranchas (ridiculamente pequenas). Vive sozinho, interagindo com os locais, onde, sem nada, se sente mais livre que nunca. O filme tem cenários incríveis, captando bem lugares da Indonésia desconhecidos. As cenas de Surf não são massantes e não são maior parte do filme, são poucas e intensas. Tubos e tubos em cima de uma minúscula 5’6 (ou algo bem perto disso) com trilhas sempre pertinentes. A produção é fantástica, fotografia impecável, qualidade de imagens de altissímo nível, já que o filme foi filmado em grande parte com as câmeras RED, uma das últimas tecnologias em câmera de cinema digital.

O diretor Taylor Steele começou pequeno, fazendo filmes de surf com baixissímos orçamentos, acreditando em caras que não eram os maiores (como o próprio Rob) e finalmente chegou aqui, onde Steele passa a ser um diretor de cinema, conseguindo parceria com a gigante Warner Bros, celebrando um dos maiores surfistas da atualidade e fazendo um ótimo produto, com surf como tema, mas mantendo o que ultimamente todo mundo quer ver, “soul surfing”.

Bom Feriado, abraço!
Mau

Vasconcellos, Machado, Ovelha, Mau (eu).

Vasconcellos, Machado, Ovelha, Mau.



A arte de perder.
novembro 5, 2009, 7:46 pm
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Recentemente fiquei sabendo do blog do surfista Dane Reynolds. O Dane é um dos surfistas que eu mais admiro ultimamente, tem uma atitude “foda-se” muito diferente da maioria dos caras que se matam para ganhar e aparecer no tour. É low profile apesar de toda a expectativa que se tem sobre o surf dele, e além de tudo surfa como ninguém, unindo tantos estilos que fica difícil de dizer a qual escola pertence se não a mais interessante e inovadora já vista no surf de competição. Mas seu blog mostra que, além disso, tem outros talentos, tira boas fotos, faz filminhos interessantes, e tem referências peculiares.

Há algum tempo, surfistas passam a ser respeitados não só pela sua habilidade em domar massas de água, por se colocar em situações de risco. Jack Jonhson acho que foi um dos primeiros a aparecer na grande mídia como surfista, mas fazendo música e filmes, ambos de muita qualidade. Depois dele lançou-se uma tendência, de surfistas com conteúdo. Muitos apareceram, apesar de estarem sempre ativos como surfistas: Tom Curren é um guitarrista incrível, Ozzie Wright mostra seu estilo tosco nos desenhos e pinturas, os Malloys são documentáristas e filmakers, Tim Curran está lançando uma carreira de músico solo, assim como já fez Donavon Frankenreiter e por aí vamos, a lista cresce. Não é de hoje que os esportistas migram de uma carreira para outra. No skate percebo a mesma coisa: skatistas profissionais fazem marcas como steve Alba, viram atores como Jason Lee, músicos como Tommy Guerrero. Será que depois de ser pago para fazer o que mais se ama, perde-se o encanto? Será só uma questão de evolução, ou simplesmente mudança de ares?

Nada disso. Na verdade creio que todos nascem com um talento para se expressar artisticamente, mas descobrem ou desenvolvem este dom com o tempo. O que mais me interessa nisso tudo é que geralmente eles não desapontam, todos os citados são bons no que fazem. Aliás, muito bons. Não podemos estimar que isso se deve à quantidade de contatos ou à exposição num ambiente extremamente criativo, envolto de contatos essenciais para uma carreira artística. Talvez isso somente acelere o processo. O esporte, qualquer que seja, ensina muito sobre disciplina e a convivência em sociedade e, no caso do surf e skate, ensina uma expressão pessoal única, uma éspecie de polimento de estilo que poderia ser aplicada em diversos outros casos, diferentes de qualquer outro esporte. São esportes praticados por jovens, e se tornam a expressão de jovens, assim como o rock, este, uma importantissíma expressão que quase sempre vai contra os princípios da sociedade, pois é repleta de rebeldia. Quem frequenta shows de rock, festivais, sabe muito bem do que eu estou falando.

Quando você tem a possibilidade de fazer viagens ao redor do mundo, em lugares que são destinos comuns para surfistas, mas completamente estranhos para 90% do resto da população não-surfista, vagando por cidades e explorando pedaços de concreto, é fácil falar que você está pensando e vivendo diferente da maioria da população. Ao invés de prestar atenção nos carros e nas vitrines, a cabeça fica presa a sua constante evolução de estilo, um refinamento quase sem fim. Com isso, tudo além fica borrado. Eu penso: a maioria das coisas fica sem graça depois que você pula uma escada de 10 degraus sem cair e arrebentar os dentes, ou fica em pé numa onda de 2 metros (a descida geralmente tem o dobro disso) que quebra sobre poucos centímentros de pedras sólidas num deserto estranho longe de seu país, ou pinta uma parede enorme, sabendo de todos os riscos, entre eles ser esculachado, pintado e até preso pela polícia. Essas atividades são cada vez mais desafiadoras. Completá-las, sobretudo, cada vez com mais estilo e perfeição, torna-se uma obsessão, evolução é sempre o objetivo.

A busca pelos meios de expressão e a pela evolução se dá digerindo documentos, fotos, trilhas e filmes de indíviduos mais evoluídos, que dominam a fina arte de se expressar sobre um prancha e os que documentam de uma forma sensível e expressiva. Esses são uma espécie de material de estudo para sua ciência do esporte, que toma conta e controla sua vida. A partir daí, fica fácil entender a quantidade de envolvidos neste ambiente, filmes de surf e skate, marcas de roupas, fotógrafos, trilhas sonoras, e ainda um mercado para tudo isso, uma demanda de material de estudo, composta pelos menos experientes e ávidos por mais imagens que aceleram o coração, inspiram.

Cria-se uma contra-cultura, que não nasce nas salas de aula, faculdades, enciclopédias. Cresce na rua, no mar, indo pra escola, voltando da praia, tocando com os amigos, reunindo bandas e fazendo eventos independentes. Nasce a partir de uma vivência, dedicação e sobretudo um estilo de vida, que geralmente não condiz com os padrões impostos pela sociedade e não consome os produtos anunciados pela publicidade. Ali, os apaixonados praticantes, que na maioria são adolescentes, alunos do fundão, pouco interessados no estudo que não tiram o fone de ouvido e não param de desenhar nas carteiras, têm finalmente a chance de mostrar seu outro lado, de talento e habilidade.

Recentemente (mas não tanto) uma mostra de arte que reuniu nomes do skate, surf, grafitti, música e tudo mais que se aprendeu na vivência de fazer o que mais se gosta, foi aplaudida de pé pela crítica de arte mundial, e promoveu para o grande público alguns velhos conhecidos de quem sempre assistiu clipes, filmes de surf, skate e grafitti. Entre eles, Ed Templeton, Spike Jonze, Harmony Korine e Thomas Campbell. Esta mostra saiu da California, cresceu e viajou o mundo, virou filme e ainda promove os integrantes cada vez mais.

Mas ainda é difícil pra mim explicar o que eu quero da vida quando só penso em surfar, andar de skate e desenhar, ao invés de procurar um emprego comum de 10 horas por dia num escritório sem janelas. O que eu realmente recomendo; é mais fácil comprar um livro do Kelly Slater, trabalhar num emprego desestimulante e surfar de vez enquando só para se sentir menos morto.

http://www.beautifullosers.com/

http://www.marinelayerproductions.com/

Abs

Mau

 

 



Sean Davey profile
maio 9, 2009, 1:51 am
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É difícil julgar ou comparar fotógrafos, mas seria muito injusto não classificar Sean Davey como um dos melhores fotógrafos de surfe da atualidade. Nessa entrevista fala um pouco da sua carreira e algumas histórias nos vários anos (quase 30) trabalhando como fotógrafo de surf.

Trigger Happy – Sean Davey Profile from Tim Bonython Productions on Vimeo.

Mais sobre Seandavey

Abraço e bom fim de semana!

Mau



Ben Howard
maio 6, 2009, 11:28 am
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Very cool young brit surfer, makes nice folk-rock music. Organic, innocent harmonies and acustic songs will teleport you to your favorite surf spot.

http://www.myspace.com/benjaminjohnhoward

Boas Ondas



Destruição Criativa
março 10, 2009, 5:14 pm
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offshore2

Estou vendo Sprout pela milésima vez,  e com o computador no colo comecei a pesquisar na net alguns surfistas. Um dos caras bem interessantes do filme é californiano Alex Knoost. Inclusive tem um extra dele no Sprout bem legal. O cara é um puta noserider e fun surfer com qualquer equipamento. O cara é meio Freak meio Underground e meio Estranho tb. Para mim ele é um exemplo claro que a cultura surf esta novamente se reinventando, uma coisa meio Schumpeter mesmo, de destruição criativa.

Depois do boom de surfistas que nós tivemos nos últimos 20 anos no mundo e no Brasil também, acho q o nosso grupo se cansou de nós mesmos. Quando eu comecei a surfar, ainda existia um certo preconceito com os surfistas e isso era uma coisa boa. Éramos os outsiders, nos vestíamos diferente, falávamos uma língua estranha e tinha gente que achava que éramos perigosos e alguns de nós eram! Tinha um puta orgulho disso do alto dos meus 14 anos de idade! Eu tinha a minha identidade. Eu era um surfista! Tinha uma tia que achava um horror. (mais…)



Jeff Canham
janeiro 9, 2009, 10:14 am
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13_surfsup

Artista gráfico muito legal, transita no universo do surf e faz trabalhos alucinantes…

www.jeffcanham.com



Tsunami cultural
setembro 19, 2008, 2:22 pm
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Artigo publicado na pg 140 da revista Alma Surf edição 46 – Especial Festival Alma Surf

Todos os direitos reservados à Revista Alma Surf - Edição 46 de 2008

A diversidade cultural é um ponto forte do Festival Alma Surf, mas especialmente este ano ela não parava de crescer. Confesso que me sentia como se estivesse naqueles dias em que o mar está enorme e você fica com os pés bem firmes na areia, sentindo o estrondo das ondas e aceitando a adrenalina tomar conta do seu corpo enquanto busca coragem e energia para ir em frente. Falar sobre essa diversidade é fascinante. Porém, assim como no surf de ondas grandes, entrar neste domínio requer muito respeito, ainda mais quando se trata de um evento surf que reuniu quase 20 mil pessoas em 4 dias, vindas de todos os lugares do Brasil e do mundo.

Durante os meses que antecederam o Festiv’Alma 2008, tive o intenso e prazeroso trabalho de pesquisar e contatar artistas, fotógrafos, músicos, colecionadores de carros, empresários, surfistas e shapers de todos os lugares, que, assim como nós, trabalharam muito para participar desse evento. Foram inúmeros e-mails e telefonemas para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia, Ceará e Pernambuco. Hawaii, França, Itália, Inglaterra, Austrália, Espanha, Irlanda, África do Sul, Chile, Argentina, México, Canadá e Estados Unidos, são apenas alguns DDIs que constaram em nossa conta de telefone.

Entre os dias 9 e 12 de julho de 2008, na Bienal do Ibirapuera em São Paulo, tive a oportunidade de materializar em pessoas esses contatos, que até então estavam sendo criados e manipulados em minha mente. Tão bom quanto entrar naquele mar grande e dropar logo a primeira bomba da série, é poder conferir de perto um solo expressivo de guitarra, apertar as mãos que deram vida à aquela obra de arte, manobrar um carro antigo, encarar o público. É maravilhoso poder tocar na réplica da prancha que riscou as paredes de Todos Santos no México, assistir a um filme do Festival Internacional de Cinema e se deparar com um dos atores sentado ao seu lado, olhar no fundo dos olhos daquele fotógrafo que deixou todo mundo ver o que só ele viu. 

Assim como no surf, essa sensação é intensa e rápida. Quando você menos espera, a Bienal está vazia e você já lança para o primeiro que aparece na sua frente: “Você viu o show do Henry Kapono? E do Guru’s? As fotografias do Sebastian Rojas? As obras do Sandow Birk? E as do Jasar, então? O peixe-espada do Gilmar Pinna? O Fusca com teto solar original de 1965? As ampliações gigantes de ondas idem do fotógrafo Fred Pompermayer? Aquele onda do Burle? O Resende? Viu o filme Bustin’Down the Door? O Peter Townend? Os lounges do Salão do Surf? Você viu a Árvore Genealógica dos Shapers do Brasil? E a instalação do Arturo? Você viu? Viu? Viu?”

É inevitável. É humano. É surf. Só quem já esteve no outside sabe o quanto é bom remar em direção ao crowd e com um simples olhar indagar se alguém viu a sua onda. A resposta: “Whoohoo” com um sorriso escancarado no rosto. É perfeito. É o suficiente. É o reconhecimento espontâneo de muito trabalho, dedicação, esforço e paixão. 

Mas, também como no surf, as ondas não param de quebrar nunca, e mais satisfatório ainda é sentir que o Festival não acontece em apenas 4, 10, 20, 30 dias, ele acontece o ano inteiro, dia após dia, e-mail após e-mail, contato após contato. Aliás, a Mostra do Surf já acontece há 5 anos, desde a primeira vez na Bienal, no mesmo Ibirapuera. E desde aquele dia, desde o primeiro e-mail, o evento só cresce, encorpa e ganha respeito e tradição. E agora, a VI Mostra do Surf já começou, o próximo Festiv’Alma já está badalado, e artistas, fotógrafos, diretores e a mídia em geral começam a nos procurar, todos querendo fazer parte desse movimento cultural proposto pela Alma Surf, que é o próprio viver do surf.

Costumo dizer que sou capaz de visualizar perfeitamente os lugares e as pessoas que realmente marcaram alguma passagem nessa vida. Não preciso de fotos nem de vídeos. Isso é ação criada pela emoção. Está tudo aqui. Basta fechar os olhos e começar a passear pela imensidão da Bienal, do Festival Alma Surf, lembrando cada detalhe, som, imagem, espaço, pessoas, cultura, idioma, sorriso, sensação, aprendizado. Certas vezes disseram que “recordar é viver”, portanto, vire e revire as páginas da revista Alma Surf e viva um dos maiores festivais de cultura surf do mundo. Seja bem-vindo. Você faz parte dessa festa.

Por FELIPE BARACCHINI

Para saber mais visite Festival Alma Surf 2008

Ovelha