
Se você nunca ouviu, vai escutar algo sobre logo.
Ele é o grande fenômeno dos esportes de ação com prancha.
O cara já foi medalha de ouro em snowboard nas olimpíadas de inverno, campeão de skate vertical do x-games e vai pra indonésia surfar pra relaxar. Isso tudo e ele tem apenas 23 anos.
Além disso tudo, todos seus patrocinadores são marcas que ele realmente gosta e consome. Ele recusa qualquer projeto de patrocínio caso ele não use a marca. Ele não é como Micheal Felps que vende sandwiches do Subway.
White participa ativamente do dia a dia das marcas que apóiam ele. Ele tem um jogo de snowboard para vídeo game (PS3, Wii e Xbox) com o nome dele em que foi feito com supervisão dele. Ele falava quais movimentos eram legais e quais pistas eram boas e etc.
Resumindo, todos os teenagers americanos conhecem ele e é uma questão de tempo do mundo todo conhece-lo. Quem quiser ler mais sobre o assunto. A Fastcompany fez uma reportagem especial com ele. Clique aqui.
A REVISTA SERAFINA acompanha paulistanos que descem para o litoral no meio da semana só para surfar 45 minutos antes da jornada de trabalho na capital.

Miguel, Tato, Marquinhos, Caio, Robério e Felipe
São 4h30 de uma quarta-feira. Amigos conversam num posto de gasolina na avenida Cidade Jardim, em São Paulo. Quem passa pode até pensar que estão vindo de alguma festa, mas a cara de sono entrega: eles acabaram de acordar. E juntos vão encarar a estrada até o Guarujá para surfar por menos de uma hora. Na volta, enfrentarão trânsito para chegar ao trabalho no horário.
Parece um devaneio adolescente, mas trata-se de apenas mais um “BV”, ou bate-volta, evento que transforma profissionais paulistanos bem-sucedidos em amadores do surfe nas madrugadas frias do litoral sul do Estado. No fim de maio, a reportagem da Serafina acompanhou a aventura de um grupo desses, formado basicamente por publicitários.
Os sete, com idade entre 24 e 38 anos, trabalham duro, em média 12 horas por dia e muitas vezes nos fins de semana. A rotina puxada, no entanto, não impediu que eles trocassem diversos e-mails entusiasmados antes do encontro. Pela internet, acompanharam as mudanças do tempo e cada informação disponível sobre as condições para o surfe no Guarujá. A previsão era que, naquela manhã específica, as ondas na região alcançariam 1,4 metro e a temperatura da água estaria entre 19 e 21oC.
“Isso deixa a gente cheio de expectativa, mas já aconteceu de chegar e o mar estar flat [sem ondas]“, diz o pernambucano Miguel Bemfica, 38. Iniciante no surfe, ele trabalha numa das maiores agências do país e já ganhou seis Leões em Cannes, o mais importante prêmio da publicidade no mundo.
Não ter onda é, sem dúvida, um grande risco para quem resolve embarcar numa viagem dessas. Mas nenhum dos sete demonstra preocupação com essa possibilidade. “Se a gente pensar assim, nem levanta da cama”, diz o diretor de arte Renato Butori, 28, que nunca dorme direito na noite anterior ao “BV” com medo de perder a hora. Nesse dia, ele tinha acordado às 3h40.
Enquanto decidem quem vai em cada carro, Caio Mattoso esfrega as mãos. Faz frio, mas ele resolveu sair de casa calçando sandálias e já vestindo a roupa de neoprene com que vai cair no mar. “Pra quem mora numa cidade sem praia, os ‘BVs’ são uma carta de alforria”, diz o paulista de 24 anos.

Robério tomando fôlego para enfrentar a arrebentação
FORMAÇÃO RUIM
Divididos em três carros, os amigos iniciam o percurso de 87 quilômetros. A estrada está vazia, mas há trechos com bastante neblina. O sono é vencido com músicas de Ben Harper, Lemon Jelly e Sublime. As conversas são sobre trabalho.
Numa pequena mala, Marcus Meireles, 36, carrega frutas, barrinhas de cereal e bebida energética para a turma. Baiano criado no Rio de Janeiro, Marcus mora em São Paulo há nove anos e ganhou prêmios em diversos festivais internacionais. “Para mim, o ‘BV’ não funciona apenas para sair da rotina. Busco qualidade de vida”, explica Marcus, que também faz pilates e musculação.
São 6h quando, finalmente, chegamos ao Guarujá. O céu está escuro e a primeira parada é a praia do Tombo. Todos andam até a areia e olham, em silêncio, para o mar. “A formação das ondas está ruim”, comenta o jornalista da turma, Felipe Baracchini, 24, sete anos de surfe e três de “BV”. Resolvem ir até Pitangueiras. Conferem as ondas e partem para a terceira opção: a praia das Astúrias, onde decidem ficar.
É nesse momento que tudo toma velocidade. Porque, pior que um mar flat, o maior inimigo de um bate-volta é o tempo. Na calçada, tiram a roupa e passam parafina nas pranchas. Quem tem bolso na bermuda guarda a chave do carro. Quem não tem arruma um esconderijo.
Na areia, Robério Braga, 37, faz um rápido alongamento. Essa é a segunda vez que ele, dono de uma produtora e diretor de filmes de grandes marcas de cerveja e refrigerante, participa de um “BV”. “Minha semana vai ter outra cara agora”, diz. Perto dali, Tomás Correa, 31, redator de uma multinacional presente em 84 países, corre de um lado para o outro. Pouco antes do sol nascer, todos estão no mar. São 6h30.
BANHO DE GATO
Os sete parecem se divertir no pico que escolheram. Mas os olhos não saem do relógio. Eles têm apenas 45 minutos para surfar. Em cima de cada onda serão apenas míseros segundos.
Marcus é o primeiro a sair da água, às 7h25. Logo em seguida aparecem Robério e Miguel. Do porta-malas do carro, eles tiram garrafas de água mineral e jogam na cabeça. Tentam tirar o sal do cabelo e a areia do corpo. “É a única maneira de tomar banho”, garante Marcus, trocando a roupa no meio da rua.
Pegar a estrada de volta para São Paulo é a parte mais desgastante da “trip”. O trânsito é inevitável e as blitze são comuns. Apesar da pressa, o assunto dentro do carro é só surfe.
“Acordar antes das 4h para ficar menos de uma hora no mar e voltar para trabalhar não é para qualquer um. A maioria desiste logo depois de fazer o primeiro “BV”. Não tem como a gente não se sentir até um pouco herói”, confessa Tomás.
Na entrada da cidade, os engarrafamentos são o grande pavor. Já são quase 9h quando a avenida Bandeirantes começa a estressar os surfistas. Mas o trânsito não dura muito e, antes das 9h30, todos estão de volta ao posto de gasolina, onde se encontraram cinco horas antes.
Sorrindo, os amigos se despedem e cada um segue para seu trabalho. “A sensação de felicidade que o ‘BV’ nos traz faz o dia render como nenhum outro”, finaliza Renato. “Hoje vi duas tartarugas no mar. Você acha que alguém no meu trabalho vai acreditar nisso?”
por ROBERTA SALOMONE
Ovelha
Filed under: Uncategorized | Etiquetas: Anjo, Guarujá, herói, resgate, salvar, surfista

Acredito que muitos já leram sobre o caso do surfista local do Guarujá, Tony, 32 anos, que perdeu a vida em um ato heróico que aliviou poucos e levou à tristeza de muitos. Tristeza por que Tony deixou sua mulher, uma filha de 11 anos e uma legião de amigos e moradores da praia das Pitangueiras. Heróico, pois cumpriu sua missão: salvar a vida daqueles que estavam em apuros, devido a forte correnteza formada pelo swell de sul, que já arrastou vários surfistas para as pedras do morro do Maluf. E o alívio? Da onde vem? O alívio veio por parte da família e amigos daqueles que foram resgatados. Mas esse não é o único motivo para se sentir aliviado. Segundo a filha de Tony, ele sempre disse que iria morrer surfando ou salvando a vida de alguém, ato que já tinha sido realizado por ele mesmo diversas vezes, na mesma praia.
Em diversos sites e jornais vi comparações entre Tony e o famoso Eddie Aikau, havaiano que também perdeu a vida salvando pessoas. Ao mesmo tempo que acredito ser uma grande honra ser comparado com o mito “Eddie would go”, acho que não devemos misturar as coisas. O que o Tony fez foi muito grandioso para ficar na sombra de outro herói. Não acho que o Tony é o Eddie Aikau do Guarujá, eu acho que ele é o “Tony do Guarujá”. Não acho que a sua vocação era enfrentar qualquer mar para surfar ondas grandes, e sim, enfrentar qualquer situação para salvar vidas. Portanto, se quando o mar estava grande e todos a não ser Eddie, tinham medo de enfrentá-lo, dai a origem da frase “Eddie would go”, quando houver uma situação onde pessoas vão passar apuros ou risco de vida, eu vou dizer: “o Tony salvaria essas pessoas”. Essa era a essência desse surfista de Alma, desse anjo do mar.
Não tenho dúvidas de que os 4 surfistas que foram salvos por ele serão eternamente gratos. Aliás, acho que qualquer indivíduo deveria ser eternamente grato por saber que em um mundo onde tudo parece estar perdido, é possível sentir uma energia maravilhosa de que existe algo a mais na vida, de que não estamos sozinhos, de que existem anjos nos protegendo todos os dias.
Essa semana será realizada uma homenagem na praia das Pintangueiras. Não vou poder estar presente fisicamente, mas com certeza vou mentalizar muita energia positiva para o anjo surfista, o Tony do Guarujá.
Ovelha



