Vou ser sincero com vocês. Não tava agüentando mais ter que ir surfar e ficar contando no relógio quantas horas faltava para eu sair. Tava dando sufoco. Eu gosto de bate-volta, mas eu preferia não fazer se eu tivesse a opção de surfar o dia todo. Bom, e aí veio o fds e pelas previsões iria ter onda. Ótimo, pensei. Muito enganado eu estava.
Toda sexta-feira a noite, tenho um compromisso, já é minha sina! Lutei por isso e conquistei esse privilégio, abrindo mão de coisas que antes me pareciam mais importantes e hoje me parecem mais uma perda de tempo. Um fim de semana sem praia ou a tranquilidade da natureza é um fim de semana morto, quase sem prazeres, simples assim. Esta sexta-feira me deparei com um tráfego logo no começo da imigrantes, achei um pouco estranho, e culpei a minha rota, quando o trânsito começou a parar e comecei a me deparar com um fluxo de carros e pessoas que bem… não é de costume serem vistas sentido litoral nas sextas, daí lembrei do feriado! Aquele feriado de 15 de novembro, sabe qual é? Ignorante ou não eu ainda não sei, só sei que me fez pensar que eu teria um longo caminho pela frente.
Como de costume, viajo sozinho e geralmente sem som no carro. Ver a gama de pessoas, que descem para o litoral no final de semana é bem fascinante, ficam claras as intenções delas para o feriado como aquele grupinho de meninas que não desanima nem com o trânsito, a família silenciosa, os meninões que usam óculos a noite e ouvem eletrônico alto, os barbudos hippies no carro velho, enfim toda essas grupos somaram 140 mil veículos rumo ao litoral só pela Ecovias, minoria absoluta de pessoas sozinhas como eu. Surfistas ou não no sábado estavam todos lá, bebendo, relaxando, dançando, dormindo, todos lutando pra estar nas faixas de areia, talvez o lugar mais democrático dos brasileiros. Quatro horas e meia foi o tempo necessário para chegar perto do meu pedaço de areia, 2:30 a mais do que geralmente me custa. Felizmente meu pedaço de areia ainda quebra altas ondas, e com um crowd regulado por um localismo saudável, e fiz minha cabeça em com meio metrão na manhã toda. Na volta sábado a tarde, mais trânsito, na verdade, muito mais do que na minha viagem de ida, como há muito tempo eu não via, mas felizmente eu estava no sentido contrário, o que me fez perceber que é esse o sentido certo e espero percorrer nos meus futuros feriados de verão.
Fico pensando como será o fim deste ano, o próximo feriado, o próximo verão. As previsões são tristes, infelizmente para apaixonados por uma praia tranquila, limpa e vazia, resta se endinheirar para pelo menos garantir o meu pedaço na faixa de areia, uma solução quase nada democrática, como alguns condomínios já vem adotando, uma maneira burguesa e egoísta de se isolar. Já vi lugares que admirava muito serem depredados e ainda tenho 24 anos, fico imaginando quantos casos assim já não passaram pelos olhos dos caiçaras mais velhos ou dos pioneiros que descobriram o litoral de São Paulo. É uma situação quase que desesperadora, que só me faz pensar que certas coisas não se equilibram nunca, vivem em desequilíbrio constante e isso só aumenta, sem solução, com danos irreparáveis. Fazer parte desta massa que migra para o litoral no verão, para passar a semana ou o fim de semana, é uma coisa que não consigo imaginar como futuro. É simplesmente morte lenta, assim como as filas de ida e volta.
Com esse desabafo, continuarei a fazer os bate-voltas, mas deixo de comentar sobre, deixando lugar para coisas que acredito e acho mais apreciáveis!
Abraço!
Mau





