Filed under: Surf | Etiquetas: amigos, Bate-volta, Guarujá, single fin, Surf, swell, swell de páscoa, tartaruga, Tombo
Terça-feira, 13 de abril. Apesar de um dos maiores swells de Sudeste de que se tem notícia ter passado pela costa bem no final de semana, só hj consegui uma brexa para descer a Serra e surfar o que restou de balanço. Foi bom por juntar os amigos e prestigiar a visita do Gui Wanna, que está amargando o flat e os tiburones da Flórida!
As coincidências que marcaram esse swell com o já lendário swell da páscoa de 2009 foram simétricas! Duas verdadeiras bombas históricas, acordando picos por todo o litoral de SP e RJ. As duas tiveram uma janela entre os dias 9 e 12 de abril, as duas bem na semana do meu casamento. Se ano passado estava no interior agilizando os últimos detalhes do casório, esse ano o trabalho e as comemorações de 1 ano conflitaram com a mega ondulação. Mas dessa vez não exitei em quebrar a fissura aos 45 do segundo tempo! Nesta manhã surfamos pequenas, porém boas valinhas no Tombo, com direito a nascer do sol, água quente, o oi da amiga tartaruga e pouco crowd! Pra quem estava a quase 1 mês sem surfar, valeu e muito!
A queda tb foi bem interessante pois tive a oportunidade de testar um pouco mais a 6’6 diamond tail single fin do Di. Um shape diferente, larga e bojuda, mas que andou bem nas valinhas e deu pra ter uma idéia de como uma single fin se comporta! Recomendo o teste!
O bate foi bom, reuniu os amigos e a single fin funcionou. Só espero que em 2011 o swell do ano não acerte o dia 11 de abril novamente!
Abs!
felipe
Foi quebrada uma sequência de 5 ou 6 semanas de bates. Muito boa aliás; não me recordo de mesma constância de oportunidades pra descer e previsões que nos mantiveram otimistas pra pegar aquele mar que sempre sonhamos – sempre acordados, claro. Foi quebrado também uma ausência de posts meus no blog. É verdade que não tenho saco pra ficar alimentando conteúdo na internet o tempo todo, mas assim como também é que eu já estava com saudades de escrever e que muitas e muitas “pautas”, algumas até interessantes eu acredito, se perderam no dia e no tempo.
Nesse período teve de tudo: puro glass, maral, terral, sol com frio, calor sem sol, crowd, outside vazio, 1, 2, 3, 4 e 5 amigos, solo, fish, gun, a do dia-a-dia, saida na madruga, chegada no dia anterior, equipe de reportagem interessados na nossa “rotina”, tubo, manobra, só a linha, acelerar, atrasar, vacas, muitas vacas, trânsito na volta, estrada livre, a costumera depressão na chega a SP, e por último e mais importante, a constante presença e benção daquela tartaruga que aparece e faz abrir o sorriso. Todos foram bons, mas o último foi especial. Fui sozinho. Roots. E que começo de semana foi aquela passada. Sem mais adeptos já que o primeiro fds de agosto veio com sol e boas ondas para os amigos que desceram e o assalariado aqui ficou trabalhando sábado e domingo, o bate era mais que necessário, foi essencial. A previsão já dava a dica que a ondulação ia segurar, e por mais que as cobertas estavam mais que convidativas, lá fui eu acordar antes mesmo do despertador tocar. Poucos minutos passados das 4 da madruga e os passarinhos com o canto incessante anunciavam mais um dia, pra mim, não um dia qualquer. O barulho constante da cidade, aquele zumm que cresce durante o dia e diminue durante a noite, mas não pára nunca, parecia pra mim o barulho do mar naqueles dias que o estrondo das ondas gela a barriga. Gostoso incômodo. Mas a fantasia do som do mar acaba quando ligo o carro pra contribuir com o zumm. A caminho do mar, só precisava dar aquela passadinha rápida pra pegar minha prancha e meus leashes na portaria do prédio do amigo. Fácil, se o brother não tivesse ido pra balada em pleno domingo e esquecido de deixar a prancha no jeito com o porteiro. Conversa vai com o porteiro desavisado, algumas caixas-postais e vem a informação que meu amigo chegara não tinha mais que 33 minutos. É, a balada foi boa mesmo! Mas os passarinhos já tinham anunciado o dia, consegui falar e mais 5 minutos a prancha desce. O posto foi o último obstáculo antes da estrada, tanque cheio e vejo que já são 5 da manhã. “Caralho, ainda to em pinheiros!’ penso. Zumm e 6:02 estava freiando o carro no primeiro farol do Guarú. Bem-vindos. Obrigado.
O dia ainda não era dia, dava tempo de conferir o pico de sempre e escolher, mas minha vontade era mesmo de cair ali no centro. Fazia tempo que não pegava onda ali. Fui e voltei, tempo certo pra dar a primeira clareada. Mas o dia era das nuvens. Agilizo de parar o carro no prédio do amigo que nunca vai – desperdício! – e depois de acordar o porteiro, gente finíssima, consigo pisar na areia por volta das 6 e 20. Nossa, quanto tempo, quantos rodeios, quanta grosselha pra chegar até aqui, ali, na areia, vista mar, praia cinza e vazia. Frio. Mas pra que serve os 20% de gordura? nada de john. A poética imagem da praia vazia, dos prédios tapa sol, da ilha, da árvore da ilha estava completa: 4 pés sólidos tubulares, clean conditions, nada além de uma brisa insignificante, eu e minha fish. Agradeço, agradeço (continuo agradecendo até hj é verdade) e entro. O resto é até previsível, não fosse o peculiar fato de eu ter surfado por mais de uma hora solo, sozinho, all alone, sem ninguém pra dividir. Ao menos pra mim é verdade, quando o dia é bom, e vc surfa sozinho, existe a vontade de dividir aquilo tudo, mesmo que com um desconhecido que não troque um só palavra.
Surfei bastante, corri esquerdas, dropei poucas direitas, mas as esquerdas…. no começo era hora do bottom e encaixar, atrasar um pouco e ficar ali na porta – é, sempre digo que se soubesse surfar dava pra tirar alguns tubos…rs. Mas depois da maré mudar um pouco o shape vieram aquelas só pra acelerar, fazer a linha o mais suáve e rápido possível, esquerdas fortes, pra morrer dentro em muitas…. foi demais. Um puta sessão de surf. Mas nem tudo é tão lindo quanto parece e tenho que ser coeso com a realidade. É Guarujá, a maioria das ondas fechava no inside e o que acordava qualquer sonhador como eu era o cheiro, a fétida água marrom do lugar, isso sim encomodava e diminuia a beleza do dia que os passarinhos anunciaram. Mas sou da corrente positiva; prefiro o olhar sonhador de grande parte de meu relato, das boas ondas surfadas e mais uma vez, do sorriso aberto ao ver mais uma vez ela, aquela tartaruga.
Abs,
Felipe Barros
Para os surfistas bate-voltas de plantão cuidado ao estacionar o carro para surfar. Especialmente no Guaruja. Já cansei de ouvir casos de roubo de carros na rua da praia. E é uma coisa tão estúpida que acontece.
Os surfistas chegam na praia e estacionam o carro. Como não tem ninguém para deixar a chave do carro e também não podem a levar pro mar, eles deixam as chaves atrás do pneu ou escondido em alguma árvore, por exemplo. E quando voltam, não há mais carro.

Nesses bancos que os ladrões ficam sentados.
É simples, quando eles vao esconder as chaves, eles acham que não tem ninguém os vendo, porém enganam-se eles. Todos os ladrões sabem que os surfistas fazem isso, eles ficam sentados naqueles bancos no calçadão a espera dos carros com pranchas. Aí é só esperar o cara “esconder” a chave e ir pro mar. Pronto voltou nao tem mais carro. Falei que era estúpido, mas é inacreditávelmente comum. Tome cuidado. Não dá pra dar molesa pra esses caras.
Já aconteceu algo parecido com você?
Abs
Gui+salgado
YES WE CAN
Foi com esse espírito que partimos para o guaru na terça a noite, dia da eleição dos EUA. Já eram quase 23h30 e eu ainda estava em casa jogando vídeo-game esperando os outros surfistas do bate-volta. Nesse horário já devíamos estar dormindo no Guarujá e eu já estava aguardando há um bom tempo. Chegou ao ponto de eu pegar o cel para ligar e cancelar, mas YES WE CAN. Não podia cancelar, o bate-volta é sagrado.
Finalmente eles apareceram e fui de Sampa non-spot até a minha cama no guaru. Chegamos por volta das 1h am e pelas contas dormiríamos no máximo 4h33. Muito pouco para agüentar o surf e o dia inteiro de trabalho. YES WE CAN. YES WE CAN. (mais…)
A REVISTA SERAFINA acompanha paulistanos que descem para o litoral no meio da semana só para surfar 45 minutos antes da jornada de trabalho na capital.

Miguel, Tato, Marquinhos, Caio, Robério e Felipe
São 4h30 de uma quarta-feira. Amigos conversam num posto de gasolina na avenida Cidade Jardim, em São Paulo. Quem passa pode até pensar que estão vindo de alguma festa, mas a cara de sono entrega: eles acabaram de acordar. E juntos vão encarar a estrada até o Guarujá para surfar por menos de uma hora. Na volta, enfrentarão trânsito para chegar ao trabalho no horário.
Parece um devaneio adolescente, mas trata-se de apenas mais um “BV”, ou bate-volta, evento que transforma profissionais paulistanos bem-sucedidos em amadores do surfe nas madrugadas frias do litoral sul do Estado. No fim de maio, a reportagem da Serafina acompanhou a aventura de um grupo desses, formado basicamente por publicitários.
Os sete, com idade entre 24 e 38 anos, trabalham duro, em média 12 horas por dia e muitas vezes nos fins de semana. A rotina puxada, no entanto, não impediu que eles trocassem diversos e-mails entusiasmados antes do encontro. Pela internet, acompanharam as mudanças do tempo e cada informação disponível sobre as condições para o surfe no Guarujá. A previsão era que, naquela manhã específica, as ondas na região alcançariam 1,4 metro e a temperatura da água estaria entre 19 e 21oC.
“Isso deixa a gente cheio de expectativa, mas já aconteceu de chegar e o mar estar flat [sem ondas]“, diz o pernambucano Miguel Bemfica, 38. Iniciante no surfe, ele trabalha numa das maiores agências do país e já ganhou seis Leões em Cannes, o mais importante prêmio da publicidade no mundo.
Não ter onda é, sem dúvida, um grande risco para quem resolve embarcar numa viagem dessas. Mas nenhum dos sete demonstra preocupação com essa possibilidade. “Se a gente pensar assim, nem levanta da cama”, diz o diretor de arte Renato Butori, 28, que nunca dorme direito na noite anterior ao “BV” com medo de perder a hora. Nesse dia, ele tinha acordado às 3h40.
Enquanto decidem quem vai em cada carro, Caio Mattoso esfrega as mãos. Faz frio, mas ele resolveu sair de casa calçando sandálias e já vestindo a roupa de neoprene com que vai cair no mar. “Pra quem mora numa cidade sem praia, os ‘BVs’ são uma carta de alforria”, diz o paulista de 24 anos.

Robério tomando fôlego para enfrentar a arrebentação
FORMAÇÃO RUIM
Divididos em três carros, os amigos iniciam o percurso de 87 quilômetros. A estrada está vazia, mas há trechos com bastante neblina. O sono é vencido com músicas de Ben Harper, Lemon Jelly e Sublime. As conversas são sobre trabalho.
Numa pequena mala, Marcus Meireles, 36, carrega frutas, barrinhas de cereal e bebida energética para a turma. Baiano criado no Rio de Janeiro, Marcus mora em São Paulo há nove anos e ganhou prêmios em diversos festivais internacionais. “Para mim, o ‘BV’ não funciona apenas para sair da rotina. Busco qualidade de vida”, explica Marcus, que também faz pilates e musculação.
São 6h quando, finalmente, chegamos ao Guarujá. O céu está escuro e a primeira parada é a praia do Tombo. Todos andam até a areia e olham, em silêncio, para o mar. “A formação das ondas está ruim”, comenta o jornalista da turma, Felipe Baracchini, 24, sete anos de surfe e três de “BV”. Resolvem ir até Pitangueiras. Conferem as ondas e partem para a terceira opção: a praia das Astúrias, onde decidem ficar.
É nesse momento que tudo toma velocidade. Porque, pior que um mar flat, o maior inimigo de um bate-volta é o tempo. Na calçada, tiram a roupa e passam parafina nas pranchas. Quem tem bolso na bermuda guarda a chave do carro. Quem não tem arruma um esconderijo.
Na areia, Robério Braga, 37, faz um rápido alongamento. Essa é a segunda vez que ele, dono de uma produtora e diretor de filmes de grandes marcas de cerveja e refrigerante, participa de um “BV”. “Minha semana vai ter outra cara agora”, diz. Perto dali, Tomás Correa, 31, redator de uma multinacional presente em 84 países, corre de um lado para o outro. Pouco antes do sol nascer, todos estão no mar. São 6h30.
BANHO DE GATO
Os sete parecem se divertir no pico que escolheram. Mas os olhos não saem do relógio. Eles têm apenas 45 minutos para surfar. Em cima de cada onda serão apenas míseros segundos.
Marcus é o primeiro a sair da água, às 7h25. Logo em seguida aparecem Robério e Miguel. Do porta-malas do carro, eles tiram garrafas de água mineral e jogam na cabeça. Tentam tirar o sal do cabelo e a areia do corpo. “É a única maneira de tomar banho”, garante Marcus, trocando a roupa no meio da rua.
Pegar a estrada de volta para São Paulo é a parte mais desgastante da “trip”. O trânsito é inevitável e as blitze são comuns. Apesar da pressa, o assunto dentro do carro é só surfe.
“Acordar antes das 4h para ficar menos de uma hora no mar e voltar para trabalhar não é para qualquer um. A maioria desiste logo depois de fazer o primeiro “BV”. Não tem como a gente não se sentir até um pouco herói”, confessa Tomás.
Na entrada da cidade, os engarrafamentos são o grande pavor. Já são quase 9h quando a avenida Bandeirantes começa a estressar os surfistas. Mas o trânsito não dura muito e, antes das 9h30, todos estão de volta ao posto de gasolina, onde se encontraram cinco horas antes.
Sorrindo, os amigos se despedem e cada um segue para seu trabalho. “A sensação de felicidade que o ‘BV’ nos traz faz o dia render como nenhum outro”, finaliza Renato. “Hoje vi duas tartarugas no mar. Você acha que alguém no meu trabalho vai acreditar nisso?”
por ROBERTA SALOMONE
Ovelha
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: Anjo, Guarujá, herói, resgate, salvar, surfista

Acredito que muitos já leram sobre o caso do surfista local do Guarujá, Tony, 32 anos, que perdeu a vida em um ato heróico que aliviou poucos e levou à tristeza de muitos. Tristeza por que Tony deixou sua mulher, uma filha de 11 anos e uma legião de amigos e moradores da praia das Pitangueiras. Heróico, pois cumpriu sua missão: salvar a vida daqueles que estavam em apuros, devido a forte correnteza formada pelo swell de sul, que já arrastou vários surfistas para as pedras do morro do Maluf. E o alívio? Da onde vem? O alívio veio por parte da família e amigos daqueles que foram resgatados. Mas esse não é o único motivo para se sentir aliviado. Segundo a filha de Tony, ele sempre disse que iria morrer surfando ou salvando a vida de alguém, ato que já tinha sido realizado por ele mesmo diversas vezes, na mesma praia.
Em diversos sites e jornais vi comparações entre Tony e o famoso Eddie Aikau, havaiano que também perdeu a vida salvando pessoas. Ao mesmo tempo que acredito ser uma grande honra ser comparado com o mito “Eddie would go”, acho que não devemos misturar as coisas. O que o Tony fez foi muito grandioso para ficar na sombra de outro herói. Não acho que o Tony é o Eddie Aikau do Guarujá, eu acho que ele é o “Tony do Guarujá”. Não acho que a sua vocação era enfrentar qualquer mar para surfar ondas grandes, e sim, enfrentar qualquer situação para salvar vidas. Portanto, se quando o mar estava grande e todos a não ser Eddie, tinham medo de enfrentá-lo, dai a origem da frase “Eddie would go”, quando houver uma situação onde pessoas vão passar apuros ou risco de vida, eu vou dizer: “o Tony salvaria essas pessoas”. Essa era a essência desse surfista de Alma, desse anjo do mar.
Não tenho dúvidas de que os 4 surfistas que foram salvos por ele serão eternamente gratos. Aliás, acho que qualquer indivíduo deveria ser eternamente grato por saber que em um mundo onde tudo parece estar perdido, é possível sentir uma energia maravilhosa de que existe algo a mais na vida, de que não estamos sozinhos, de que existem anjos nos protegendo todos os dias.
Essa semana será realizada uma homenagem na praia das Pintangueiras. Não vou poder estar presente fisicamente, mas com certeza vou mentalizar muita energia positiva para o anjo surfista, o Tony do Guarujá.
Ovelha



