Bate-Volta – chegar, surfar e voltar.


Como escapar rápido pra praia no FDS – PARTE 1
julho 30, 2010, 2:22 pm
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Todo mundo já sentiu, na hora da fuga pra praia, aquela força magnética da cidade te arrastando de volta. Pendências de última hora, compromissos socias, namorada, cachoro, gato, equipamento, carro. Depois de várias trips atrasadas, adiadas e inviabilizadas, juntamos 10 lições que aprendemos sobre como escapar mais fácil e rápido da cidade.

As 2 primeiras dicas são sobre você. Sobre a postura certa pra fazer a trip acontecer. O resumo é: tome uma atitude.

Não espera, vá!

1. DECIDA, NÃO ESPERE A PREVISÃO DECIDIR POR VOCÊ

Não espere pra definir de última hora se você vai viajar ou não. Essa é a regra do “SE”. É sempre melhor dizer “eu vou” do que ficar no “SE tiver onda”, “SE fizer sol”. Se você alimentar a regra do SE, vc aumenta as suas chances de se enrolar. Melhor decidir e se planejar e depois desmarcar de última hora, do que ficar no “SE” a semana inteira.


2. DECIDA, NÃO ESPERE SEUS AMIGOS DECIDIREM POR VOCÊ

As pessoas são tão imprevisíveis quanto o tempo e as ondas. Então, decida que vai viajar, e avise seus amigos. Mas não deixe a viagem depender da presença deles.

Lembre-se: se você decidir primeiro, as pessoas terão uma viagem certa para aderir, ou não. Se você não decidir de cara, não vai ter viagem certa em nenhum momento, e a probabilidade do povo desanimar ou se enrolar é maior. E cuidado com programas de galera. Quanto mais gente, mais variáveis pra te segurar na cidade.

Daqui a alguns dias continuamos com as dicas, envolvendo outros assuntos cruciais pra garantir o surf feliz de fim de semana: equipamento, carro e namorada!

Aloha!



Um relato do festivalma surf 2010

Uma lenda, um ídolo e um show que a muito queria ver. Essas eram as tônicas que alimentavam minha ansiedade pré Festivalma 2010.

Greg Noll dispensa comentários. Fez a alegria de muitos aficionados pela história e cultura do surf com muitos e muitos autógrafos: ALOHA! Greg Noll. Essa que é hoje, longe das morras de waimea e sem o tradicional shorts listrado desamarrado, sua marca registrada.
Tive a sorte de ser um dos primeiros da fila de autógrafos no noite de sábado e consegui garantir um skatinho irado da marca do greg  (no valor dos EUA, tax free!) e ainda sua assinatura nele e em um livro de fotos de Leroy Grannis. Mission accomplished!

Autografando o skatinho travel well

greg assinando o livro

Ele ficou feliz de se ver na beira de pipe e dropando waimea

Rob Machado é um ídolo. Um cara que com um estilo inconfundível se mantém no mainstream do surf sem precisar competir para provar do que ele é capaz sobre uma (qualquer) prancha. Isso ele já fez quando ganhou o pipemasters de 2000, alguém duvida?
Sempre gostei do surf fluido do Rob e, desde Loose Change, épico filme de Taylor Steele, eu já identificava nele um dos estilos mais agradáveis de se ver. Sei que pra muitos é recíproco essa opinião.

Mas no festival Rob veio para mostrar seu lado musical. Não é mais um caso de surfista que se destaca musicalmente como Donavon ou Jack, mas ele se diverte sem a pretensão de ser estrela e isso basta. Talento mesmo ele deixou para seus amigos Jon Swift e Todd Hannigan, músicos de ofício que integram com outros músicos a Melali Band e embalaram o público na bienal com um surfmusic de qualidade com pitadas de folk, rock e seus derivados mais brandos. Muito gostoso de ouvir, seria melhor se estivessemos sentados na areia…

Rob and the Melali band

Ainda pouco conhecido no Brasil, mas já com vários adeptos por aqui, o grupo australiano John Butler Trio tem uma sonoridade de fácil aceitação entre o público jovem, mesclando rock e reggae com um delicioso violão de 12 cordas. O cara consegue tirar um som, um timbre daquele violão, que é digno de grandes músicos. Sério, o som das 12 cordas faz vc esquecer as vezes que é um violão e faz parecer uma guitarra com efeitos bem harmonizados. Muito bom mesmo.
Não lembro se conheci o John Butler Trio fuçando pela internet ou se um amigo me apresentou, mas o fato é que curto o som deles já tem uns 3 anos e sempre achei que o estilo tem tudo a ver com o Festival idealizado pela Alma Surf. Dito e feito, o show foi a grande atração do Festival de Música e lotou a Bienal. Meu destaque vai mesmo para a música instrumental “Ocean”, fueda!

Mas o festival trouxe gratas surpresas. Além de rever amigos, conheci um grande artista, Jay Adlers, que além de ter um trabalho inspirador é uma pessoa muito simpática. Vi de perto um verdadeiro objeto de desejo para o futuro (espero que não distante), as pranchas do Felipe Siebert. Um longboard de madeira que já namoro a algum tempo e pude atestar as fotos do site, são pranchas lindas mesmo. Belíssimo trabalho que conta também com skates estilosos para uma session no asfalto.

Jay interagindo com uma de suas belas obras

Rob Machado e Jon Swift

Greg's old classic design

Keiko e sua cesta de presentes

Fotos, obras de arte, filmes, livros, Skate e BMX e muitas pranchas preencheram a bienal em um evento que expõe muito bem a cultura surf.

abs
felipe



Grãos de areia e universo de estrelas
julho 14, 2010, 5:44 pm
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publicado originalmente na revista Almasurf – Ed. Mai/Jul 2010

A alma do ‘errante’ nos sentimentos mais profundos do ser humano real. O reencontro do eu interior num mundo de grãos de areia e estrelas universais. O caminho puro de um par de chinelos…

Todos que entrevistaram ou conversaram com o surfista Rob Machado em sua recente passagem pelo Brasil – turnê de lançamento do filme The Drifter, de Taylor Steele, que mostra os caminhos e as buscas de Rob, onde o mesmo dedilhou em seu violão a trilha sonora de sua vida –, fizeram as mesmas perguntas. Os mesmos assuntos em cima das mesmas curiosidades comuns resultaram nas mesmas palavras da estrela principal do filme em que se intitula ‘O errante’.

Escolhendo o lado oposto do que todos numa dessas bifurcações da vida, eu estava convencido a descobrir a verdade: Quais são os mais profundos sentimentos que fizeram um dos maiores ícones do surf mundial desaparecer das competições, da mídia, dos amigos, e até da família?

E escolher um novo rumo…

Rob em Maresias - Foto Munir El Hage

Na chegada do até então ídolo pra mim, e continua sendo, fiquei encarregado de recepcionar Rob no aeroporto e levá-lo a Maresias, costa norte de São Paulo, para apresentar o The Drifter durante a semana do carnaval, que seria nosso ponto de partida para a turnê roots em algumas cidades do litoral brasileiro. O show acústico, como já disse acima, sonorizava ao vivo o bônus-track de um produto rotulado pelos mais românticos como uma vertente moderna de contracultura moderna… O que, na prática, de fato, para os eventos e para nós da Alma Surf / Hurley, sabia que realizar essa missão junto de uma sociedade ‘modelada’ pelo consumo, não seria tão fácil assim.

O lado operacional é de extrema importância, mas não tem muito segredo quando se tem trabalho. Basta planejar, produzir, e executar com honestidade. Porém, era o outro lado do meu cérebro que mais me preocupava.

Como se preparar mentalmente para viajar 10 dias com um australiano, fruto do casamento entre a Inglaterra e os Estados Unidos, que aos 4 anos de idade se mudou para a Califórnia – aliás, muitos pensam que ele a californiano –, e aos 16 venceu o badalado US Open em Huntington Beach, e que aos 21 já tinha dominado com perfeição os canudos de Banzai Pipeline, ocupando o posto de nº 2 do mundo – e que por um detalhe do ‘zen surfismo’ não foi o 1º – concreto aquático de seu talento e a sua posição de amigo, muito mais do que rival, do maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater.

Sim, era a chance de reter conteúdos, histórias e lições de vida de gente grande. Mas ao mesmo tempo, a oportunidade de descobrir qual foi o agente causador da ‘quebra’ do que seria a trajetória de um grande campeão do mundo. Sei o que é ter motivos para querer desaparecer – “e-x-i-s-t-ê-n-c-i-a” –, mas o que é preciso para que o ‘surf zen’ atual buscasse sumir do mapa ou encontrar-se no neste mesmo desenho? Rob machado. Frustração? Raiva de algo? Angústia? Tristeza? Indolência? Na história, ninguém faz ou fará o que ele fez à toa.

Logo no primeiro contato – “Hi Rob. I’m Felipe, The Lamb, you are welcome…” – no estacionamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Cumbica, percebi que não resolveria essa questão com apenas uma pergunta. Algo dizia que era preciso analisar cada detalhe na construção das peças de um complexo quebra-cabeça. Se você pensa que o Rob é um ser livre das convenções, um profeta, não se iluda. Ele é uma pessoa preparada e hábil, um produto para ser consumido pelas grandes massas, pela parte inteligente dela. Sabe o que dizer e o que responder e fazer, conhecimento angariado para lidar com a fama e ainda se diverte com perguntas insensatas.

“Não existem perguntas idiotas, tudo depende da sua ótica e percepção. É a chance de falar o que eu quero. Então, eu simplesmente não respondo a questão em si e falo mesmo do que tenho vontade e da onde que eu pretendo chegar, na vida pura no surf”, disse ele, Rob em uma de nossas conversas de brother.

Deitou na prancha, deu duas braçadas e dropou uma esquerda torta da praia Mole, em Florianópolis. Primeiro em uma direita perfeita em Maresias, como numa celebração realizada pelos presentes que n’água boiavam com suas pranchas. A imperfeição das ondas não limitou o volume de água deslocado… Não faltou estilo ou posicionamento, nas manobras que o crowd parou para ver de perto e agradecer aos céus, um a um, de serem surfistas, graças Deus.

Praia Mole, Florianópolis, SC

Alguns dias antes, por volta da uma da madrugada de uma terça-feira de carnaval, estávamos na Rodovia Rio-Santos, quando decidimos fazer uma parada em um posto de gasolina qualquer, a fim de enganar o sono e o cansaço com uma xícara de café e um croissant.

“Cara, olha o Rob Machado!”, balbuciou um moleque saudável e com pinta de surfista. “Não é possível! Será que é ele mesmo?”, falou mais alto o ‘irmão’ que estava na barca do feriado rumo ao mesmo litoral. Os dois garotos caminharam despretensiosamente rumo ao balcão em que estávamos. Aquele tradicional, parada obrigatória que todo mundo conhece quando se desce rumo ao litoral Norte de Sampa.

A figura cabeluda e lendária de Rob ficou amarradão. Trocou aperto de mãos e tirou fotos. Distribuiu autógrafos e fez questão de distribuir algumas camisetas e uma rápida troca de idéias na loja que aromaticamente misturava cheiros típicos brasileiros como café, milho e chocolate quente, além dos saborosos pães de batata que instiga qualquer um. Certamente demorou um tempo pra esses brothers entenderem o que tinha acontecido e, talvez para comemorar, compraram no caixa uma caixinha pequena com a energia de Bob Marley estampada na aba, mas daí pra frente não sei dizer mais os sentimentos e sensações deles, porque voltamos para a estrada.

Ao devolver os materiais promocionais para o bagageiro do carro, me dei conta de que tinha deixado para trás minha imperdível pasta com as passagens, reservas dos hotéis e o roteiro da viagem que passei horas elaborando para esse trabalho. Contudo fiquei tranqüilo, zen, senti uma vibração em que poucos momentos senti na vida. Estávamos acompanhados da vontade de ser livres e surfistas. E isso bastava. Sabíamos o necessário.

A primeira onda

Repare numa das primeiras ondas que aparece no The Drifter… Fiquei na cabeça com as palavras do amigo Nathan Myers – que inclusive foram publicadas na revista Hardcore, edição nº 237 –, colaborador do projeto que se materializou na Indonésia: “Rob desaparece dentro de um longo tubo num estilo super zen e permanece sumido muito além do inside, onde a bancada fica rasa demais para a maioria dos mortais. Ele reaparece e sai no último instante antes de ser trucidado pelos corais quase expostos”.

Todas as vezes que assisti ao filme fiquei preso com esta cena. Mas isso não foi o que mais me chamou a atenção. Contra a luz do sol, a imagem de uma pessoa flutuando na mesma linha do tubo atrasado no tempo. O que era pra ser o um elemento figurativo, sofreu quase que uma mutação para uma estrutura nuclear e surreal.

Em Balneário Camboriú, após a exibição do filme, Machado disse que gostaria de encontrar um grande amigo que estava há algumas quadras dali. Caminhamos desapercebidamente pelas ruas românticas do pico e encontramos o fotógrafo brasileiro Kalani Brito, o amigo de Rob.

Obviamente não segurei minha curiosidade e diante dessa oportunidade questionei como eles tinham se conhecido, visto a considerável diferença de idade, até de gerações entre os dois e da distância entre os universos, mesmo sabendo que para o surf não existem fronteiras.

“Conhecemos-nos há uns dois anos enquanto eu produzia este projeto na Indonésia. Você já reparou numa pessoa que está dentro d’água na primeira onda que aparece no filme? É esse cara aqui!”, disse Rob entre abraços verdadeiros. “Esse homem é um dos poucos que conheço que se colocariam naquela situação, e sem prancha”.

Kalani Brito e Rob Machado, Florianópolis

Eles ainda tinham muitos assuntos para conectar. Algumas rodadas de cervejas especiais e geladas foram uma ótima pedida e, na metade da jornada flagrei-me distante dali, pensando de outra maneira. ‘Ser uma figura da mídia pode ser muito legal, e pode ser legal também ser amigo desse cara. Mas, o que eu quero pra mim, para a minha passagem nesse plano, que abrangem muito do que só o surf, mesmo que ele seja imenso para o meu ser’. Confesso que o pré-conceito sobre essa classe de famosos já me corrompeu no que chamo de forma brega de ‘futilisismo’ – futilidade com narcisismo. Erroneamente ou não, acreditei que a maioria da minoria seria desse jeito, e que eu tinha a chance única de ser diferente e seguir meu caminho, pois somos almas únicas, cada um com sua aura, que inconscientemente já o fazia, e que, aliás, sempre o fiz.

Valter Vale da Hurley )(, Rob Machado e Felipe Baracchini: good shit!

Andava descalço há dias e nem me dava conta até o embarque para o Rio, em que me vi obrigado a comprar um par de chinelos. Percebi que ao lado de Rob, entre papos cabeças, meus e dele, já incorporava o espírito drifting e vice e versa para Rob na atmosfera brazilian lifestyle… Já não possuía mais meias e minha câmera fotográfica, inseparável até essa nova experiência, celular e notebook, e também lembrei com certa graças do meu antigo par de chinelos, que havia ganhado entre alguns presentes da formatura da faculdade alguns anos antes. Estava a essa altura me desprendendo…

Perambulando no sentido oposto ao mar em Copacabana para sentir a brisa, cruzamos com uma garota que acomodava entre os braços a curvatura plástica de uma fish retro model, quando um ruído ao fundo nos puxou de volta a realidade. Já não éramos, naquele instante, pessoas comuns, pelo menos o Rob. “Caraca! Não acredito no que eu estou vendo! Rob Machado bem aqui na minha frente neste calçadão carioca.”

Direcionando um olhar emocionado e agradecido aos céus, o shaper local do Arpoador, FULANO DE TAL, nos contou que num passado não tão distante sobreviveu a uma dura batalha contra um câncer. E que os filmes parte de Rob Machado fizera parte dessa cura, não só do corpo, mas do espírito. The September Sessions e Thicker Than Water lhe contaminaram com a força de vontade para seguir em frente e passar na repescagem de cabeça erguida, virando a bateria e ganhado a coroa da vitória no último tubo.

Rob era como um Deus para aquele humilde surfista, e foi presenteado como tal por isto. Além de uma reverência explicita e intimista sentida com feeling por Rob. O nosso novo amigo retribuiu a cura do espírito com duas impecáveis e lindas fish boards, que foram agregadas ao nosso volume de bagagem. Por puro acaso ou não, o shaper vitorioso e Rob Machado se encontraram com a mais pura inspiração de vida, e os dois se emocionaram. E eu também…

Muito forte nos sentimentos e, horas depois, flutuando sobre meu novo par de chinelos, avistei o shaper acenando um reservado ‘oi’, em meio ao público que se deslocou até o evento na Lagoa da Conceição.

Mais uma vez, alguns minutos antes da apresentação, o ‘Errante’ Rob Machado fechava seus olhos no meio da galera e do barulho e se ‘plugava’ a si mesmo. O que para os mais irracionais soava como uma desrespeitosa soneca, para mim, que já entendia ‘O Errante’ na essência, ecoava a imagem de um cara ‘amarradão’ numa viajem com os amigos pra dentro do ser, do ser ou não ser, na busca da compreensão do que estava acontecendo em torno da sua vida, e assim entender o todo.

Quando as coisas vão bem os dias passam como horas. Só me restavam apenas alguns instantes para desvendar esse ídolo ou aceitar que ele fez tudo isso porque não foi campeão do mundo, ou até por algum outro motivo da sua vida pessoal que eu nunca iria realmente saber.

A conversa das estrelas

“Tchau. The Animal!” (risos)… Disse Rob pra mim na despedida. Deixei o aeroporto introspectivo em meus pensamentos. Tinha acabado de fazer uma ‘surf’ trip com o Rob Machado, mas ainda não tinha a resposta que tanto procurava. E que tentava me contentar com a promessa do envio de um questionário por email.

“Bro, I’ll blow your mind!”, me dissera Rob no inicio da turnê em uma festa na praia com poucos e bons amigos, onde o ‘ídolo’ desafiou a minha sanidade mental. E, realmente alguns dos meus conceitos explodiram.

“Você está preparado para mudar a percepção da sua existência?”. E enterrou a mão na praia e ergueu um punhado cheio de areia fina e branca que transbordava como água.

“Quantos grãos de areia você acha que tenho em minhas mãos? Milhares? Ou quem sabe bilhões de grãos apenas nessa pequena área? Agora, olhe para o céu. Quantas estrelas você acha que está enxergando nesse momento? A astrofísica elabora uma fórmula quantitativa de grãos de areia na terra e… Sabe qual é a conclusão? Que existem mais estrelas em nosso universo do que grãos de areia no planeta Terra.” Ensinamentos…

É inevitável não confortar alguns milhões de grãos de areia na palma da mão olhando para as estrelas que dançam harmoniosamente no céu. Sabemos que existem estrelas gigantes… E isso explodiu minha mente sem contagem regressiva.

De um personagem fabricado e treinado para ser uma pessoa real, com plena noção da sua pequeneza e irrelevância, Rob Machado sabe que pode sumir por algum tempo que não fará tanta diferença assim no todo de que tanto falei nesse texto.

Nesses dias em que convivi com o até então ‘ídolo’, porque a partir de agora, pelo menos pra mim, Rob é uma pessoa comum, como eu e como você e como todos nós. Rob é um cara legal e comum, como escreveu o editor ALMA SURF dessa publicação, Adriano Vasconcellos – ALMA SURF, edição #55, Coluna de Cultura – “Rob Machado presenteia a si próprio com a oportunidade de se reinventar, e, mesmo sendo um errante, está no caminho certo, o da paz interior”.

E com o Rob Machado descobri como ele conseguiu habilmente lidar com a sua imagem. Embarquei nessa empreitada com o objetivo de desvendá-lo, mas foi aprendendo mais sobre mim mesmo que atingi o nível de consciência que eu buscava.

Descobri que cada um tem a sua razão para desaparecer. Aprendi com as estrelas e os grãos de areia que não temos noção da nossa insignificância até explodirem em nossa mente, nos dando a chance de se descobrir para a realidade.

Por Felipe Baracchini

Fotos Ricardo Alves e arquivo Hurley / The Drifter / Dustin Humphrey

Agradecimentos: Zé Lucas, peça fundamental na organização das minhas idéias pra escrever este texto!



Era uma vez um surfista
junho 30, 2010, 12:24 pm
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Virada de mês, salario novo, contas novas e mais um Festivalma se aproxima. Esse ano além da ilustre visita de Greg Noll, o festival de música reúne mais uma vez inéditos artistas internacionais no palco da Bienal, como John Butler e Rob Machado. Esse último, o motivo desse post.

Em um misto de indignação com graça (engraçado mesmo), leio no jornal MTV NA RUA esta manhã no trem a caminho do trabalho que um dos mestres do estilo, um ídolo para muitos surfistas, já não fica mais de pé na prancha. Logo ele.

Explico. Posso até estar pegando no pé de quem escreveu. Uns podem falar que é preciosismo, mas acho um misto de ignorância e desatenção noticiar que um EX-SURFISTA norte-americano irá tocar no Festivalma amanhã.
Não entro nem no mérito dele ser Australiano e naturalizado Americano pq não importa aqui, nem faz diferença na prática. Mas a simples ausência de um termo que designe que ele é um ex-integrante do circuito profissional de surf me fez rir e me indagar se alguém, leigo no nosso universo, pudesse entender mesmo que o Rob não surfa mais.

O termo profissional (ex-surfista profissional no caso) acho também que não é o mais indicado- ainda que minimizaria, já que o Rob ainda participa de alguns poucos eventos e tenho certeza que se perguntarem para ele “Qual a sua profissão?”, a resposta seria categórica: surfista. Mesmo com todos os conflitos internos que um ser humano com ele pode ter, se continua ou não competindo por exemplo, o mês também acaba para ele e as contas o recebem quando abre a porta de casa.

O surfe cresceu muito nos últimos anos, ganhou espaço nas mídias de massa e, assim como na moda, cria tendências de comportamento e seus personagens viram referência de estilo de vida. Assim sendo, acho importante mostrar e noticiar os fatos da maneira correta para não criar ruídos bobos como esse.

Tá ai a notinha do Jornal.

Notinha sobre o show de Rob no Festivalma 2010

De errante a ex-surfista em um ruído.

Bom, to ansioso pra ver o personagem do The Drifter no palco.
Até amanhã no Festivalma 2010.

Abs
Felipe



Eu amo crowd
maio 10, 2010, 10:14 pm
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texto de Danillo Cardoso

Você deve estar achando que sou louco. Vou explicar. Você acha que o surf não é um esporte coletivo, mas é.

Sabe quando você diz que adora surfar uma praia deserta com seus amigos? Pois é, presta atenção no final da frase, “seus amigos”.

Nunca tinha parado pra pensar nisso mas depois desse último final de semana no mar pude sentir na pele o que é surfar sozinho. Literalmente sozinho. (mais…)



Surf pra dirigir
abril 19, 2010, 12:25 pm
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Sem papo cabeça. A gente já sabe que a imagem do surf faz milhões de pessoas sairem de casa pra comprar coisas.

Algumas campanhas de carro têm chamado a minha atenção pela execução. Pelo jeito bacana de abordar o tema e ser diferente na hora de abordar a vida de praia, e até na hora de focar o target “surfista”. De anúncio de parafina a Hoodoo Gurus na trilha.

Aloha



Vagas coincidências
abril 13, 2010, 7:42 pm
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Terça-feira, 13 de abril. Apesar de um dos maiores swells de Sudeste de que se tem notícia ter passado pela costa bem no final de semana, só hj consegui uma brexa para descer a Serra e surfar o que restou de balanço. Foi bom por juntar os amigos e prestigiar a visita do Gui Wanna, que está amargando o flat e os tiburones da Flórida!

As coincidências que marcaram esse swell com o já lendário swell da páscoa de 2009 foram simétricas! Duas verdadeiras bombas históricas, acordando picos por todo o litoral de SP e RJ. As duas tiveram uma janela entre os dias 9 e 12 de abril, as duas bem na semana do meu casamento. Se ano passado estava no interior agilizando os últimos detalhes do casório, esse ano o trabalho e as comemorações de 1 ano conflitaram com a mega ondulação. Mas dessa vez não exitei em quebrar a fissura aos 45 do segundo tempo! Nesta manhã surfamos pequenas, porém boas valinhas no Tombo, com direito a nascer do sol, água quente, o oi da amiga tartaruga e pouco crowd! Pra quem estava a quase 1 mês sem surfar, valeu e muito!

A queda tb foi bem interessante pois tive a oportunidade de testar um pouco mais a 6’6 diamond tail single fin do Di. Um shape diferente, larga e bojuda, mas que andou bem nas valinhas e deu pra ter uma idéia de como uma single fin se comporta! Recomendo o teste!

O bate foi bom, reuniu os amigos e a single fin funcionou. Só espero que em 2011 o swell do ano não acerte o dia 11 de abril novamente!

Abs!
felipe



Parado e quase nada
março 15, 2010, 9:02 pm
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O blog anda meio parado. E temos muito o que contar. Não refuto minha parte de responsabilidade. Mas ainda estou processando os aprendizados, se é que aprendi algo, com a surftrip a Punta Hermosa, Sul do Peru. Difícil escrever pois somos, aqui nesse blog, movidos a sonho. Criador e criatura da mesma alienação. E o que eu vivi foi uma realidade das mais cruas, e das menos ilustres.  Daquelas que transforma o visionário sonhador em ingênuo utopista em poucos segundos. Uma terra onde o sonho morre.

O Spinoza define precisamente a tristeza como uma inclinação negativa do conatus; como aquele encontro com o mundo que te tira energia vital, tesão pela vida. E foi assim q me senti. Depois de alguns dias ali, me vi triste. Esvaziado de energia.

Triste por mim, que me vi parte do problema do crowd de brasileiros que infesta as ondas do Peru. Perto e barato, lá capitalizamos da nossa rara posição de menos pobres. Surfei muito menos que esperava. E não pela falta de onda. O que eu vi me fez sentir constrangimento e vergonha.

Triste por aquele lugar tão simples e legal, estuprado por enxames de brasileiros desrespeitosos, alunos exemplares da lição imperialista que nos foi infligida. Nos disse o colonizador, e repetimos sempre q há oportunidade: – Viemos aqui para drenar o que a natureza oferece, comer suas mulheres e sua comida. Não viemos trocar. Não me toque. Fique ai do seu lado do muro, que eu fico aqui do meu.

Triste pelos peruanos, que de tão receptivos, tiveram que se converter em violentos e territorialistas, para não serem expulsos das suas próprias ondas. Triste também por outros peruanos, menos indefesos esses, que preferem alimentar o problema a perder seu ganha-pão, hospedando hordas de brasileiros.

Triste pelo Brasil, cuja imagem é a prova cabal de que não existem limites para o pior.

Triste pelos (alguns) brasileiros respeitosos e bem intencionados, que irão para lá surfar e vão apanhar. Que vão pagar – e já estão pagando – pelos frutos podres.

Lá, com cada gesto, tentei dizer aos peruanos que conhecemos que os brasileiros não são tão escrotos assim. Quanta ingenuidade.

No fim, voltar foi um alívio. Porque aqui não é melhor, mas pelo menos pudemos voltar a sonhar. Nem que seja em reabilitação.



Aos 45 do segundo tempo
fevereiro 15, 2010, 12:27 am
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Post rápido pra contar as novidades antes da segunda metade da barca rumo ao Peru partir.

As pranchas ficaram prontas sexta feira, na data limite. Nem vai dar muito tempo para “curar”, mas vai assim mesmo. Elas ficaram lindas, 3 pranchas ao todo,  7’0, 9’0 e 9’3”. Duas do zé e uma minha. Olhem o resultado do trabalho que começou em nov/2009…

É isso, amanhã estaremos no Luisfer Surf Camp, na frente de La Isla pra quem sabe estreiar alguma dessas tablas! ¡Arriba el Peru! Y saludos a todos para um carnaval muito feliz!
boa noite…

Felipe



Carnaval Gone Surfing
fevereiro 9, 2010, 10:45 pm
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No carnaval os autores desse blog estarão viajando. Pra buscar inspiração, ou pauta, ou experiência — ou nada além de surfe — duas barcas felizes estão nos últimos preparativos, e vão sair em direção ao Oceano Pacífico nesse feriado. Uma parte rumo ao litoral do Peru, em busca das longas ondas de Punta Hermosa, com cada integrante munido do seu respectivo longboard tinindo de novo, além de algumas guns retrô e fishes.

Outra barca vai fazer uma aventura rodoviária até o Chile pra enfrentar água gelada e ondas grandes. Uma simetria meridional que vai narrar duas histórias da mesma ondulação, que já está programada pra atingir com força as costas do Pacífico no feriado e trazer altas ondas!

Muita onda, história pra contar e alegria pra nois!
Que Deus e Netuno abençoem todos os nossos rumos.